Publicado 12/09/2019 - 10h34 - Atualizado 12/09/2019 - 10h35

Por Alenita Ramirez

Residencial onde o idoso, que não tinha familiares, morava: polícia de Hortolândia vai apurar o caso

Matheus Pereira/ Especial para a AAN

Residencial onde o idoso, que não tinha familiares, morava: polícia de Hortolândia vai apurar o caso

O corpo de um idoso de 70 anos, sem familiares, demorou 22 horas para ser removido. O caso aconteceu em Hortolândia. O homem morava sozinho em um apartamento no bairro Novo Ângulo e lutava contra um câncer na garganta. Ele foi achado morto por volta do meio-dia de anteontem, mas seu corpo só foi retirado por volta das 9h40 de ontem. A demora gerou revolta na vizinhança do condomínio onde o idoso vivia. A Polícia Civil vai apurar o caso. Como a cidade não tem serviço público funerário, a funerária de plantão deveria fazer a remoção e o enterro, mas se negou, com a justificativa de que o idoso teve morte natural e não tinha parentes.
De acordo com vizinhos, o idoso era morador em condições de rua, mas há cerca de cinco anos foi beneficiado com um programa assistencial de moradia da Prefeitura e ganhou o apartamento no Condomínio Espanha. O homem tinha uma vida social normal até adoecer e conseguir mais sair de casa. “Um pastor vinha todos os dias para ajudá-lo. Os moradores também o ajudavam, mas ele não tinha nenhum parente. A gente ajudava no que podia. Quando soubemos da morte, acionamos as funerárias, mas ninguém veio retirar o corpo”, disse a subsíndica do condomínio, Rosângela Pires.
Conforme os vizinhos, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou a morte do idoso, por volta das 16h. A Polícia Técnico-Científica esteve no local. A Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal (GM) também passaram pelo local, mas o corpo do idoso seguiu no apartamento até a manhã do dia seguinte, quando moradores, revoltados, insistiram com a Prefeitura.
“Foi um descaso total. Só porque ele era pobre e não tinha família? Um absurdo porque ninguém fez nada”, disse a cuidadora de crianças, Juliana do Nascimento, de 26 anos.
Outro lado
Em nota, a Prefeitura informou que monitora o caso de perto e que, desde o dia da morte do idoso, buscava solucionar a questão e que precisou acionar a Polícia Civil, já que as funerárias se recusavam a remover o corpo. “Embora a Administração Municipal não tenha serviço funerário próprio, arcará com todas as despesas relativas à remoção e sepultamento do corpo do idoso. Porém, após serem acionadas pelo Poder Público, via Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social, todas as funerárias da cidade, de plantão a partir das 18h desta terça-feira (anteontem), se recusaram a fazer a remoção do corpo, por se tratar de caso de morte natural”, frisou.
Ainda conforme o órgão público, no município existe o Auxílio-Funeral, benefício concedido para cobertura de despesas funerárias para pessoas em vulnerabilidade social, de forma eventual, e serve para cobertura de despesas com serviços.
O delegado Luis Antônio Loureiro Nista explicou que as funerárias de plantão seguem um cronograma definido pela Secretaria Municipal de Saúde e que a empresa que era responsável pelo plantão poderá ser punida administrativamente e até por desobediência. O caso será apurado pelo 1º Distrito Policial (DP), no Jardim Rosolém. “Demoraram muito para retirar o corpo e isso é um absurdo, pois eles (empresários do ramo) têm um contrato com a Prefeitura”, disse.

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Alenita Ramirez