Publicado 09/10/2019 - 07h30 - Atualizado 09/10/2019 - 07h30

Por Daniel de Camargo

Du Cazellato (ao centro) e seus novos secretários apresentados ontem, juntamente com os principais planos de ação do governo

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Du Cazellato (ao centro) e seus novos secretários apresentados ontem, juntamente com os principais planos de ação do governo

Empossado na última sexta-feira para um mandato-tampão até o final de 2020, o prefeito de Paulínia, Du Cazellato (PSDB), confirmou que o déficit da Prefeitura mais que dobrou durante a breve gestão do vereador Antônio Ferrari (DC), o Loira, que esteve à frente da cidade por aproximadamente nove meses. O valor saltou de cerca de R$ 24 milhões para mais de R$ 56 milhões. O montante exato deve ser calculado, em breve, quando um levantamento que está sendo realizado pela nova equipe de governo for finalizado. Um panorama parcial do atual cenário econômico e alguns problemas em vários setores do município foram comentados, ontem, durante coletiva de imprensa promovida para a apresentação oficial de oito novos secretários.
Cazellato afirmou que o caixa está praticamente zerado. No momento, a Administração dispõe de mais ou menos R$ 6 milhões. Novo chefe de gabinete, Leonardo Ballone enfatizou que não será fácil honrar os compromissos firmados. "A arrecadação provavelmente não vai ser suficiente para liquidar", comentou. De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Paulínia, a estimativa mais recente aponta que o orçamento de 2019 deve totalizar R$ 1,437 bilhão. Ballone disse ainda que é necessário um estudo mais aprofundado para identificar onde é possível economizar.
Cazellato informou que pretende promover uma reforma administrativa na máquina pública, reduzindo o número de secretarias de 21 para 16. "Ainda estamos estudando", disse, sem especificar um prazo para que isso seja concretizado. A nova equipe de governo, nas palavras do chefe do Executivo, é formada por "técnicos" em suas áreas. E, como prometido previamente por ele, em sua maioria profissionais da própria Paulínia. Além de Ballone para a chefia de gabinete, foram anunciados Meire Muller (Educação), Guilherme Mello Graça (Negócios Jurídicos), Marcelo Mello (Obras e Serviços Públicos), Marco Antônio Pires Ward (Planejamento), Rita Coelho (Promoção Social), José Guimarães (Recursos Humanos) e Fábio Luiz Alves (Saúde).
Entre os dados a serem verificados, Ballone assegurou que as horas extras realizadas recentemente precisarão ser comprovadas. Nos dois últimos meses do Governo Loira, esses gastos totalizaram em torno de R$ 3 milhões. O valor foi parcelado em três vezes. A média no mandato interino de Cazellato, recorda, era R$ 700 mil. "Observamos que muitos servidores registraram o máximo de horas extras permitidos por lei, o que nos causa estranheza, parece mais gratificação", disse.
Outro lado
Ex-prefeito interino, Loira rebateu as acusações contra sua administração
Em nota, Loira informou repudiar veementemente as declarações. Durante seu governo interino, garantiu ter efetuado o pagamento de diversos contratos que estavam atrasados, entre eles o da reforma da ponte da Rhodia. Sobre o pagamento de horas extras para os funcionários de carreira nos últimos meses, o presidente da Câmara disse que tudo foi feito de maneira legal e moral, pois cada valor pago era de direito dos servidores que tanto fazem pela cidade e população, e que é leviano usar de politicagem usando a categoria para prejudicá-lo.
 
 
Saúde é prioridade
Após prometer, durante a posse, que vai realizar um mutirão na área da saúde e que pretende zerar a fila de espera para exames e cirurgias em até seis meses, o prefeito de Paulínia, Du Cazellato (PSDB), voltou a afirmar, ontem, que a pasta é prioridade em seu governo. A missão, agora, ficará a cargo de Fábio Alves, mestre em saúde coletiva pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que desempenhava a mesma função em Itatiba até julho passado e, anteriormente, já trabalhou em Santa Bárbara d'Oeste e no Ministério da Saúde. 
Alves assegurou que é possível corrigir as falhas atuais e passar a atender a população de forma qualificada e humanizada. A ideia, segundo o novo secretário, é organizar as demandas emergenciais no prazo de 15 dias. Após uma primeira análise, destaca, foram percebidos erros como morosidade da máquina e descontinuidade de processos administrativos. Como consequência, se dá a falta de medicamentos, insumos e procedimentos atrasados ou parados.
"Os números são preocupantes. São mais de 1,5 mil cirurgias paradas e grandes filas de espera para alguns exames", enfatizou. De uma lista de 600 medicamentos da assistência farmacêutica municipal, aponta que aproximadamente 70 estão em falta. Já pensando em 2020, quando a Saúde terá, de acordo com o secretário, um orçamento em torno de R$ 387 milhões, alguns contratos estão sendo reavaliados de modo que a verba venha a ser bem utilizada.
Tucano havia governado o município antes por 76 dias
Eleito prefeito de Paulínia com 26,99% dos votos válidos na eleição suplementar do dia 1º de setembro, Edenilson Cazellato (PSDB), popularmente chamado de Du Cazellato, foi empossado na última sexta-feira. O tucano vai governar até dezembro de 2020 e pode se candidatar à reeleição no pleito municipal do próximo ano. Cazellato havia administrado o município por 76 dias, entre novembro de 2018 e janeiro deste ano.
Ele era presidente da Câmara, na ocasião em que o ex-prefeito Dixon Carvalho (PP) e seu vice, Sandro Caprino (PRB), foram cassados por abuso de poder econômico na eleição de 2016. Por essa razão, foi convocado pelo juiz eleitoral de Paulínia para assumir o Executivo. Em dezembro passado, entretanto, depois da eleição para a nova mesa diretora da Câmara para o biênio 2019/2020, o vereador Antônio Ferrari (DC), o Loira, foi escolhido como novo presidente do Legislativo.
Na oportunidade, reivindicou imediatamente o cargo de prefeito. Após briga judicial que se arrastou por mais de 20 dias, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) determinou que Loira comandasse Paulínia até as eleições suplementares. Paulínia tem um histórico de turbulência política, sendo essa a 13ª troca de prefeito desde 2013, período em que sete políticos se alternaram no poder.
Nove candidatos concorreram ao comando da cidade que tem o maior Produto Interno Bruto (PIB) por habitante do País. Aos 48 anos, o empresário paulinense é casado e pai de dois filhos. É o primeiro de três irmãos de uma família tradicional de comerciantes locais. Du Cazellato estava em seu segundo mandato como vereador.

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Daniel de Camargo