Publicado 10/10/2019 - 11h03 - Atualizado 10/10/2019 - 11h03

Por Da TV Press


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"É preciso ter coerência com o que a obra diz e o que eu quero falar"

Jéssica Ellen brinca que nasceu para questionar. No trabalho, por exemplo, a atriz costuma sempre pensar no significado de cada um de seus passos na música e na atuação. “Acho que é preciso ter coerência com o que a obra diz e o que eu quero falar. Por sorte, tenho tido oportunidades de contar e cantar histórias que me identifico muito e que tem muito a ver com minha ancestralidade.” Voltando ao universo cômico de Filhos da Pátria, em que vive a esperta Lucélia, Jéssica enxerga este trabalho como uma aula de História do Brasil e, especialmente, da dívida histórica do país com os negros.
Na primeira temporada, ambientada no final do século 19, Lucélia era uma escrava que juntava todas as suas economias para comprar sua alforria. Com um pulo temporal para 1930, os novos episódios da produção flagram a personagem como uma empregada doméstica que luta por direitos trabalhistas e retratam todo seu empenho para virar professora em um país onde os descendentes da Lei Áurea não têm grandes perspectivas na vida. “Libertaram os escravos e os deixaram à margem da sociedade. Embora o tom seja de humor, é muito poderoso e importante abordar esse momento e o quanto ele se reflete nas desigualdades de hoje”, aponta.
No momento em que soube da possibilidade de uma segunda temporada de Filhos da Pátria, Jéssica ficou ansiosa em, pela primeira vez, encarar a continuidade de uma mesma personagem. “Só tinha feito novelas e minisséries na tevê. Esse reencontro com a Lucélia foi muito esperado e bem-vindo. Só que acabou acontecendo de maneira muito inusitada.” Embora a essência do papel seja a mesma, o fato de ter uma outra ambientação histórica acabou levando a atriz a buscar novas referências e outro “timing” de humor.
Com novos figurinos e propósitos, a atriz acredita que a personagem acabou ganhando novos contornos, já que agora a luta não é apenas por sua liberdade, mas pela aceitação coletiva. Além da questão dos direitos dos negros, entra em cena também o feminismo e a confusa relação trabalhista entre Lucélia e sua patroa, a tresloucada Maria Teresa, de Fernanda Torres.
O ano de 2019 tem sido de muito trabalho para Jéssica. No primeiro semestre, a atriz ainda estava se apresentando como protagonista do musical Meu Destino é Ser Star, baseado em canções de Lulu Santos, quando começou a se preparar para as novas aventuras de Filhos da Pátria. Gravada entre os meses de maio e agosto, a minissérie privilegiou as locações reais.
Após um delicado processo de pesquisa, as cenas comandadas pelos diretores Felipe Joffily e Henrique Sauer passearam por um Rio de Janeiro que quase não existe mais, aproveitando construções que remetem ao início do Século 20: fachadas de prédios, praças, o Theatro Municipal, a Confeitaria Colombo, o Palácio Tiradentes e o do Catete. “A gente que mora na cidade acaba não valorizando tanto esses espaços. As gravações foram muito divertidas e o elenco estava muito feliz em voltar a trabalhar junto”, diz Jéssica.
Aos 27 anos, a atriz carioca está onde quer. Depois de estrear na televisão na temporada 2012 de Malhação, Jéssica fez papéis menores em novelas como Geração Brasil e Totalmente Demais. O destaque no vídeo com Justiça (2016), elogiada série de Manuela Dias. Foi este trabalho, foi convidada para viver Daiane de Assédio, minissérie produzida para a Globoplay e,depois, exibida na tevê aberta. Elas passos, ela está no elenco de Amor de Mãe, próxima novela das nove. “Minha personagem se chama Camila e é uma das filhas de Lourdes, vivida pela Regina (Casé).

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