Publicado 09/10/2019 - 22h29 - Atualizado 09/10/2019 - 22h29

Por AFP


Milhares de indígenas chegaram nesta quarta-feira à militarizada cidade de Quito para protestar contra os ajustes econômicos que o governo acordou com o FMI e que tornaram o combustível mais caro. O tumulto no Equador já dura há uma semana.

Manifestantes marcharam em direção ao centro da cidade, onde fica a sede presidencial desocupada, enquanto mais tarde grupos menos numerosos de estudantes e trabalhadores enfrentaram com pedras a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo.

"A indignação equatoriana contra esse pacote (do FMI) nos traz até aqui", disse Gonzalo Espín, líder do povo indígena de Cotopaxi (centro). "Enquanto não desistirem, ficaremos aqui", alertou.

O presidente "está governando apenas com as receitas do Fundo Monetário Internacional, das câmaras de negócios. E é isso que o povo equatoriano rejeita", disse o líder indígena Salvador Quishpe.

Moreno não quer reverter sua política e oferece, em troca, liberar mais recursos para os povos indígenas afetados pelo aumento generalizado de preços que, em teoria, origina a alta de combustíveis.

De Guayaquil, Moreno acompanha a crise minuto a minuto. Ele transferiu a sede do governo na segunda-feira, antes da marcha dos indígenas, que se dirigiram a Quito pelo interior. As Forças Armadas, mobilizadas pelo estado de exceção, permanecem leais ao governo.

O presidente abriu caminho para o diálogo com a mediação da ONU e da Igreja Católica. Os povos indígenas, entretanto, exigem como condição que o governo desista de eliminar os subsídios que levaram ao aumento do preço do diesel e da gasolina em até 123%.

Na noite desta quarta-feira, Moreno declarou à TV estatal que "sem qualquer dúvida" a crise será solucionada em "muito breve".

Em Guayaquil, a segunda cidade do país, uma grande manifestação em apoio ao governo e em defesa da democracia reuniu milhares de pessoas nesta quarta.

"A democracia não cairá nas ruas de Guayaquil!", clamou a prefeita da cidade, Cynthia Viteri, diante dos manifestantes reunidos na Avenida 9 de Outubro.

Castigado pelo alto endividamento e pela falta de liquidez de sua economia dolarizada, o Equador acordou em março um programa de empréstimos com o FMI que chega a 4,2 bilhões de dólares.

Somente na semana passada Moreno anunciou o lado mais difícil do ajuste, que também prevê reformas tributária e trabalhista, afetando os funcionários públicos.

Os povos indígenas representam 25% da população equatoriana de 17,3 milhões.

O destacamento militar e a medida de exceção foram insuficientes para conter a crise, a mais grave desde a queda do então presidente Lucio Gutierrez em 2005.

Na última terça-feira houve violentos confrontos. Um grupo de povos indígenas conseguiu ocupar o Legislativo antes de serem despejados pela polícia.

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