Publicado 12/09/2019 - 08h29 - Atualizado // - h

Por Maria Teresa Costa

O estudo de tombamento do Estádio do Mogiana já foi concluído, mas não especifica os imóveis que deverão ser preservados, caso seja aprovado

Leandro Ferreira/AAN

O estudo de tombamento do Estádio do Mogiana já foi concluído, mas não especifica os imóveis que deverão ser preservados, caso seja aprovado

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) vai decidir, na próxima reunião, dia 19, se tombará o Estádio da Mogiana como patrimônio da cidade. A votação deveria ter ocorrido no início do mês, mas o processo foi retirado da pauta pelo presidente do conselho Ney Carrasco, após a notícia do envio à Assembleia Legislativa pelo governo do Estado (Alesp), de projeto para autorizar a venda do imóvel.
Segundo ele, a retirada de pauta ocorreu para que os conselheiros pudessem digerir a notícia e decidir com calma se tombam ou não o imóvel. "Não é bom tomar decisões com a temperatura alta", disse.
O estudo de tombamento está aberto desde 2013 e já foi concluído. Ele não especifica os imóveis que deverão ser preservados, caso o estudo seja aprovado. Os conselheiros deverão definir, nessa hipótese de aprovação, as construções que serão tombadas. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arquitetônico, Arqueológico e Turístico do Estado (Condephaat) aprovou, no ano passado, a preservação do campo de futebol, a arquibancada central, a arquibancada sudoeste, a casa do administrador e a casa do motorista como patrimônios do Estado. A resolução do tombamento estadual, no entanto, ainda não foi publicada.
O presidente da Câmara, Marcos Bernardelli (PSDB), acredita ser prudente anexar a ata do Condephaat que deliberou pelo tombamento, na matrícula do imóvel, para que aqueles que tiverem interesse na compra saibam que aquele patrimônio deve ser preservado. Na semana passada ele entregou ao vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) ofício em nome da Câmara para a suspensão da tramitação do projeto de venda na Assembleia Legislativa.
Na próxima terça-feira, a Comissão de Representação da Câmara, presidida pelo vereador Gustavo Petta (PCdoB), estará na Secretaria de Esportes do Estado e depois discutirá, na Assembleia Legislativa, com deputados do Colégio de Líderes, o projeto de venda do estádio.
Os vereadores querem barrar a venda e encontrar uma alternativa que preserve aquele espaço esportivo. Embora ocorram jogos de equipes amadoras no campo, desde 2009 as arquibancadas não podem receber torcidas, por causa da situação precária das estruturas.
Nessa semana, o secretário de Esportes de Campinas, Dario Saadi, informou em audiência pública na Câmara Municipal, que o prefeito Jonas Donizette (PSB) tem interesse em assumir a gestão do estádio, desde que receba o imóvel recuperado pelo Estado. "Não há um levantamento do quanto custariam as reformas necessárias, mas o fato é que a Prefeitura não tem verba para isso", disse.
De acordo com o projeto que tramita na Assembleia Legislativa, o imóvel tem terreno com 26,5 mil metros quadrados e a área construída tem 6,8 mil metros quadrados. A proposta da Prefeitura é que o Estado deixe fora da venda os 6,8 mil metros quadrados que compõem o Estádio da Mogiana. Quem adquirir os 19,7 mil metros quadrados restantes deverá recuperar o estádio como contrapartida à aprovação do futuro empreendimento que vier a se instalar na área.
Oficialmente chamado de Centro Recreativo e Esportivo de Campinas Doutor Horácio Antônio da Costa (Cerecamp), o prédio foi construído em 1940, com capacidade para 4 mil pessoas. O Mogiana já foi um dos principais estádios do País.

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Maria Teresa Costa