Publicado 15/08/2019 - 20h16 - Atualizado 15/08/2019 - 20h16

Por AFP


As autoridades de Israel proibiram nesta quinta-feira (15) a entrada de duas congressistas americanas no país e nos Territórios Palestinos ocupados, devido ao seu apoio à campanha de boicote contra o Estado hebreu e a um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ilhan Omar e Rashida Tlaib, as duas primeiras mulheres muçulmanas eleitas no Congresso e integrantes da ala mais à esquerda do Partido Democrata, deveriam desembarcar neste fim de semana em Tel Aviv para visitar os Territórios Palestinos, onde eram aguardadas.

Mas depois de uma controvérsia na imprensa local e um pedido do presidente Donald Trump, o Ministério do Interior israelense decidiu proibir a entrada das duas legisladoras no país, considerando que sua visita era parte das "atividades anti-israelenses de boicote".

A decisão foi tomada em comum "acordo" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e os ministros das Relações Exteriores e das Relações Estratégicas, informou o ministério do Interior.

"Essas congressistas utilizam o cenário internacional para dar seu apoio ao movimento BDS (sigla para Boicote, Desinvestimento, Sanções) que pedem boicote a Israel", acrescentou a pasta.

O organismo justifica sua decisão com base numa lei israelense que permite desde 2017 proibir a entrada de simpatizantes do movimento BDS (Boicote, Desinvestimento, Sanções), que defende um boicote econômico, cultural ou científico contra Israel em retaliação à ocupação dos Territórios Palestinos.

A colonização de Israel na Cisjordânia ocupada e na Jerusalém Oriental anexada continuou sob todos os governos israelenses desde 1967, mas nos últimos anos acelerou com Benjamin Netanyahu, que tem apoio de Washington.

Trump considerou nesta quinta-feira que Israel mostraria uma "grande fraqueza" se permitisse a visita de Rashida Tlaib e Ilhan Omar.

"Odeiam Israel e todo povo judeu, e não há nada que se possa dizer ou fazer para mudar sua opinião", insistiu o presidente na mesma rede social. "São uma vergonha!", acrescentou.

"Nenhum país respeita os Estados Unidos e seu Congresso mais do que o Estado de Israel", disse Netanyahu. "Israel está aberto aos visitantes com uma exceção, aqueles que exigem e defendem o boicote", acrescentou.

"É uma afronta que o primeiro-ministro israelense Netanyahu, sob pressão do presidente (Donald) Trump, negue a entrada a representantes do governo americano", criticou Omar, em um comunicado.

"Um Estado que não tem nada a esconder não pensaria em impedir a chegada de dois membros do Congresso. É mais uma vez uma tentativa desesperada de esconder a realidade do mundo", comentou Ayman Odeh, um deputado árabe-israelense.

A acadêmica palestina Hanan Ashrawi denunciou a medida como "um ato ultrajante de hostilidade contra o povo americano e seus representantes".

A presidente da Câmara de Deputados dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, classificou a decisão israelense de "sinal de fraqueza [...] abaixo da dignidade do grande Estado de Israel".

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