Publicado 11/09/2019 - 08h44 - Atualizado 11/09/2019 - 08h44

Por AFP


A promessa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de anexar grande parte da Cisjordânia se tiver êxito nas eleições da próxima semana foi considerada insuficiente, retórica ou perigosa por seus adversários políticos em Israel.

Netanyahu anunciou que, se continuar liderando o governo, implementará um plano para anexar as colônias judaicas - mas não os povoados e cidades árabes - localizadas no vale do Jordão.

Na terça-feira, Netanyahu teve que interromper um comício na cidade de Ashdod, entre Tel Aviv e a Faixa de Gaza, em razão de disparos de foguetes do Hamas que ativavam as sirenes de alarme. Os foguetes foram interceptados pelo sistema antimísseis "Iron Dome" e não causaram danos.

Seu plano de anexação, anunciado a poucos dias das eleições, recebeu o apoio dos partidos de direita próximos ao seu partido, o Likud, mas seus adversários políticos o criticaram.

"Por que falar da anexação a uma semana de eleições quando o governo pode decidir a qualquer momento e aplicá-la hoje mesmo?", questionou Betzalel Smotrich, atual ministro dos Transportes e uma das figuras da lista Yamina, à direita do Likud.

"Netanyahu quer anexar votos, não o vale do Jordão (...) Foi primeiro-ministro por 13 anos, por que não fez isso até agora?", reagiu Yair Lapid, do partido centrista Azul-Branco, favorável à anexação e empatado nas pesquisas com o Likud.

Para se livrar de seus adversários, o primeiro-ministro quer mobilizar o voto da direita nacionalista e dos quase 400.000 colonos que vivem na Cisjordânia ocupada, dizem analistas.

Nos últimos meses e mesmo antes das eleições de abril - que não levaram a um governo de união, e por isso as novas eleições em setembro - Netanyahu já prometeu a anexação das colônias na Cisjordânia.

No entanto, nesta terça-feira foi a primeira vez que ele apresentou um plano concreto de anexação, imediatamente criticado pelos palestinos e pelos líderes do mundo muçulmano.

A Jordânia, guardiã dos lugares sagrados muçulmanos em Jerusalém Oriental, alertou que esta decisão "arrastará toda a região à violência". A Turquia de uma promessa "racista".

A Arábia Saudita, que conduz uma aproximação com Israel, falou de uma "escalada perigosa" e pediu uma reunião urgente dos ministros das Relações Exteriores dos 57 membros da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI).

"Este anúncio constitui um desenvolvimento perigoso e uma nova agressão israelense que declara sua intenção de violar o direito internacional", disseram os ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe.

Por sua vez, a União Europeia afirmou que a anexação "mina a perspectiva de uma paz sustentável". "A política de construção e expansão das colônias, incluindo em Jerusalém Oriental, é ilegal pelas leis internacionais", disse um porta-voz da UE à AFP nesta quarta-feira.

O anúncio de Netanyahu também foi mal recebido pela imprensa israelense.

"As declarações arrogantes sobre a anexação dos territórios (...) e a decisão de confiar completamente em um presidente americano em que nenhum líder responsável deveria confiar, nada disso permitirá resolver os problemas reais de Israel", escreveu o Yediot Aharonoth, o principal jornal da imprensa israelense.

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