Publicado 21/10/2019 - 15h40 - Atualizado 21/10/2019 - 15h41

Por Da Redação da Metrópole

O anestesiologista João Lian Júnior, diretor presidente da Unimed Campinas, diz que sua gestão tem o desafio de manter a sustentabilidade o negócio

Matheus Pereira/Especial para a AAN

O anestesiologista João Lian Júnior, diretor presidente da Unimed Campinas, diz que sua gestão tem o desafio de manter a sustentabilidade o negócio

Com aproximadamente 760 mil vidas em atendimento, a Unimed Campinas é a maior operadora de Saúde Suplementar da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e a quarta maior Unimed do Brasil. Com essa dimensão, é também a instituição que reúne o maior número de médicos. No total são 3.400 que atuam em 57 diferentes especialidades. São profissionais médicos que a Unimed Campinas considera como parceiros fundamentais para a qualidade assistencial e solidez de sua atuação. O anestesiologista João Lian Júnior, Diretor Presidente da Unimed Campinas, conversou com a Metrópole sobre alguns aspectos importantes do cotidiano e como a cooperativa se prepara e planeja a sua gestão para manter a qualidade de seus serviços e o status de maior operadora de saúde da região.
Qual o panorama hoje da cooperativa Unimed Campinas?
O foco central do nosso planejamento é manter a sustentabilidade do negócio, de modo que continuemos oferecendo serviços de alto nível aos clientes. Podemos citar, por exemplo, o Centro de Quimioterapia Ambulatorial, o nosso CQA, um serviço de altíssima qualidade, acreditado em nível de excelência pela ONA, a Organização Nacional de Acreditação. Foi o primeiro serviço dessa natureza na região de Campinas a receber esse reconhecimento. A assistência domiciliar (ADUC) oferece serviço de qualidade já há duas décadas e se trata de um trabalho de desospitalização reconhecido pelos nossos clientes. Nos últimos anos, planejamos e executamos outras ações, focando a solidez e a sustentabilidade da cooperativa, sempre com o objetivo de ofertar os serviços de elevado nível técnico que nos mantém líderes de mercado. Instalamos o Pronto Atendimento em Sumaré para atender uma antiga demanda dos clientes também daquela cidade e das vizinhas Hortolândia, Monte Mor, Paulínia e Cosmópolis, e inauguramos em 2018 nosso primeiro hospital próprio, nas instalações do antigo Hospital Álvaro Ribeiro, na Vila Industrial. Com isso estamos mantendo nossa posição, mesmo com a grave crise econômica dos últimos anos no País.
Com 3.400 cooperados não deve ser fácil para a Unimed estar próxima de todos. O que é feito para envolver o médico em questões da cooperativa?
Aproximar o cooperado da cooperativa é um desafio que não cansamos de perseguir. Temos feito investimentos na comunicação com o cooperado, usando os recursos e ferramentas digitais e eletrônicas que facilitam essa proximidade. Uma importante forma de comunicação e alinhamento é o programa denominado “Cooperativa em Suas Mãos”. São reuniões que realizamos para apresentar, de maneira totalmente transparente aos colegas médicos, a situação da empresa, o desempenho comercial, os custos assistenciais, os índices de sinistralidade, novos projetos, além de informar sobre obrigações legais e tributárias. Informações de relevância são disponibilizadas aos médicos por meio do aplicativo para celular e tablet exclusivo para sócios cooperados e também no Canal do Cooperado presente em nosso portal corporativo.
Tem sido possível valorizar o trabalho do médico?
A valorização do trabalho dos cooperados é uma questão que consideramos da maior relevância porque entendemos que o médico, pelo trabalho que ele presta aos clientes Unimed, é o agente que move a nossa cooperativa. Manter uma remuneração digna, que reconheça o empenho deles em oferecer sempre um serviço de excelência, é uma prioridade para nós. Temos nos esforçado para garantir essa remuneração justa. A remuneração é realizada por meio do pagamento de consultas, exames diagnósticos, terapias, cirurgias, internação, além dos muitos benefícios sociais que a condição de sócios lhes confere. Mantemos o propósito de reconhecer o cooperado, sem descuidar, contudo, do compromisso que devemos ter também com a sustentabilidade do nosso negócio, com a qualidade, a resolutividade e a humanização do atendimento. Dessa forma, estamos muito atentos à política de racionalização de custos e contenção de desperdícios e para os fatores de risco, como a judicialização, as resoluções da ANS e as incertezas da economia. Tudo isso vem sendo conduzido de forma planejada, organizada e com total transparência e participação dos cooperados.
Sobre a judicialização, qual o impacto na Unimed Campinas?
A judicialização na saúde é uma constante preocupação, sobretudo porque o número de ações não é relevante, mas dispende de valores significativos e, mais ainda, porque são judicializadas prescrições de procedimentos médicos que não estão no ROL das coberturas obrigatórias da Agência Nacional de Saúde (ANS), alheias, portanto, às regras contratuais. Embora tenha apresentado ligeira queda em função de um maior entendimento do Judiciário, essa questão ainda é impactante
Que outras questões também ameaçam a saúde suplementar?
Uma grande ameaça, não apenas para a Unimed Campinas como para todas as operadoras, são os frequentes desperdícios com repetições ou solicitações de exames e procedimentos que não agregam qualidade à assistência ao paciente.
Os exames e procedimentos são recursos que ajudam o médico a confirmar ou descartar uma enfermidade frente ao quadro de saúde que o paciente apresenta e devem ser utilizados como recurso de diagnóstico. Os profissionais contribuem muito quando estão atentos para não duplicar exames e procedimentos e quando cuidam permanentemente para evitar custos desnecessários.
Como a filosofia cooperativista pode favorecer a prática da promoção à saúde?
A Unimed Campinas é uma instituição sólida, que se preocupa com o bem-estar de todos: médicos, clientes, colaboradores e com a sociedade em geral, que confiam em nosso trabalho.
O cooperativismo pressupõe ações solidárias e é neste princípio que norteamos nossas ações, que vão além da prática de uma medicina de qualidade.
A área de Responsabilidade Social é bastante atuante dentro de nossa cooperativa, com programas que envolvem clientes e não clientes, bem como os diversos públicos que nela atuam (funcionários, cooperados e comunidade em geral).
Um exemplo é o Programa Saúde Toda Vida, que atende semanalmente mais de 400 idosos, sem custo algum, das cidades de Campinas e região. São oferecidas diversas atividades como ginástica adaptada, oficina de memória, meditação, teatro entre outras. Todas com foco na promoção da saúde física, emocional e social.

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