Publicado 17/10/2019 - 18h27 - Atualizado 17/10/2019 - 18h29

Por Da TV Press

Simone se encantou com o retrato de um Brasil do início do século 20

Divulgação

Simone se encantou com o retrato de um Brasil do início do século 20

Por muitos anos, Simone Spoladore foi levada pela profissão de atriz. Dividindo-se entre filmes, novelas, séries e peças de teatro, ela queria mesmo ganhar repertório em uma rotina que não permitia uma reflexão mais profunda sobre a carreira em construção.
“Estava com a mente ocupada e correndo os riscos que qualquer intérprete enfrenta no início da carreira. Fiz algumas escolhas ruins e fui muito feliz em outras. Isso faz parte do processo de amadurecimento. Chegou uma hora em que eu tive de tomar as rédeas da situação”, conta. Em 2013, após cinco anos de contrato e quatro novelas seguidas, Simone decidiu não renovar seu vínculo de prazo longo com a Record. Livre e, solta no mercado, assinou com a HBO, onde protagonizou três temporadas da elogiada Magnífica 70, investiu no cinema alternativo e resolveu passar uma temporada em Londres, na Inglaterra. Até que o diretor Carlos Araújo acenou com o convite para viver a delicada Clotilde de Éramos Seis. “Fiquei encantada com o projeto. Voltar aos folhetins não estava nos meus planos. Mas, de alguma forma, é um trabalho que me reconecta com a atriz que eu era lá no começo. Achei que tinha tudo a ver e topei”, explica, do alto de seus de 40 anos.
Sem lembrar muito bem do texto original de Maria José Dupré, que está em sua quinta adaptação para a tevê, Simone sentiu a necessidade imediata de ler o livro e se encantou com o retrato sofrido e sentimental de um Brasil da primeira metade do século 20.
“Maria José consegue nos transportar para todas as dificuldades do que era ser uma mulher naquela época. Avanços aconteceram, mas chega a ser desanimador ver que o machismo ainda é tão presente.” Na trama, agora assinada por Ângela Chaves, Clotilde é a romântica irmã de Lola e Olga, personagens de Glória Pires e Maria Eduarda de Carvalho. Típica mocinha que seguia os padrões sociais da época, ela foi criada para ser esposa e mãe dedicada. No entanto, acaba se apaixonando por Almeida, de Ricardo Pereira, um homem desquitado. “Envolver-se com alguém que já tem um outro casamento nas costas era impensável naquela época. Então, a Clotilde decide ir pelo caminho que ela julga mais fácil, que é sofrer e não viver esse amor (risos).”
Nas outras versões, a personagem conta com atuações memoráveis de nomes como Cleyde Yáconis, Geórgia Gomide e Jussara Freire. Mesmo curiosa, Simone optou por não assistir a qualquer material de arquivo das intérpretes anteriores e fazer uma versão muito pessoal do papel. O processo para chegar ao ponto certo de Clotilde envolveu diversos detalhes e começou cerca de três meses antes da estreia. Fã de produções de época, Simone, de cara, começou a se inspirar a partir do figurino criado por Labibe Simão e utilizado por Clotilde ao longo das cenas. Além de aulas de história e etiqueta, Simone também passou por um curso de Artes Culinárias sobre o modo de cozinhar e as comidas tradicionais da época.
Natural de Curitiba e “cria” da efervescente cena teatral da cidade, Simone estreou na tevê sob a direção de Luiz Fernando Carvalho em Os Maias, de 2001. A partir de seu bom desempenho, acabou conquistando outros papéis na emissora, em produções como Esperança e América. “Não estava preparada para a exposição que naturalmente veio com esses projetos. Foi um período complicado. Estava feliz por fazer o que amava, mas insegura com as questões cotidianas que envolvem estar na televisão.” Sem grandes perspectivas na Globo, em 2009, Simone foi seduzida por um convite para viver uma vilã cômica em Bela, a Feia, na Record. Simone lembra com certo saudosismo dos bastidores de Bela, a Feia. Exibida há 10 anos, a atriz acredita que, ao viver a ambiciosa e atrapalhada Verônica, pôde colocar para fora os exageros que sempre ficaram contidos em suas personagens mais sérias.

Escrito por:

Da TV Press