Publicado 11/09/2019 - 09h59 - Atualizado 11/09/2019 - 09h59

Por Gilson Rei/AAN

Em julho, jornal publicou série de matérias alertando sobre infestação

Leandro Torres/AAN

Em julho, jornal publicou série de matérias alertando sobre infestação

Campinas confirmou ontem mais duas mortes por febre maculosa: uma mulher de 66 anos que residia no Jardim Chapadão e o músico e produtor Cabeto Rocker Pascolato, morador do distrito de Barão Geraldo, ambos na região Norte da cidade.
Ao todo, Campinas contabiliza sete mortes em dez casos registrados em oito meses. A estatística deste ano já superou os números de todo o ano passado, quando a doença matou quatro pessoas.
Dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo revelam que a região de Campinas contabiliza cerca de 50% das mortes de febre maculosa em todo o Estado. Vale lembrar que o Correio fez uma série de reportagens entre julho e agosto passado alertando sobre a doença e denunciando que havia uma infestação de carrapatos no Jardim Chapadão, próximo ao Clube Andorinhas e ao Templo Budista.
A mulher de 66 anos do Jardim Chapadão e o produtor e músico Cabeto foram vitimados pela febre maculosa no mês passado e a confirmação chegou ontem do laboratório Adolfo Lutz. As duas vítimas são da região Norte de Campinas, assim como uma mulher de 32 anos, que também foi morta pela febre maculosa e residia no distrito de Barão Geraldo.
Entre os outros registros, está um menino de 8 anos, que morreu no dia 30 de julho. Ele morava na região Sudoeste de Campinas, no bairro Vida Nova. Além do garoto, uma outra criança, de 2 anos, morreu na região Noroeste, região do Campo Grande. A outra vítima da doença foi um homem de 38 anos, residia na região Leste (distritos de Sousas e Joaquim Egídio).
A veterinária da Vigilância em Saúde da Região Norte, Tosca de Lucca, explicou que todas as vítimas moravam em áreas periurbanas - regiões em que as atividades urbanas e rurais se misturam. “Estas áreas possuem vegetação, rios e córregos, além de animais como cavalos e capivaras, que são hospedeiros dos carrapatos transmissores da doença”, explicou.
Tosca explicou que assim que a Visa é notificada de qualquer caso suspeito, várias ações são desencadeadas na região, tais como diagnóstico ambiental, com pesquisa acarológica e colocação de placas nas áreas. A pesquisa realizada é para verificar a presença ou não de carrapatos e o tipo de carrapato existente no local provável de infecção.
A Visa e as unidades de Saúde preparam também ação educativa na comunidade com visitas casa a casa para orientar sobre a doença, e sobre a importância de evitar áreas consideradas de risco. São preparadas também palestras para informar como a pessoa deve proceder quando surgir os sintomas e verificar se ocorreram outros casos suspeitos.
A veterinária destacou que Campinas é uma cidade endêmica para a febre maculosa, ou seja, apresenta ocorrência da doença dentro de um mesmo patamar, diferente de epidemia, que é a ocorrência de uma doença infecciosa e contagiosa que se espalha rapidamente, atacando um grande número de pessoas.
A veterinária destacou que é fundamental o diagnóstico rápido e o tratamento precoce. O paciente deve sempre avisar ao médico se esteve em locais de risco e se foi picado por carrapato. “Com isso, o médico deve receitar rapidamente antibiótico para um tratamento eficaz”, disse.
Ela explicou que a febre maculosa tem sintomas muito parecidos com dengue, leptospirose e gripes fortes, com o fato adicional de apresentar manchas avermelhadas pelo corpo. 
“Por isso, quando tiver estes sintomas é fundamental avisar ao médico se esteve próximo de capivaras e cavalos em áreas de grama e lagos.
Com isso, o médico vai poder prescrever antibiótico correto”, explicou. “Se demorar muito para iniciar o tratamento, a febre maculosa poderá ser letal”, informou a profissional.

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Gilson Rei/AAN