Publicado 13/08/2019 - 18h15 - Atualizado 13/08/2019 - 18h15

Por AFP


O aeroporto de Hong Kong viveu nesta terça-feira (13) um segundo dia de caos com a suspensão ou cancelamento de centenas de voos devido às manifestações pró-democracia, que segundo o governo local levaram a cidade a um "caminho sem volta".

Pela noite, a polícia empregou gás pimenta contra manifestantes enquanto retirava do aeroporto um homem que saiu do local dentro de uma ambulância, e que segundo os ativistas era um agente infiltrado. A viatura dos membros da segurança foi cercada por centenas de manifestantes radicais, o que levou a polícia a reagir usando gás pimenta e detendo pelo menos duas pessoas, segundo um jornalista da AFP.

Pouco depois, outro homem foi levado por uma ambulância, após um pequeno grupo o espancou e o acusou de ser um espião. O Global Times, um jornal oficial chinês, disse que era um de seus repórteres.

A ex-colônia britânica atravessa sua crise política mais grave desde sua reanexação à China em 1997. O movimento - que surgiu no começo de junho em rejeição a um projeto de lei que autorizaria extradições para Pequim - ampliou suas reivindicações para denunciar a redução de liberdades e as ingerências da China nos assuntos internos.

No quinto dia de uma mobilização sem precedentes no oitavo aeroporto de maior movimento do planeta, os manifestantes ampliaram o protesto e bloquearam os corredores que levam às zonas de embarque dos dois terminais. As autoridades aeroportuárias decidiram cancelar todos os procedimentos de check-in

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a situação em Hong Kong como "muito difícil", "complicada", mas acrescentou que espera que tudo seja resolvido sem violência.

"Espero que se resolva pacificamente. Espero que ninguém saia ferido. Espero que ninguém seja assassinado", afirmou Trump em declarações a jornalistas em Morristown, Nova Jersey, nesta terça.

Através do Twitter, o presidente informou que os serviços de inteligência americanos alertaram que a China está transferindo tropas para a fronteira com Hong Kong, e acrescentou que "todos devem permanecer calmos e a salvo".

Na segunda-feira, o aeroporto anunciou a decisão incomum de cancelar centenas de voos, em consequência das manifestações. E embora os pousos e decolagens tenham sido retomados por algumas horas nesta terça-feira, milhares passageiros foram afetados.

A chefe de Governo de Hong Kong - que é designada por Pequim -, Carrie Lam, alertou nesta terça-feira para as consequências perigosas para a cidade, uma das capitais mundiais das finanças.

"A violência, seja seu uso ou sua justificação, levará Hong Kong por um caminho sem retorno e afundará sua sociedade em uma situação muito preocupante e perigosa", disse Lam em entrevista coletiva.

"A situação em Hong Kong durante a semana passada me fez temer que tenhamos chegado a esta perigosa situação", acrescentou.

Mas estas declarações não conseguiram dissuadir os milhares de manifestantes que na tarde desta terça regressaram ao aeroporto, que recebe por ano 74 milhões de passageiros.

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