Publicado 15/10/2019 - 14h57 - Atualizado // - h

Por Alisson Negrinho

Giovana Pellicano saltou em 14 campeonatos nacionais: em 11 deles ficou entre os quatro primeiros

Arquivo Pessoal

Giovana Pellicano saltou em 14 campeonatos nacionais: em 11 deles ficou entre os quatro primeiros

Uma paixão descoberta ainda cedo e que segue até hoje. A inquietude da pequena Giovana Pellicano fez com que seus pais encontrassem no hipismo a solução ideal para que ela se acalmasse e gastasse energia. A maior beneficiada, entretanto, foi a garota. O amor desenvolvido pelos cavalos tornou-se tão grande que fez os obstáculos enfrentados nas provas parecerem minúsculos diante da vontade de fazer história.

Considerada uma revelação no hipismo nacional, a amazona (feminino de cavaleiro) trocou a vida de atleta pela de treinadora de cavalos de alto rendimento e, por trás da jovem aparência dos seus 23 anos, já carrega grande experiência, sendo coach certificada pela Federação Equestre Internacional (FEI) no nível 2 (para provas com obstáculos de 1,20m a 1,30m). Como efeito de comparação, apenas 17 brasileiros ostentam tal marca.

Natural de Campinas, Giovana não demorou para conquistar resultados expressivos. Em 2011, quando competia pela categoria pré-juniores, ganhou o conceituado Prêmio Hipismo Brasil, da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), que contabiliza a pontuação de todos os atletas nas competições – naquele ano, ela havia saltado em 14 campeonatos nacionais e em 11 deles ficou pelo menos entre os quatro primeiros. Representou ainda o Brasil em dois sul-americanos na Colômbia, além de dois torneios internacionais na Alemanha.

Apesar de todo o talento, ela se deparou com uma grande dificuldade: o alto custo para a prática do hipismo. A atleta havia atingido um estágio em que precisava aposentar sua égua, Matiz do Eldorado, e trocar de cavalo, o que demandaria muito dinheiro, já que precisaria de um animal de alto nível. Outra opção era comprar um cavalo mais novo e treiná-lo, o que levaria muito tempo.

“Foi difícil no sentido de parar de competir, porque sempre amei saltar, disputar provas, viajar... Senti bastante falta quando parei, mas voltar como treinadora foi natural. Quando estou treinando sei do que estou falando, fica muito simples passar pros meus alunos ou pros meus cavalos o que quero. Me sinto realizada dando aula, me sinto tão feliz quanto quando eu competia”, explicou Giovana, que treina cavalos profissionalmente há três anos.

Antes de tornar-se treinadora, a campineira formou-se em gastronomia. Foram dois anos e meio longe do esporte até retornar e ver que o prazer de ter um cavalo em competição é tão bom como o de estar sobre ele.

“Quando você está saltando sente adrenalina, frio na barriga de fazer o percurso. É a mesma sensação que tenho quando vejo um cavalo meu entrando com outro cavaleiro na pista. Sei tudo que passaram, tudo que fizeram e batalharam para estar ali naquele momento. Pra mim é bem gratificante”, explica.

A rotina de um treinador de cavalos envolve acordar por volta das 5h para estar com eles na hora da primeira ração, montar os animais que precisa trabalhar, passar no local durante o período da tarde para vê-los e acompanhar novamente a alimentação. Giovana explica que os treinadores levam essa vida por conta da importância dos animais. “Eles são seres vivos como nós, e precisam de baias para ficar, tem que pagar um tratador, pagar ração para se alimentarem. É igual cuidar de um filho.”

A jovem possui o sonho de estar nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, e acredita que não é algo tão distante de ser realizado. “Disputar uma Olimpíada é com certeza meu grande objetivo.”

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Alisson Negrinho