Publicado 21/09/2019 - 11h57 - Atualizado 21/09/2019 - 11h57

Por Da Agência Anhanguera

Normal, de Guilherme Botelho, se estrutura no movimento de corpos que caem e se levantam

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Normal, de Guilherme Botelho, se estrutura no movimento de corpos que caem e se levantam

Com temas como a invisibilização de corpos marginalizados, a violência urbana, o diálogo com outras linguagens artísticas, como as artes visuais, entre outros, a Bienal Sesc de Dança, que termina neste domingo, mostrou espetáculos com temas urgentes e atuais. As criações também se arriscaram a propor novas possibilidades de ocupação dos espaços públicos e de enxergar o mundo e o outro por meio de experiências que rompem com a lógica embrutecedora vigente em grandes centros urbanos e convidam para outras formas de sentir, pensar e agir. A passagem do tempo, a memória, o futuro e a liberdade também tiveram e têm espaço nas obras. E a Bienal fecha a programação neste fim de semana com chave de outro, apresentando seis espetáculos cênicos e duas performances, nas dependências do Sesc, CIS Guanabara, Estação Cultura e Teatro Castro Mendes.
Um exemplo da apropriação de outras linguagens é o solo A Boba, de Wagner Schwartz, que parte do quadro A Boba, de Anita Malfatti (1889-1964), para criar sua performance homônima, uma coprodução Brasil-França. Em cena, Schwartz retira o quadro da parede e o peso da tela passa a influenciar no peso do corpo do artista e vice-versa. A pintura elaborada entre 1915 e 1916, durante a estadia de Anita nos Estados Unidos, é umas das criações mais contundentes do modernismo brasileiro, como também o clímax de sua produção expressionista. “A Boba está em consonância com a resistência de nossa época”, afirma o artista. Hoje, às 20h e amanhã, às 19h, no Teatro do Sesc.
Os obstáculos da vida e a capacidade de resiliência humana são temas centrais em Normal, espetáculo da Alias, companhia de dança contemporânea suíça criada pelo coreógrafo brasileiro Guilherme Botelho. A estrutura coreográfica é construída sobre um só movimento: corpos que caem e se levantam. A ação simples vai ganhando complexidade por meio de repetições que formam uma atmosfera hipnotizante. Estes movimentos cíclicos permitem que o público entre em um estado mais contemplativo, que favorece a projeção de suas próprias memórias e sentimentos pessoais. Apesar de não ser diretamente inspirada na obra da poeta polonesa Wislawa Szymborska (1923-2012), a coreografia se relaciona com a atmosfera metafísica, irônica, cotidiana e, por vezes, engraçada de seus poemas que testemunham a frágil e instável estrutura da vida. Hoje, às 20h30, e amanhã, às 18h, no Castro Mendes.
Égua, das paulistanas Josefa Pereira e Patrícia Bergantin, aborda as diferentes conotações de cavalo e égua para discutir a questão de gênero, sendo que o primeiro, o macho, é associado à força e à beleza e a segunda, a fêmea, evoca um imaginário pejorativo, confirmado por expressões populares que reduzem a fêmea à sua função sexual. O trabalho também se inspirou, entre outros materiais, nas artistas e obras de P. J. Harvey, Kim Gordon e Patti Smith, além de um recorte de obras literárias e cinematográficas. Hoje, às 20h30 e amanhã, às 19h30, no Ginásio do Sesc. Eclipse Mundo, parte da origem etimológica da palavra eclipse, que é abandono. Concebido e dirigido pela artista espanhola Paz Rojo, o espetáculo é a implementação desse abandono, termo associado a uma condição destituinte. Hoje, às 21h30 e amanhã, às 20h30, no Galpão do Sesc.
Em Eu Sou uma Fruta Gogoia, em Tendência Binária, coprodução Brasil-Alemanha, a artista Thelma Bonavita remonta o espetáculo Eu sou uma fruta gogoia em três tendências após dez anos de sua criação. O processo de remontagem propõe pensar o que considera os três eixos principais do fazer artístico da dança contemporânea: transmissão, memória e modos de criação. Hoje, e amanhã, às 18h30, no CIS Guanabara. Peso Bruto, de Jussara Belchior, paulistana radicada em Florianópolis, trata de tema urgente, o preconceito contra pessoas gordas.“Sou e sempre fui uma bailarina gorda, mas isso sempre foi um pouco incomum. O corpo gordo na dança é um corpo, geralmente, desautorizado a dançar, como se ele fosse incapaz de se mover”, diz Jussara. Foi a partir da urgência de falar sobre esse assunto que ela criou o solo Peso Bruto, com o qual circula desde 2017. Hoje e amanhã, às 18h, na Sala Multiuso do Sesc.
Entre as performances, o público pode conferir aCORdo, da carioca Alice Ripoli, hoje e amanhã, às 14h, na Estação Cultura; e Quem Segue as Setas, de Adriana Macul e Mariana Vaz, do Núcleo Tríade, de São Paulo. Hoje e amanhã, das 9h30 às 18h, na área de convivência do Sesc. Programação completa no site sescsp.org.br/bienaldedanca.

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