Publicado 30/10/2019 - 19h45 - Atualizado 30/10/2019 - 19h45

Por AFP


A procuradora do Rio de Janeiro Simone Sibilio negou nesta quarta-feira que um suspeito do assassinato da vereadora Marielle Franco tenha pedido para visitar o então deputado Jair Bolsonaro no dia do crime, como afirmou o porteiro do condomínio na Barra da Tijuca onde mora o presidente.

A divulgação pela TV Globo de declarações do porteiro à polícia provocou nesta quarta-feira uma exaltada reação do presidente, que acusou a emissora de perseguição.

O controle de visitas do condomínio indica que no dia 14 de março de 2018, horas antes do assassinato de Marielle Franco, o ex-policial Élcio Queiroz informou na portaria que pretendia visitar a casa número 58, de Bolsonaro, mas foi de fato para a casa 65, de Ronnie Lessa, suposto autor dos disparos contra a vereadora.

As gravações mostram que o porteiro "interfonou para a casa 65 e quem atendeu foi Ronnie Lessa", destacou Sibílio.

A TV Globo noticiou na véspera que o porteiro declarou à polícia que Queiroz informou na portaria que pretendia visitar Bolsonaro, e que interfonou para a casa 58, recebendo a devida autorização. Posteriormente, o suspeito se dirigiu à casa 65.

No dia em questão o deputado Bolsonaro estava em Brasília.

Sibilio acredita que o porteiro cometeu um engano.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, pediu ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que investigue o caso.

Segundo Moro, a inconsistência das declarações sugere um equívoco na investigação realizada no Rio de Janeiro ou uma tentativa indevida de ligar o nome do presidente ao crime, o que pode configurar obstrução à justicia, falso testemunho ou denúncia caluniosa.

Marielle Franco foi morta no dia 14 de março de 2018, no centro do Rio, junto com o motorista Anderson Gomes.

Na madrugada desta quarta-feira, o presidente fez uma transmissão ao vivo no Facebook sobre a reportagem e atacou diretamente a TV Globo.

"O que cheira isso aqui, o que parece é que ou o porteiro mentiu, ou induziram o porteiro a cometer um falso testemunho, ou escreveram algo no inquérito que o porteiro não leu e assinou embaixo em confiança ao delegado, ou a quem que foi ouvir na portaria...".

"Qual a intenção disso tudo? A intenção é sempre a mesma. O tempo todo ficam em cima da minha vida, dos meus filhos".

"A Rede Globo teve acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça, e quem vazou isso para a televisão foi o senhor governador (do Rio de Janeiro, Wilson) Witzel", que agiu pensando na disputa presidencial de 2022, disparou o presidente.

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