Publicado 12/09/2019 - 09h22 - Atualizado 12/09/2019 - 10h39

Por Gilson Rei

Enquanto as capivaras transitam pelos parques da cidade, a doença cresce e desperta a preocupação de pais e responsáveis pelas crianças e outros frequentadores dessas áreas verdes

Cedoc/RAC

Enquanto as capivaras transitam pelos parques e córregos da cidade, a doença cresce e desperta a preocupação

Campinas confirmou ontem mais uma morte causada pela febre maculosa, chegando a sete óbitos neste ano, o maior registro desde o início da contagem em 2007. O número de mortes por febre maculosa nos oito primeiros meses deste ano é 75% superior ao total de óbitos ocorridos no ano passado inteiro, que somou quatro mortes.
A Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Departamento de Vigilância de Saúde (Devisa), informou ontem que contabiliza entre janeiro e agosto deste ano dez casos de febre maculosa e sete mortes, um índice de 70% de letalidade no período.
A confirmação mais recente foi de uma adolescente de 13 anos, da região Leste da cidade, que morreu em 14 de agosto passado e juntou-se ontem aos outros seis registros de óbitos por febre maculosa em Campinas.
Duas mortes foram confirmadas pela Secretaria de Saúde de Campinas anteontem. A primeira de uma mulher de 66 anos que residia no Jardim Chapadão e que morreu no dia 11 de agosto. Ela residia próxima ao Clube Andorinhas e ao Templo Budista, onde a reportagem do Correio denunciou estar com infestação de carrapatos no final do mês de julho. A mulher foi picada pelo carrapato, teve sintomas da febre maculosa e foi internada em um hospital da cidade mas não resistiu.
A outra confirmação de anteontem foi do músico e produtor Cabeto Rocker Pascolato, que morava no distrito de Barão Geraldo. Cabeto, faleceu no dia 18 de agosto, tinha 58 anos, era muito conhecido no meio cultural e atuava no movimento vegano. Era proprietário de um restaurante no distrito de Barão Geraldo. Teve sintomas da doença alguns dias antes de morrer.
As outras quatro vítimas da febre maculosa foram: uma mulher de 32 anos, que morreu no final de agosto e residia no distrito de Barão Geraldo; um menino de 8 anos, que morreu no dia 30 de julho e morava no bairro Vida Nova; uma criança, de 2 anos, que morreu em julho e era da região do Campo Grande; e um homem de 38 anos, que também morreu em julho e residia no distrito de Sousas.
Todas as vítimas moravam ou frequentavam áreas rurais que possuem vegetação, rios e córregos, além de animais como cavalos e capivaras, que são hospedeiros dos carrapatos transmissores da doença.
Ações
A Secretaria de Saúde informou que logo que é notificada dos casos inicia ações de prevenção com visitas domiciliares e diagnóstico ambiental com pesquisa acarológica e manejo ambiental nos lugares onde é possível esta ação. Realiza ações educativas na comunidade, incluindo visitas casa a casa para orientar sobre a doença; sobre a importância de evitar áreas consideradas de risco; e orienta como proceder se apresentar sintomas.
Além disso, a Secretaria mantém ações de capacitação e atualização dos profissionais da Saúde para que eles estejam preparados para fazer o diagnóstico e tratamento precoces da doença e a notificação imediata à Vigilância em Saúde. A notificação precoce dos casos suspeitos permite que as medidas de controle apropriadas possam ser adotadas rapidamente.
Sintomas e cuidados
 
Os sintomas iniciais são febre, dor no corpo, mal-estar, podendo também causar náuseas e vômitos, diarreia e dor abdominal. Também podem aparecer manchas vermelhas pelo corpo. As pessoas que apresentarem esses sintomas após frequentar áreas de risco (até 14 dias depois) devem procurar atendimento médico e avisar que possível contato com carrapatos. A doença tem tratamento, mas tem rápida evolução. Se não tratada, pode levar o paciente a óbito entre seis a oito dias. Não existe vacina contra a doença.

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Gilson Rei