Publicado 09/10/2019 - 23h44 - Atualizado 09/10/2019 - 23h44

Por AFP


Depois de alguns minutos de silêncio interrompidos por alguns cliques e murmúrios, a imagem de um homem com a cabeça raspada e aparência jovem filmada de dentro de seu veículo aparece na tela.

É início da tarde de quarta-feira, na cidade alemã de Halle (leste), e, diante da câmera, o homem se prepara para cometer um ataque violento contra uma sinagoga que no fim acaba sendo uma busca por alvos aleatórios e por motivos torpes.

A ação parece com a realizada pelo australiano que atacou em março passado duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, deixando 51 mortos.

O agressor de Halle se apresenta em inglês com um forte sotaque alemão em seu vídeo, transmitido ao vivo por 35 minutos na plataforma Twitch: "Olá, meu nome é "Anon"", diz, provavelmente usando uma abreviação de anônimo

Depois inicia um discurso antissemita no qual afirma que "o Holocausto nunca existiu" ou que "a origem de todos os problemas são os judeus". Também critica o feminismo e "a imigração em massa".

Vestido com roupa caqui e luvas, monta um fuzil que parece artesanal e dirige o carro com o rádio ligado.

Estaciona numa rua, perto de uma sinagoga onde várias pessoas estão orando por ocasião do Yom Kipur, dia do perdão, um dos principais feriados judaicos. Tenta abrir a porta, mas não consegue. "Por#@!", Ele grita. "Mer#@", ele diz em seguida em alemão. "Talvez eles estejam saindo".

Apoia o fuzil na fachada da sinagoga e tenta encontrar uma maneira de entrar, escalando a parede do cemitério adjacente ao local de culto.

Um ciclista que passa pela rua olha perplexo.

A porta do cemitério parece mais fácil de abrir. Coloca um explosivo artesanal na frente dela, mas nenhuma detonação ocorre.

Uma mulher de 50 anos atravessa a rua e pergunta o que está acontecendo, antes de seguir seu caminho. Logo depois ela é abatida com três tiros nas costas.

O assassino retorna à porta do cemitério, que não abre. Fala outro palavrão e vai para perto do corpo sem vida da primeira vítima, caído na calçada. "Porca!", grita, e volta a atirar. Quase sem fôlego, continua xingando.

Um curioso se aproxima do corpo estendido no chão. O agressor tenta abatê-lo, mas não consegue recarregar a arma, dando tempo para o homem fugir dirigindo um carro.

O criminoso passa a atirar várias vezes contra a porta da sinagoga e tenta derrubá-la, mas não consegue. "Mer#@!", repete. Dispara contra outro veículo que passa pelo local e depois tenta, com dificuldade, retornar ao seu carro mas o corpo da primeira vítima bloqueia parcialmente a porta.

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