Publicado 10/09/2019 - 09h43 - Atualizado 10/09/2019 - 09h57

Por Francisco Lima Neto

Evento de acolhimento e cadastro de haitianos organizado pela Prefeitura de Campinas na Estação Cultura

Leandro Ferreira/AAN

Evento de acolhimento e cadastro de haitianos organizado pela Prefeitura de Campinas na Estação Cultura

A Prefeitura de Campinas atende cerca de 3,5 mil imigrantes que precisam de políticas públicas específicas por não estarem totalmente integrados. No entanto, levantamento feito entre 2000 e 2016 aponta 17 mil imigrantes vivendo na cidade. A maioria vem de países latino-americanos, africanos e asiáticos. Segundo a Prefeitura, Campinas possui um universo diversificado e abrangente de imigrantes residentes. Dados do Observatório das Migrações, entre 2000 e 2016, mostram que foram registrados como residentes no Município cerca de 17 mil pessoas — a maior parte já encontra-se integrada ou não necessita de políticas públicas específicas.
Eles se dividem em quatro grupos. O primeiro grupo é de estrangeiros com atividade e tempo de permanência pré-definido. Nele, estão os estudantes, professores universitários, trabalhadores de multinacionais e religiosos. No segundo grupo estão os imigrantes "autônomos". São profissionais liberais, intelectuais e artistas, que geram pouca ou nenhuma demanda específica.
O terceiro grupo é composto por imigrantes e refugiados do fluxo imigratório da segunda metade do século 20. São totalmente incluídos na sociedade. No último grupo estão os que demandam políticas públicas específicas, como acesso ao idioma, regularização de documentação, intermediação no acesso à saúde. Os 3,5 mil que demandam assistência estão nesse grupo.
Segundo a Diretoria de Direitos Humanos de Campinas, eles são haitianos, venezuelanos, colombianos, peruanos, cubanos, congoleses, ganeses, angolanos, guineenses, chineses, sírios e paquistaneses.
De acordo com Fábio Custório, diretor de Direitos Humanos, as maiores concentrações desses grupos de imigrantes encontram-se em Barão Geraldo, Campo Grande, região do CDHU San Martin; região do Ouro Verde e região Central. Ainda segundo a Administração, até o início do segundo semestre de 2015, a imigração era, majoritariamente, de pessoas com nível superior e com pouca experiência em trabalhos braçais. Esse quadro começou a se alterar com a entrada de contingente maior de imigrantes com formação equivalente ao nosso Ensino Médio e Fundamental.
"A estimativa é que durante o segundo semestre de 2019, mesmo com a continuidade da entrada de imigrantes haitianos, a cidade passe a ser um dos principais destinos de imigrantes venezuelanos", explica o diretor. Em relação ao Oriente Médio/Ásia, a continuidade das perseguições religiosas no Paquistão deverá forçar a saída de cristãos, que já têm Campinas como alternativa de refúgio. Por outro lado, em relação aos sírios, pode ocorrer o fluxo contrário: retorno de famílias refugiadas, na medida que sejam maiores as possibilidades apontando para o fim do conflito bélico no país de origem.
Na semana passada, técnicos do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) visitaram Campinas para conhecer os serviços oferecidos pela Administração Municipal à população imigrante e refugiada. "Iremos elaborar uma proposta conjunta de capacitação para as equipes da Prefeitura e também para as organizações da sociedade civil que atuam no atendimento a essa população. O prazo para fechamento da proposta ainda não foi definido, mas tentaremos que isso ocorra até o final deste mês", destaca Custódio. Até o momento estão sendo desenvolvidos cursos de português voltados para a população imigrante. Todos os cursos de capacitação profissional ofertados pelo sistema público de empregabilidade (CPAT) são oferecidos também para essas pessoas. 
Oficina de inserção chega à 3ª edição
Hoje, Campinas recebe a terceira edição da oficina para a inserção laboral de migrantes em situação de vulnerabilidade realizada pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). A capacitação tem como objetivo a implementação de políticas para migrantes em situação de vulnerabilidade no setor privado, esclarecendo mitos e dúvidas sobre o processo de contratação, prestação de assistência e documentação.
O intuito é promover a valorização da troca de conhecimentos e a interculturalidade. “Contratar imigrantes e refugiados representa para as empresas ganho em diversidade, convivência com o diferente, dedicação e mão de obra qualificada. E, além de enriquecer a cultura corporativa, a empresa ganha também em melhoria de sua imagem ao demonstrar estar preocupada com as causas sociais”, ressalta o diretor de Direitos Humanos da Prefeitura, Fábio Custódio.
A série de oficinas já passou por Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro. A escolha de Campinas para receber a próxima capacitação ocorre em reconhecimento de seu protagonismo como polo tecnológico em desenvolvimento e que atrai variedade de profissionais, principalmente especializados.
Esta edição, que ocorre no Centro de Formação, Tecnologia e Pesquisa Educacional "Prof. Milton de Almeida Santos", conta com o apoio financeiro do governo da Holanda e é executava em parceria com a Integra Diversidade, o Observatório das Migrações em São Paulo, a Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Campinas, e o “Núcleo de Estudos de População Elza Berquó”, da Unicamp.

Escrito por:

Francisco Lima Neto