Publicado 07/10/2019 - 14h48 - Atualizado // - h

Por Kátia Camargo

Valdemar Gonçalves, mais conhecido como Peleu, conserta e restaura em média de 250 a 300 brinquedos com a ajuda de mais seis pessoas

Wagner Souza/AAN

Valdemar Gonçalves, mais conhecido como Peleu, conserta e restaura em média de 250 a 300 brinquedos com a ajuda de mais seis pessoas

Quem se lembra da Bate Palminha, Lu Patinadora, Bolinha de Sabão, Poeminha, Lala e Lulu, Pega-peixe, Bebezinho, Genius? Pois para que não sabe, são brinquedos que fizeram sucesso nas décadas de 1970, 1980, 1990 e ganham vida nova nas mãos de Valdemar R. Gonçalves, 63 anos, mais conhecido como Peleu. Há 42 anos ele se dedica a recuperar e restaurar não só os brinquedos, mas o sorriso de muitas crianças e adultos, assim como o personagem Gepeto ‘pai de Pinóquio da história da Disney’. Muitos deles devem ficar prontos antes do Dia das Crianças, no próximo domingo, para ganhar novos donos ou voltar para os antigos proprietários, mas totalmente renovados.

Por mês - o Gepeto da vida real, pai de três filhos - conserta em média de 250 a 300 peças. Ele, que antes de consertar os brinquedos fez curso de torneiro mecânico e ferramenteiro, ensina outras seis pessoas que trabalham com ele não só o ofício, mas a importância do valor sentimental de cada objeto que chega para reparo. “O fato é que numa loja onde se conserta brinquedos habitam muitas histórias de pais, mães, tios, avós, colecionadores e damos muito valor a isso. Antes de tudo trabalhamos com os sonhos das pessoas e nosso desafio é tentar realizá-los da forma mais bonita e verdadeira”, destaca.

Até hoje quando aparecem peças mais desafiadoras para consertar – e ele enfatiza que aparecem muitas na loja - Peleu espera o expediente encerrar e fica tentando achar a melhor solução. “Não tenho horário para ir embora, vou ficando até encontrar um caminho. Para mim quando vejo que o brinquedo está funcionando é como se estivesse dando vida a ele e tenho a alegria de ter cumprido minha missão”, diz.

Peleu já perdeu as contas de quantos brinquedos já passaram por suas mãos nestas quatro décadas: “Não tenho dúvidas que essa é a minha missão. Uma das maiores alegrias é ver a emoção da criança quando ela pega o brinquedo nas mãos e seus olhinhos brilham de emoção”, diz. Ele sabe que hoje em dia boa parte da garotada tem um monte de opções para brincar, mas algumas são muito especiais e moram no coração delas. “Reviver’ esses brinquedos é ter a oportunidade de compartilhar a alegria”, diz.

Há casos, conta Peleu, em que os adultos só de encostar em um brinquedo já vira criança de novo. “Estamos arrumando um carrinho que a esposa trouxe escondido do marido para consertar para fazer surpresa para ele no Dia das Crianças. Ele tem muito carinho pelo objeto”, conta. Outro caso foi de um pai que trouxe um da filha para arrumar e acabou comprando uma boneca para a esposa. “Eu perguntei para a filha dele se ela conhecia a boneca chamada Beijoca. Com pouca idade, ela respondeu que não. Mas na hora o marido lembrou que a esposa sempre disse que seu sonho era ter tido a boneca Beijoca e nunca teve. Ele acabou comprando para ela”, diz.

Outro caso a se destacar é o de uma boneca que há 69 anos veio do Egito. “É um material muito diferenciado. Estamos fazendo de tudo para preservar todas as suas características e deixar a cliente bem feliz, pois é uma peça muito importante para ela”, diz.

O artesão conta que outro dia chegou na loja uma cliente com uma boneca com o braço quebrado pela ela ao tentar trocar a roupinha para a neta. “A avó ficou mais chateada que a criança. Para solucionar o problema a gente deu um jeito de colocar braços bem molinhos e fáceis de movimentar, assim não iria quebrar mais”. Mas o conserto pode ser importante também para o meio ambiente. “Quer coisa mais ecológica do que dar vida e utilidade nova a um brinquedo antigo?”, questiona Peleu.

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Kátia Camargo