Publicado 18/10/2019 - 10h40 - Atualizado 18/10/2019 - 17h16

Por Delma Medeiros

Regina Márcia em palestra na ACL: 'Memória e Patrimônio' é resultado do trabalho nesta área

Divulgação

Regina Márcia em palestra na ACL: 'Memória e Patrimônio' é resultado do trabalho nesta área

A identidade de um povo se consolida graças à preservação de sua história, cultura, costumes, patrimônio, memória. Para chamar a atenção para a importância de preservar essa identidade, a antropóloga e educadora Regina Márcia Moura Tavares, lança neste sábado, às 10h, no Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC), a obra Memória e Patrimônio – Cartilha de Educação Patrimonial, que busca alertar para a necessidade de todos - adultos e crianças – contribuírem para manter viva e memória de um povo. “Tenho 78 anos, 50 deles dedicados à Educação e à Cultura de uma sociedade. Na condição de antropóloga, professora universitária, conselheira e consultora concebi esta cartilha com o objetivo de difundir conceitos e práticas referentes à proteção e conservação do Patrimônio Cultural, Material, Imaterial e Natural na Região Metropolitana de Campinas (RMC), explica Regina Márcia. 
Em linguagem simples e com imagens, num processo de perguntas e respostas, a obra populariza conceitos geralmente restritos a profissionais da área e aos órgãos públicos que lidam com a temática. “Valorizando a preservação da memória social, tão necessária à percepção da identidade e autoestima de uma comunidade e de um povo, a obra tem potencial para atingir toda a população, inclusive crianças a partir dos 10 anos”, coloca Regina Márcia. “Segundo especialistas que já a conhecem, a cartilha deveria ser parte integrante do currículo de escolas públicas e privadas nos vários municípios da RMC”, complementa.
A cartilha se divide em cinco itens básicos: O que é memória; Memória e Patrimônio; Por que preservar o patrimônio?; Como preservar o patrimônio; e Qual a responsabilidade de cada um?
Segundo a educadora, “Memória é o que nos lembramos do passado: de nossa família, de nossa cidade, de uma região, de nosso país, avós, parentes, vizinhos, de nosso tempo”. Ela destaca que a paisagem também é memória. “Através da paisagem – no campo e na cidade – podemos nos identificar com nosso meio ambiente”, coloca, lembrando que essa preservação ajuda a manter o ambiente original, nativo, antes da ocupação pelas diversas atividades humanas.
Sobre patrimônio, ela aponta: “Ao longo de gerações, cada povo, cada população de uma dada região ou cidade acumula uma herança cultural, ou seja, um patrimônio que se consubstancia em um conjunto de bens, materiais e imateriais, fruto das relações desta mesma humanidade com o seu meio natural e com os demais indivíduos da coletividade”. Para tanto ela cita exemplos concretos de patrimônio histórico, prédios como a Catedral Metropolitana de Campinas, o Colégio Culto à Ciência, o Mercado Municipal. Lembra também que a arte é um patrimônio. Em Campinas, parte dessa memória pode ser apreciada, por exemplo, no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC), e outros.
Lembra ainda que cada vez mais a sociedade se volta para outros aspectos da cultura de um povo. “Historiadores, antropólogos, sociólogos e outros têm manifestado sua preocupação com aspectos da cultura que não são necessariamente traduzidos em um objeto ou edifício. São bens culturais como danças, comida, música, que podem ser considerados como patrimônio imaterial”. Nesta categoria entram também os brinquedos e brincadeiras. Neste quesito, Regina Márcia já lançou, pela Editora Pontes, o livro Brinquedos e Brincadeiras: Patrimônio Cultural da Humanidade (2004).
Segundo ela, a população é quem deve definir o que deve ou não ser preservado, mas também foram criadas instituições governamentais para cuidarem dessa questão como museus, bibliotecas, centros de memórias, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN-federal); Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat – estadual); e Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc-municipal). O lançamento da cartilha integra a programação da Jornada do Patrimônio, que teve início em Campinas no dia 16 e prossegue até 22 de outubro.
A obra tem apoio cultural da Unimed Campinas e produção gráfica da PCN Comunicação. A equipe de produção contou com pesquisa de José Pedro Martins, fotos de Martinho Caires e diagramação de Fabiana Pacola Lus. Além de sortear livros entre estudantes de museologia, a autora doou 70 exemplares para estudantes de escolas públicas que frequentam as sessões da Academia Campinense de Letras (ACL). A cartilha está à venda também no site http://www.reginamarciacultura.com.br, por R$ 20,00.
Regina Márcia Moura Tavares foi professora e diretora do Instituto de Artes e Comunicações da PUC-Campinas e do Centro de Cultura e Arte da instituição, onde coordenou o Museu Universário, também integrou o conselho do Condephaat e Condepacc, entre outros. É membro fundador vitalício da Federação Metropolitana Campineira Pela Cultura (FEMECC), cantora lírica e participante da Associação Brasileira de Artistas Líricos Carlos Gomes (ABAL). Lançou ainda o livro Mudança de Rumo Já: Herança Cultural, Preservação e Desenvolvimento (2009) e agora Memória e Patrimônio.
AGENDE-SE
O quê: Lançamento do livro Memória e Patrimônio: Cartilha de Educação Patrimonial
Quando: Sábado (19), das 10h às 12h
Onde: Museu de Arte Contemporânea de Campinas (Avenida Benjamin Constant, 1633, Centro)
Quanto: Entrada franca

Escrito por:

Delma Medeiros