Publicado 12/09/2019 - 09h43 - Atualizado 12/09/2019 - 10h56

Por Alenita Ramirez

Movimentação ontem no prédio do MP, onde parte dos adolescentes prestou esclarecimentos à Justiça

Wagner Souza/AAN

Movimentação ontem no prédio do MP, onde parte dos adolescentes prestou esclarecimentos à Justiça

Os três adolescentes de 17 anos suspeitos de terem feito uma emboscada e agredido um estudante da mesma idade, no último dia 2, próximo ao clube Sociedade Hípica de Campinas, no bairro das Palmeiras, negaram o envolvimento do advogado criminalista e pai de um dos suspeitos, José Pedro Said Júnior, na ação e também garantiram que a agressão não foi premeditada, segundo informações dos advogados de defesa de dois deles, Daniel Leon Bialski e Ropholp Pettená Filho. Porém, o advogado de um terceiro suspeito, Renan Marin Colaiacovo não confirmou ontem está versão e optou por não comentar o depoimento de seu cliente.
Segundo Bialski e Pettená Filho, os suspeitos afirmaram que todos são amigos e que o encontro foi marcado pelo WhatsApp, para que fosse esclarecido a situação do beijo entre a vítima e a ex-namorada de um deles, dois dias antes em uma balada.
Os depoimentos aconteceram na tarde de ontem no prédio do Ministério Público (MP). Os garotos, todos de classe média alta e de família tradicional na cidade, foram ouvidos pela promotora da Vara da Infância e Juventude. O processo corre em segredo de Justiça por serem menores de idade.
O primeiro a depor foi o ex-namorado da garota, que seria o pivô da briga e filho do advogado. A oitiva começou por volta das 15h terminou por volta das 16h. Apenas os dois advogados falaram sobre o caso. A vítima prestou depoimento na terça-feira e o outro garoto acusado de envolvimento, na segunda-feira. “Meu cliente deu sua versão sobre a briga. Eram todos amigos, de frequentar a casa um do outro. Ele disse que o pai apenas deu carona e não teve participação no evento. Ao contrário, tentou evitar a briga, separando-os. Said é um homem respeitado não só pela ética e compromisso profissional, mas por sua conduta. Ele quis oferecer ajuda, mas o menino correu e pediu ajuda em outro local”, garantiu Bialski.
Segundo o advogado, seu cliente descartou a emboscada e afirmou que só queria conversar com a vítima, no entanto, ela teria feito uma “expressão jocosa” o que o levou a agredi-lo. “A verdade será esclarecida”, disse.
Pettená Filho também afirmou que seu cliente garantiu que Said Júnior não teve participação no caso, apenas os levou na casa do amigo. “Todos eles relataram que eram amigos e foram lá para conversar. O pai não tem nada a ver com a história. Eles foram conversar e gerou-se o entrevero. O caso corre em segredo de Justiça”, frisou.
O advogado da vítima, Pedro Marcelino, afirma que seu cliente conhecia os agressores, mas não eram amigos e que Said Júnior realmente ligou para o pai do seu cliente, mas até então a família desconhecia os fatos e o envolvimento do advogado no episódio. “Não se espera outra coisa de quem está sendo acusado, senão que se defenda. É um direito sagrado. Todavia, nesse caso, como vi as imagens gravadas pelas câmeras de segurança, posso asseverar que o advogado, pai de um dos menores agressores, levou os três rapazes até a casa da vítima, ficou por ali um pouco, até o início das agressões, saiu com seu carro e, em seguida, reapareceu na rua, no mesmo sentido que havia vindo antes, andou com o carro pela rua, enquanto o menino estava sendo covardemente espancado”, disse. “Posteriormente, esse mesmo pai, para seu carro para dar fuga aos rapazes, vê a vítima desfalecida no chão, todo ensanguentado, e o deixa ali, sem prestar socorro (...)”, acrescentou Marcelino.
Como o processo corre em segredo de Justiça, o MP não se manifestou. De acordo com os advogados, os envolvidos também deverão ser ouvidos em breve por um juiz.
Resposta do advogado da vítima, Pedro Marcelino:
“Como vi as imagens gravadas pelas câmeras da Hípica, posso asseverar que o advogado, pai de um dos menores agressores, levou os três rapazes até a casa da vítima, ficou por ali um pouco, até o início das agressões, saiu com seu carro e, em seguida, reapareceu na rua, no mesmo sentido que havia vindo antes, andou com o carro pela rua, enquanto o menino estava sendo covardemente espancado, pelos três valentões. Posteriormente, este mesmo pai, para seu carro para dar fuga aos rapazes, vê a vítima desfalecida no chão, todo ensanguentado, e o deixa ali, sem prestar socorro ao menino (não sendo verdade, que tentou fazer isso! Há testemunha em sentido contrário), fugindo do local dos fatos, e, no dia seguinte, viaja para a Argentina, com seu filho, acredito que numa pescaria (é o que se deduz, pelas fotos postadas nas redes sociais), como se nada tivesse acontecido.
Para mim está muito claro, que este pai deverá responder, como participe do crime, a ser tipificado pela Promotoria, tentativa de homicídio (que é o que defendemos) ou lesões corporais, além do crime de corrupção de menores. A Justiça será feita!”

Escrito por:

Alenita Ramirez