Publicado 05/09/2019 - 10h11 - Atualizado 05/09/2019 - 10h11

Por Adriana Giachini

Projeto premiado tem mote este ano batizado de Vila 21: um lugar onde pessoas moram, trabalham, passeiam e se cuidam de maneira autônoma

Leandro Ferreira/AAN

Projeto premiado tem mote este ano batizado de Vila 21: um lugar onde pessoas moram, trabalham, passeiam e se cuidam de maneira autônoma

Pneus, latas velhas, caixas plásticas, vidros, retalhos de tecido, restos de madeira, entre outros itens cujo destino mais lógico seria o lixo. Aberta ao público ontem, a 3ª Mostra Sustentável ensina que com boa vontade e um toque de criatividade é possível aproveitar esse material , transformando-o em lindos objetos para a sua casa e contribuindo com a missão de construirmos um sociedade mais sustentável e em sintonia com o Planeta.
Criada em 2017, a Mostra – que já passou pelas instalações do Lar dos Velhinhos e do Centro de Saúde Mental dr. Cândido Ferreira – ocupa neste ano o prédio da Fundação Síndrome de Down, em Barão Geral. “Cada ano sentimos que as pessoas estão mais interessadas no tema e em levar esse conceito para dentro de suas casas”, acredita Fernando Caparica, diretor da mostra, que fica em cartaz até 13 de outubro.
A edição 2019 tem como tema Vila 21: um lugar onde pessoas com Síndrome de Down moram, trabalham, passeiam e se cuidam de maneira autônoma e independente.” O nome faz alusão à variação genética causadora da deficiência – a trissomia do cromossomo de número 21.
A Vila 21 conta com dois núcleos residenciais, um núcleo comercial e diversas praças. São cerca de 40 ambientes instalados numa área de mais de 3.500m². A construção reuniu uma equipe de mais de 80 profissionais, entre eles arquitetos, designers de interiores, artistas plásticos ou engenheiros de Campinas e região, com o desafio de repaginar o local, trabalhando conceitos de arquitetura e desenvolvimento sustentáveis, além de uma linguagem que se identifique com os assistidos pela instituição, uma vez que toda a reforma fica como legado após o evento.
O resultado de pura inspiração promete encantar os visitantes com mais de 40 espaços, entre eles o “Quarto dos avós” que, por exemplo, chama a atenção o uso de pneus gastos como teto e luminárias, além de uma estante móvel de livros feita com MDF e cordas que vem do teto. O espaço é assinado pelo engenheiro civil Gustavo Rodrigues, a designer de interiores Simone Saviolli e a arquiteta Sônia Magna.
Perto dele, está o quarto do casal assinado pelas arquitetas Mayline Mendes e Silvana Gomes e a engenheira civil Raissa Zenun. O espaço chama a atenção pela base da cama, feita com paletes de madeira e cordas, e os lustres e luminárias feitos com latas de lixo e baldes de ferro. As paredes e o piso também se destacam.
Quase todo o entulho retirado do ambiente original foi transformado e reaproveitado, como exemplo, o forro do teto virou divisória para o ambiente externo. “Nossa preocupação foi justamente fazer um ambiente que as pessoas possam levar para a casa delas, como inspiração”, conta Mayline.
Passeando pela Mostra, nota-se que alguns passos são repetidos na maioria dos ambientes como a preocupação com a reciclagem, a redução do entulho e a utilização de material de construção (pisos e tintas) de empresas preocupadas com a sustentabilidade. Neste sentido, muitos optaram pela não utilização do gesso nos forros – trabalhando o forro - , dando espaço para “tetos” criativos feitos com caixas plásticas, placas de acrílico e até mesmo fios de malhas. Um exemplo é o espaço Loft UP – cuja proposta era desenvolver um lar para Laura, uma jovem de 20 anos, com Síndrome de Down, blogueira e que ama dançar. “Nós optamos por criar esse enfeite no forro utilizando barras de alumínio, pintadas de preto, assim como o forro, e resíduos de malhas, dando um tom bem jovial ao local”, conta Ana Maria Coelho que participa pela segunda vez da mostra.
Ano passado, seu projeto venceu o prêmio de sustentabilidade com um conceito de boteco ecológico, o BotEco.
Toda a reforma do lugar ficará para a Fundação, o que, sem dúvida, na opinião do diretor, é um grande legado. Porém ele considera que a principal herança, e também o projeto mais desafiante, é a biblioteca (atualmente o hall de entrada da Mostra Sustentável). Criada pelo arquiteto Elton Casarin e a arquiteta Roseana Monteiro, ela foi pensada como uma edificação sustentável, sendo totalmente construída com o método Wood frame (não utilizou água durante a construção e quase não gerou resíduos). Ela ainda utiliza iluminação e ventilação natural.
A praça onde está a Fundação também foi reformulada, em parceria com a Prefeitura de Campinas. Intitulada de Comos Somos, o espaço pensado pela paisagista Helena Overmeer ganhou novas mudas, áreas de lazer e brinquedos. Além disso, contou com mão de obra do projeto Mãos Amigas, que oferece capacitação para pessoas em situação de rua). “Na edição de 2018, três desses profissionais acabaram contratados após a capacitação”, destaca Caparica.
SustenTalks traz palestras educativas
Dentro da proposta de trabalhar a conscientização e incorporação de conceitos e atitudes sustentáveis, a 3ª Mostra Sustentável traz ainda uma série de eventos para os quais convidou pensadores, chefs de cozinha, músicos e educadores para promover palestras interativas. A SustenTalks - que são palestras sobre sustentabilidade e eventos diversos - serão realizados do dia 4 de setembro a 11 de outubro, sempre de quarta a sexta-feira, às 20h, com entrada gratuita, porém com cadastro prévio no site www.mostra.com.br/sustentalks.
Entre os exemplos está, no próximo dia 11 de setembro, a palestra Planeta melhor para os filhos ou filhos melhores para o planeta, com Evaristo de Miranda (Embrapa), Liana John (Jornalista) e Daniel Lino de Miranda (Down News). No dia 18, o debate ser á sobre Moda Sustentável e Inclusiva,com Carolina Velardi (Flexible Fitness Concept) e Juliana Schmidt (Hype Vintage Br) e modelos de Huguette Gallo Models.
A Fundação Síndrome de Down tem 34 anos de atuação e é reconhecida pelo trabalho para a capacitação e autonomia de pessoas com síndrome de Down. Entre seus serviços, oferece atenção terapêutica, educação especial, formação, inclusão no mercado de trabalho e atenção à família. A entidade funciona na Rua José Antônio Marinho, 430, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas.
SERVIÇO
Ingressos: Inteira: R$ 35,00 (entrada + revista), meia: R$ 20,00 (entrada + revista); revisita: R$10,00 (apenas entrada); passaporte: R$ 70,00 (entrada ilimitada + 1 revista)
Vendas: Somente na bilheteria do evento, aberta até às 19h30.
Informações: contato@mostra.com.br ou (19) 99121-0262.

Escrito por:

Adriana Giachini