Publicado 12/09/2019 - 08h52 - Atualizado 12/09/2019 - 09h26

Por Daniel de Camargo

Trabalhadores cruzaram os braços em frente à agência do Centro

Matheus Pereira/ Especial para a AAN

Trabalhadores cruzaram os braços em frente à agência do Centro

Das 25 agências dos Correios instaladas em Campinas, pelo menos 12 tiveram seu funcionamento afetado ontem, em decorrência da greve nacional por tempo indeterminado dos trabalhadores da categoria decretada na noite de terça-feira. Os servidores asseguram que a direção da empresa e o governo federal querem reduzir drasticamente salários e benefícios para diminuir custos e privatizar a estatal. Amanheceram com as portas fechadas as unidades de Barão Geraldo, Jardim Londres e Jardim Metonópolis. Outras nove (Alphaville, Cambuí, Chácara da Barra, Chácara Santa Letícia, Jardim Chapadão, Jardim Proença, Parque D. Pedro Shopping, Parque Prado e Sousas) estavam abertas, entretanto, sem carteiros e com o serviço Sedex comprometido. Outras cidades da região também tiveram a prestação de serviços postais prejudicada.
Diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Correios de Campinas e Região (Sintectcas), o carteiro motorizado Fábio Xavier, que trabalha na estatal há 22 anos, assegurou ontem que 36% do efetivo de aproximadamente 1,8 mil trabalhadores da cidade - ou seja, 650 colaboradores - paralisaram suas atividades. "A ideia, hoje (ontem), é estabilizar a greve", frisou.
Por volta das 11h, houve uma reunião perto da agência do Centro, na Avenida Francisco Glicério. Em torno de 70 pessoas participaram. Lá, Xavier pediu que a mobilização seja promovida nas ruas. Nesse contexto, solicitou ajuda para a confecção de faixas e panfletos, que devem utilizados e distribuídos em atos. Na tarde de amanhã, uma manifestação deve ocorrer em Campinas, com o intuito de reunir trabalhadores de agências de outros municípios da região.
"Eu gostaria de esclarecer para a sociedade que essa greve foi provocada pela direção dos Correios, que, inclusive, não atendeu uma convocação do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que busca a construção de um acordo entre as partes", enfatizou. Em sua opinião, é inadmissível que sejam retirados, entre outros benefícios conquistados ao longo de anos, o convênio médico. "Temos pessoas que trabalham nessa empresa há dez anos e ganham R$ 1,5 mil", contextualizou.
Outro lado
Os Correios classificaram, em nota, a paralisação dos empregados como "parcial" e informaram que os serviços de atendimento da estatal não foram afetados. "A empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população", destaca o texto. Medidas como o deslocamento de pessoal do administrativo para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões foram adotadas.
Sobre a adesão dos trabalhadores, os Correios informaram que um levantamento feito na manhã de ontem apontava que 81% do efetivo do Interior de São Paulo estava trabalhando normalmente. No País, o percentual era de 82%. No que diz respeito às negociações, a estatal informou ter participado de dez encontros na mesa de negociação com representantes da categoria. Nestas ocasiões, foi exposta a real situação econômica da empresa e as propostas para o acordo dentro das condições possíveis, "considerando o prejuízo acumulado, atualmente, na ordem de R$ 3 bilhões".
Segundo a estatal, as federações, no entanto, expuseram sugestões que superam até mesmo o faturamento anual da firma. "Os Correios estão executando um plano de saneamento financeiro para garantir sua competitividade e sustentabilidade", frisa a nota. A greve, analisa a estatal, agrava ainda mais a combalida situação monetária dos Correios.
Sindicato se posiciona contra venda
No contro realizado na manhã de ontem, na agência dos Correios na Avenida Francisco Glicério, diversos trabalhadores mostraram desaprovação com a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSB). A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) se posicionou, em nota: "o governo quer vender todas as estatais. Quer acabar com os direitos e a justiça trabalhista para presentear os empresários com trabalhadores mais baratos. É um tsunami que deixará as relações de trabalho arrasadas no Brasil, e os trabalhadores na miséria".

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Daniel de Camargo