Publicado 24/09/2019 - 09h01 - Atualizado // - h

Por Henrique Hein

A maioria das mortes de idosos no trânsito campineiro ocorreu à noite ou durante a madrugada

Leandro Torres/AAN

A maioria das mortes de idosos no trânsito campineiro ocorreu à noite ou durante a madrugada

Aproximadamente 25% dos pedestres que morreram no trânsito de Campinas em 2019 tinham mais de 60 anos de idade, segundo dados do Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga-SP). De acordo com o levantamento, sete dos 29 óbitos na cidade, entre janeiro e agosto, envolveram idosos. Mais da metade dos óbitos (57%) ocorreu à noite ou de madrugada.
Os dias com maior índice de ocorrências foram os domingos e as terças-feiras, com duas mortes computadas em cada dia. Quando analisados os veículos envolvidos nos acidentes, os automóveis estão presentes em 71,4% das ocorrências, enquanto as motos correspondem a 14,3% dos casos. Os dados também revelam o perfil das vítimas idosas: 85,7% eram homens e 14,3%, mulheres.
O estudo aponta também que as vias municipais mataram mais do que as rodovias: 57% dos idosos faleceram enquanto caminhavam pelas ruas e avenidas, contra 43% dos que tentavam atravessar uma das pistas que cortam a cidade. Já com relação a idade, os mais idosos foram as principais vítimas do trânsito campineiro: dos sete óbitos, três envolveram pessoas com mais de 80 anos.
Na avaliação do presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, José Aurélio Ramalho, diversos fatores explicam esses números. "O idoso tem uma dificuldade natural de locomoção e também de conseguir identificar se a distância e a velocidade que um carro está é suficiente ou não para que ele consiga atravessar uma via em segurança" , explica o especialista. "A imprudência também é outro problema e isso envolve não só o pedestre como também o motorista. Os dois precisam estar atentos e, principalmente, respeitar a sinalização semafórica" , ressalta.
Ainda de acordo com Ramalho, é importante que as famílias dos idosos não deixem de dar suporte e assistência para eles. "A família não pode deixar um idoso sair de casa, andar e atravessar as ruas sozinho, principalmente à noite. É de suma importância que haja um acompanhamento, seja por parte dos filhos ou de um responsável", salienta.
Imprudência
O Correio Popular foi às ruas de Campinas na tarde de ontem e flagrou várias situações de perigo. A aposentada Maria de Lurdes dos Santos, de 66 anos, por exemplo, colocou a vida em risco na Avenida João Jorge, na Vila Industrial, ao atravessar o corredor central de ônibus quando o sinal estava vermelho para os pedestres. Ao ser questionada, desconversou e atribuiu o aumento de ocorrências envolvendo idosos no trânsito ao fato de "os motoristas andarem muito nervosos”. “O povo não está respeitando a faixa de pedestre", acrescentou.

Estado de SP
No Estado de São Paulo a situação é ainda pior. Nos últimos 12 meses, o Infosiga-SP registrou 1.388 óbitos de pedestres em todos os 645 municípios paulistas. Desses, 500 foram de pessoas com mais de 60 anos, correspondendo a 36% do total. A maioria das ocorrências (57%) aconteceu em vias urbanas e 61% das vítimas acabaram falecendo nos hospitais. Além disso, mais de um terço (37%) dos atropelamentos de idosos ocorreu de noite e de madrugada. Os dias com maior índice de ocorrências foram as sextas-feiras (18%) e os sábados (16%).

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Henrique Hein