Publicado 08/10/2019 - 12h37 - Atualizado 08/10/2019 - 12h37

Por Da Agência Anhanguera

Theatro Municipal de Paulínia, onde se dava a premiação dos festivais, tinha tapete vermelho para celebridades nacionais e estrangeiras

Cedoc/RAC

Theatro Municipal de Paulínia, onde se dava a premiação dos festivais, tinha tapete vermelho para celebridades nacionais e estrangeiras

Em 2005, uma novidade movimentou a Região Metropolitana de Campinas: o início das obras de um teatro e quatro estúdios que comporiam um polo de produção de filmes e um festival na cidade de Paulínia (SP), até então conhecida por sediar um polo petroquímico. Depois de produzir cerca de 45 filmes e seis festivais em nove anos, o polo foi extinto em 2014.
No livro Paulínia – Uma História de Cinema, (Paco Editorial, 216 págs.), o jornalista e crítico de cinema João Nunes narra cronologicamente a construção de um teatro grandioso, com 1,3 mil lugares, dois estúdios pequenos, um médio e um grande, comenta bastidores de diversos filmes rodados na região, detalha todos os passos de seis festivais, conta episódios que só ele presenciou, entrevista alguns dos protagonistas da história e fala dos desencontros políticos que motivaram o fim da experiência cinematográfica na cidade.
Vários dos filmes rodados na região se transformaram em sucesso nacional, tais como Chico Xavier (Daniel Filho), O Palhaço (Selton Mello), Ensaio sobre a Cegueira (Fernando Meirelles) e Vai que dá Certo (Maurício Farias e Calvito Leal).
Até Tropa de Elite 2 (José Padilha), a maior bilheteria do cinema brasileiro, com mais de 11 milhões de ingressos vendidos, recebeu suporte financeiro de Paulínia para o lançamento, que aconteceu nacionalmente na cidade, atraindo imprensa do Brasil inteiro.
Tudo isso é escrito em primeira pessoa, o que faz do narrador um personagem do livro: o jornalista que acompanhou o processo desde o primeiro anúncio da construção do polo até o desmanche de uma estrutura que em pouco tempo passou a ser o centro das atenções do audiovisual brasileiro.
Antes de Campinas, o livro será lançado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no dia 22.
Prefácio
Autor do prefácio, o presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema – Abraccine, Paulo Henrique Silva, escreve: “É esse rico bastidor que vemos detalhado na escrita refinada, saborosa e levemente irônica de João Nunes, jornalista do jornal Correio Popular de Campinas, testemunha privilegiada do nascimento e da falência do festival. A história do festival está profundamente identificada com o autor. Em cada linha registrada neste livro, a sensação é de que Nunes está contando um pouco de suas inquietações de vida”, diz ele.
TRECHOS
“Por ter me identificado afetivamente com essa experiência, decidi escrever em primeira pessoa. Afinal, este é menos um livro sobre a história do polo e do festival e mais um depoimento a respeito do que o cinema me proporcionou ver e sentir em Paulínia. Por conta dessa identificação, estabeleci uma intimidade com ele, mas foi uma aproximação distanciada porque busquei incessantemente não perder o olhar crítico do jornalista.”
“Em Paulínia, depois da coletiva de imprensa, tive o prazer de tomar um cafezinho com Franco Nero, o pistoleiro de Django (Sergio Corbucci, 1966) e o tenente gay de Querelle (Rainer Werner Fassbinder, 1982). Em 2011, ele veio filmar As Memórias que me Contam (Lúcia Murat). É estranho e desconfortável estar diante de um ícone que se conheceu há mais de cinquenta anos e não na vida real, mas no cinema. E com um detalhe importante: eu o conhecia, ele não sabia nada de mim. De repente, estamos juntos, trocando gentilezas. Ele me sorri, eu lhe ofereço açúcar e tomamos o café em silêncio.”
“Afora os prazeres pessoais do meu trabalho, havia algo muito mais relevante acontecendo: parte do cenário dos filmes brasileiros sofrera mudança radical. Nos filmes rodados em Paulínia e na região metropolitana não havia Cristo Redentor, nem Avenida Paulista, tampouco Masp ou Pão de Açúcar ou panorâmica sobre a grande cidade ou praia de Copacabana. Havia outros brasis — e eles são muitos. Se fosse apenas esse o ganho do polo de Paulínia, já teria sido bastante. A mudança de cenário foi apenas um deles — e revestido de profundo significado.”
SERVIÇO
O quê: lançamento do livro Paulínia – Uma História de Cinema, de João Nunes (Paco Editorial)
Quando: dia 28 outubro de 2019, a partir das 18h30
Onde: no Facca Bar (Rua Conceição, 157, Centro, Campinas, dois estacionamentos R$ 10,00 a hora)
Preço do livro: R$ 37,90

Escrito por:

Da Agência Anhanguera