Publicado 20/10/2019 - 15h02 - Atualizado 20/10/2019 - 15h02

Por Alenita Ramirez

Seis cachorros de médio porte foram adotados por um grupo de ao menos 30 moradores quando eram filhotes que são a alegria da vizinhança

Matheus Pereira/Especial para a AAN

Seis cachorros de médio porte foram adotados por um grupo de ao menos 30 moradores quando eram filhotes que são a alegria da vizinhança

Funcionários da Secretaria de Cultura e moradores da Vila Industrial estão em pé de guerra por conta de cachorros comunitários que vivem há pelo menos 10 anos na Rua Francisco Teodoro. De um lado, um grupo defende que os seis animais sejam retirados do local, uma vez que estão mordendo motociclistas e pedestres que passam pela via. Por outro lado, ativistas defendem que os direitos dos cachorros devem ser garantidos, já que existe lei específica em vigor desde 2008.
São seis cachorros de médio porte, que atendem pelos nomes de Nina, Neguinha, Mel Tigrinho, Negão e Tor e que foram adotados por um grupo de ao menos 30 moradores quando eram filhotes. Eles foram abandonados no estacionamento da Estação Cultura e ao longo do tempo foram alimentados e cuidados pelos ativistas. Entretanto, nos últimos tempos os machos passaram a atacar motociclistas e pedestres quando se sentem ameaçados. “Os cachorros são castrados, vacinados. Todos estão gordos e bonitos. Eles são a nossa alegria, mas passaram a atacar as pessoas que representam alguma ameaça”, disse um morador que pediu para não ser identificado.
Um morador que também trabalha na Estação Cultural disse que é atacado pelos cachorros toda vez que passa pela calçada e já até anda munido de um pedaço de pau para se defender dos animais.
Para evitar a guerra, moradores contaram que já tentaram criá-los no quintal de casa, mas ficam inquietos. Eles passam o dia e a noite entre a última quadra da via, próximo ao Túnel da Vila Industrial e o estacionamento da Estação Cultura. Casinha, caminha e vasilhas com água e ração foram disponibilizadas para a cachorrada. Para cuidar dos bichos, foi criado no WhatsApp o grupo “Cão da Estação”.
Desde que os moradores foram avisados da suposta retirada dos cachorros passaram a viver um drama, já que se preocupam com o destino dos bichos. “Vivemos uma situação difícil. Gostamos dos cachorros. Eu, por exemplo, me dou superbem com eles. Mas por outro lado já os vi atacando gente na rua. Tudo o que quero é um lar para eles ou então que a Prefeitura arranje um local aqui na estação para acomodá-los. Eles cresceram aqui e acho que se tirá-los deste lugar vão morrer. É complicada essa situação”, disse a manicure Penha Vanderleici, de 44 anos.
O ativista Rogério Dias disse que já enviou ofícios para departamentos ligados à proteção de animais da Prefeitura pedindo providências. “O animal só ataca se for provocado. Eles não têm histórico de mordidas. A presença deles nesta rua até ajuda os moradores deste trecho, pois há muitos usuários de drogas nesta região e eles meio que ‘protegem’ as pessoas deste local”, disse Dias.
Segundo ele, a lei municipal 12.916 de 2008 garante a estadia do cão comunitário no local em que vive e entre as medidas que pede à Prefeitura está a fixação de placas de alertas para não soltarem cachorros naquela área. “Também peço maior fiscalização e que a Prefeitura acate denúncias com fotos para punir donos que soltam os animais na rua”, frisou.
Outro lado
Em nota, a Coordenação da Estação Cultura informou que não determinou a retirada dos cachorros, mas que apenas houve a retirada pelo Cata Treco de várias "casinhas" deixadas por moradores no estacionamento do local, destinadas aos animais, em virtude da precariedade dos objetos.
Segundo o Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DPBEA), de acordo com os parâmetros definidos pela ONU, Campinas deve ter cerca de 20 mil cães e gatos nas ruas.

Escrito por:

Alenita Ramirez