Publicado 21/09/2019 - 10h02 - Atualizado 21/09/2019 - 10h02

Por Maria Teresa Costa

O Marco Zero de Campinas nada mais é do que uma indicação modesta no calçamento da Praça Bento Quirino, no Centro da cidade

Cedoc/RAC

O Marco Zero de Campinas nada mais é do que uma indicação modesta no calçamento da Praça Bento Quirino, no Centro da cidade

A Praça Bento Quirino, local simbólico da fundação de Campinas, vai ganhar um novo Marco Zero. A intervenção na praça pretende valorizar o lugar onde foi realizada a missa que marcou a fundação, em 14 de julho de 1774. O projeto virá de um concurso regional de ideias, coordenado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). O vencedor doará o projeto à Prefeitura, que já dispõe de R$ 115 mil para a obra.
A proposta, disse a diretora de Turismo, Alexandra Caprioli, é valorizar o local simbólico do nascimento da cidade com uma intervenção, que poderá ser um monumento, para contar a história de Campinas e tornar-se mais um atrativo turístico. A ideia é ter um monumento para identificar o Marco Zero geográfico (a partir do qual todas as medições de distância relativas à cidade são estabelecidas) e fazer referências à história da formação de Campinas.
O recurso é do Ministério do Turismo, e é parte da verba de R$ 250 mil, que foi destinada para a implantação de sinalização de patrimônios históricos e turísticos, que está em curso. "Com a licitação para sinalização, conseguimos reduzir o preço e houve essa sobra de verba que vamos utilizar na intervenção", disse. O dinheiro pode ser usado para a reforma da praça, mas não pode ser destinado a cobrir custos com o projeto executivo.
Por isso, o IAB-Campinas entrou na parceria e vai lançar o edital do concurso para escolher o projeto. O presidente da entidade de arquitetos, Fábio Pires, informou que o edital será elaborado junto com a Coordenadoria Setorial de Patrimônio Cultural (CSPC), responsável pelas regras que os arquitetos concorrentes seguirão.
Nele estarão os requisitos básicos, como materiais a serem utilizados, as informações que deverão conter no monumento e também propostas para intervenção que valorizem o entorno do Marco Zero. Ainda não há data definida para o lançamento do edital.
A definição atual do Marco Zero é tímida — apenas uma marcação no calçamento da Praça Bento Quirino. "Queremos algo que de fato faça referência à fundação de Campinas", disse Alexandra Caprioli. Os idealizadores não querem polêmicas com historiadores e, por isso, será um monumento ao Marco Zero geográfico, com referências aos três campinhos, clareiras no meio da mata, onde, em 1774, já existiam moradores. Dessa forma, a intervenção terá referência à fundação oficial da cidade, mas não ao seu nascimento.
Ela lembra que se a Prefeitura fosse licitar o projeto executivo, o processo demoraria mais de um ano. Com o IAB definindo os termos do edital, ele pode ser lançado em 30, 40 dias, permanecer aberto por um mês e em três meses a obra já poderá acontecer.
Segundo Alexandra, a repactuação do convênio com o Ministério do Turismo para poder utilizar a sobra do recurso já foi feita.
Missa ocorreu em uma capela de sapé
Campinas foi fundada em 1774, com a realização da primeira missa em uma capela de sapé, em terras doadas pelo fundador Barreto Leme, onde está a Praça Bento Quirino. Mas não significa que a cidade começou a nascer aí. O povoamento teve início pelo menos 50 anos antes, com a abertura do caminho de penetração bandeirista, conhecido por estrada dos Goiases, ligando São Paulo às minas de Goiás.
Em 1774 já havia três pequenos núcleos por aqui, os chamados três campinhos, clareiras no meio da densa mata que serviam de pouso e, segundo as informações históricas, 393 pessoas moravam no que viria a ser a cidade de Campinas. Eles eram bem servidos de água por córregos que vieram a se chamar Proença, Taquinho (que desce pela atua Barão de Jaguara e Anchieta) e Serafim (Orosimbo Maia). Um dos campinhos ficava no atual Largo Santa Cruz, o outro próximo ao Viaduto Laurão e o outro, próximo da Praça Bento Quirino. Foi nesse último que ocorreu a primeira missa, marcando a fundação da cidade. Assim, o local é simbólico da fundação oficial da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso (1774), que depois se transformou em Vila de São Carlos (1797), e em Cidade de Campinas (1842).

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Maria Teresa Costa