Publicado 18/10/2019 - 11h22 - Atualizado 18/10/2019 - 11h22

Por Daniel de Camargo

Brasil: 2 médicos por mil habitantes

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Brasil: 2 médicos por mil habitantes

O Brasil contava, em janeiro de 2018, com 452.801 médicos, o que dá uma razão de 2,18 médicos por mil habitantes. O apontamento foi feito pelo estudo Demografia Médica 2018, o quarto e último da série, que traz dados sobre o número e a distribuição desses profissionais no País. Coordenado pelo professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Mário Scheffer, com o apoio institucional do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), a analise mostrou que nunca houve um crescimento tão expressivo da população médica no Brasil num período tão curto de tempo. Em pouco menos de cinco décadas, o total de médicos aumentou num ritmo três vezes maior do que o de brasileiros.
De 1920 a 2017, o total de registros de médicos no País saltou de 14.031 para 451.777, ou seja, um crescimento de 2.219,8%. No mesmo período, a população foi de cerca de 30,6 milhões para mais de 207,6 milhões de habitantes, resultando em aumento em torno de 577%. Pelos dados, ao longo de 97 anos o total de médicos cresceu 3,7 vezes mais que o da população em geral. No entanto, esse fenômeno se acentuou nas últimas décadas. De 1970 até o ano passado, o total de profissionais da Medicina cresceu 665,8%, ou 7,7 vezes — e a população aumentou 119,7%, ou 2,2 vezes.
Em 2010, quando foi elaborado o primeiro levantamento, a taxa de médicos por habitante era menor (1,91 por grupo de mil). Naquele período, 16.058 deixaram a faculdade e ingressaram no sistema de saúde. Há três anos, em 2016, esse número chegou a 18.753. Porém, a tendência é que ele aumente muito mais, devendo chegar a 28 mil, em 2024.
Mudança no perfil
A Demografia Médica 2018 indica que o crescimento da população médica vem sendo acompanhado de uma mudança no perfil de idade e de gênero desse grupo, acentuando-se processos de feminização e de juvenização da categoria no Brasil. No entanto, os dados demográficos acentuam a rapidez com que o tamanho desse grupo vem aumentando.
Força das mulheres
Um fato que chama a atenção é a participação cada vez mais significativa da mulher dentro do contingente de profissionais médicos. Atualmente, os homens ainda são maioria entre os médicos, com 54,4% do total profissionais, ficando as mulheres com uma representação de 45,6%. Porém, essa distância vem caindo a cada ano, sendo que o sexo feminino já predomina entre os médicos mais jovens, sendo 57,4%, no grupo até 29 anos, e 53,7%, na faixa entre 30 e 34 anos
Quando se observa a série histórica da população de médicos segundo sexo, as mulheres representavam 22,3% e 21,5%, respectivamente em 1910 e 1920. Nos anos seguintes, este percentual oscilou para menos, chegando a 13%, em 1960. No entanto, a partir de 1970 essa proporção tem crescido de modo constante, subindo para 23,5%, em 1980; 30,8%, em 1990; 35,8% em 2000; e 39,9%, em 2010.
Dentre os estados, a ultrapassagem das mulheres médicas sobre os homens se consolidou em apenas dois estados: no Rio de Janeiro, onde somam 50,8% dos profissionais, e em Alagoas, com 52,2%. Além deles, o percentual também é alto em Pernambuco (49,6%), Distrito Federal (47,6%) e Paraíba (47,5%). Em São Paulo, as médicas são 45,4% do total e em Minas Gerais, 42,9%. Em contrapartida, o Piauí tem a menor presença feminina, com 37%. Essa tendência também surge no Amapá (37,2%), Goiás (38,5%) e Santa Catarina, com 38,8%.
Nas capitais
No Brasil, as capitais das 27 unidades da federação reúnem 23,8% da população e 55,1% dos médicos. Em síntese, mais da metade dos registros de médicos em atividade se concentra nas capitais, onde mora menos de um quarto da população do País.
A taxa das 27 capitais é de 5,07 médicos por mil habitantes. No Interior do País, esse índice é 1,28, ou seja, 3,9 vezes menor.
JURAMENTO DE HIPÓCRATES
O Juramento de Hipócrates é um ato solene realizado pelos médicos, tradicionalmente por ocasião de sua formatura. Nele, se comprometem a praticar a medicina honestamente. A promessa é inspirada no médico grego Hipócrates, que segundo registros históricos, morreu aos 83 anos em 377 antes de Cristo. Ele é considerado por muitos como o pai da Medicina. Abaixo o juramento na íntegra:
“Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: 
Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.
A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados. 
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

Escrito por:

Daniel de Camargo