Publicado 12/09/2019 - 12h25 - Atualizado 12/09/2019 - 12h28

Por Delma Medeiros

Maratona apresenta, entre hoje e sábado, os espetáculos 'Dancing Grandmothers', 'Canto dos Malditos' e 'Fim'

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Maratona apresenta, entre hoje e sábado, os espetáculos 'Dancing Grandmothers', 'Canto dos Malditos' e 'Fim'

Um panorama do que se produz em dança contemporânea no Brasil e no mundo pode ser conferido a partir de hoje no Sesc Campinas e em diversos espaços públicos da cidade. Começa a 11ª Bienal Sesc de dança, que pelo terceiro biênio consecutivo é realizada em Campinas. Serão em torno de 50 ações cênicas, entre espetáculos, instalações, performances e atividades formativas vindas de oito estados brasileiros e 12 países da Europa e das Américas. O espetáculo sul-coreano Dancing Grandmothers, abre a programação hoje, em sessão para convidados e aberta ao público. Para a sessão de abertura, os ingressos estão esgotados, mas o espetáculo será reapresentado amanhã, às 21h30, ainda com ingressos disponíveis.
De acordo com Fabrício Floro, curador da Bienal, junto com Cristian Duarte, Silvana Santos, Rita Aquino e Luciane Ramos, um dos diferenciais desta edição, a terceira realizada em Campinas – as oito primeiras foram feitas no Sesc Santos – é o avanço nas ações formativas. “Elas sempre foram desenvolvidas, mas este ano cresceram bastante. Temos, inclusive, duas curadoras somente para as atividades formativas. Outra inovação é buscar um formato mais acolhedor, com uma horizontalidade entre artistas e público, de forma a ampliar a aproximação”, coloca Floro. A diversidade de linguagens e as ações voltadas para faixas etárias variadas também são destaques no evento. “Teremos oficinas para crianças, terceira idade, profissionais, estudantes, trazendo a raiz das ações do Sesc, que busca atender diversos públicos”, afirma.
Floro destaca também a descentralização das atividades, que ocorrem nos espaços do Sesc e em endereços variados, como Teatro Castro Mendes, Museu da Imagem e do Som (MIS), CIS Guanabara, entre outros espaços públicos, tanto fechados, como em ruas, praças e até no Terminal Rodoviário, que recebe, na sexta e no sábado, a partir das 16h, o dispositivo performático Fricção#5, coordenado por Mariana Guzzo; e a intervenção urbana Escuta!, dirigida por Renato Cruz. A Bienal é uma realização do Sesc-SP em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e Unicamp.
Abertura
Com coreografia e direção de Eun-Me Ahn, conhecida como “a Pina Bausch de Seul”, Dancing Grandmothers reúne os jovens bailarinos da companhia com dez senhoras, a maioria estreante. Dançando juntos, eles transformam o palco em uma enorme pista de dança, numa mescla de folclore com contemporâneo. “Vocês são lindas, façam o que quiserem”, foi a única indicação que a coreógrafa Eun-Me Ahn deu para as senhoras. A ideia para o espetáculo - que propõe uma viagem através do tempo e de movimentos que se transformam numa espécie de transe coletivo -, começou quando Eun-Me viu sua mãe dançando na cozinha e percebeu que sua dança e seu corpo refletiam a sua história pessoal e uma página da história de seu país.
Canto dos Malditos, de Marcos Abranches; e Fim, do Grupo VÃO, ambos de São Paulo, são os destaques de sexta e sábado, respectivamente às 20h e 20h30, no Teatro e Ginásio do Sesc. A solidão, o fracasso e a tristeza são o ponto de partida de Canto dos Malditos, solo de dança contemporânea concebido por Abranches. Como um desabafo, o bailarino traz para a cena conflitos e questões do homem na contemporaneidade, a inconsistência e a precariedade das suas próprias relações. O espetáculo é inspirado no livro homônimo de Austregésilo Carraro Bueno (1957-2008), cuja narrativa autobiográfica deu origem ao filme Bicho de Sete Cabeças (2000) dirigido por Laís Bodanzky e estrelado por Rodrigo Santoro.
Estar junto e estar só, a solidão e a coletividade. É sobre a coexistência desses aspectos que o Grupo VÃO se debruça em Fim, oitavo e mais recente trabalho do coletivo paulistano. A coreografia propõe uma experiência imersiva em que o público habita um longo período de escuridão junto das artistas que dançam de olhos fechados. A experiência sensorial e imagética do trabalho se dá com o reforço da trilha sonora, a iluminação, os elementos cênicos e os movimentos corporais que surgem como camadas não hierarquizadas entre si.
AGENDE-SE
O quê: 11ª Bienal Sesc de Dança
Quando: De hoje a 22/9, em vários locais e horários
Onde: Sesc Campinas e outros
Quanto: de R$ 9,00 a R$ 40,00 (preço varia conforme o espetáculo, além das atrações gratuitas)
Obs: Programação completa no site sescsp.or.br/bienaldedanca 

Escrito por:

Delma Medeiros