Publicado 26/08/2019 - 14h38 - Atualizado // - h

Por Alisson Negrinho

O campineiro Anthony Capelazzo se sagrou tricampeão de kung fu em junho do ano passado

Arquivo Pessoal

O campineiro Anthony Capelazzo se sagrou tricampeão de kung fu em junho do ano passado

A expressão "eu nasci pra isso" é comumente utilizada pelas pessoas quando estão realizando alguma atividade que gostam muito. Apesar de banalizada, em alguns casos, a frase se encaixa perfeitamente, como com Anthony Capelazzo. O campineiro de 20 anos tem o esporte em sua veia desde os sete meses de idade e não demorou para se descobrir um verdadeiro fenômeno do kung fu. O resultado de muita dedicação e talento são as inúmeras conquistas. Entre elas, o tricampeonato mundial e o bicampeonato sul-americano.

A família de Anthony sempre foi ligada ao esporte, tanto que com poucos meses começou a fazer natação. Praticante de jiu-jitsu, pai levava o pequeno para assistir aos treinos, mas ele não entendia e muito menos queria saber daquilo. Como toda criança, gostava de assistir desenhos. E foi assim que acabou se identificando.

“Eu via aqueles dragões e tigres, uma coisa mais pro lado da China mesmo e gostei. Um dia estávamos voltando do shopping pela Avenida Moraes Sales e paramos no semáforo que era justamente na frente da academia de kung fu. Eu estava na cadeirinha atrás no carro e vi um monte de criança fazendo a garra do tigre, pulando... Aquilo me chamou atenção e me fez querer praticar”, conta o jovem.

Depois que entrou no local, a vida do garoto mudou para sempre. Os títulos vieram aos montes, bem como as horas de sofrimento, suor e dedicação. São de duas a três horas de treinamento diário, além do trabalho como professor na academia. No fim, Anthony acaba ficando o dia inteiro por lá. “Desde que comecei, treino no mesmo local, é a academia Central. Não consigo viver somente do esporte como competidor, porque no nosso País só o futebol tem visibilidade, e olhe lá.”

Com um talento nato para desenhar, o atleta revela que, caso não tivesse ido para o lado esportivo, talvez vivesse do meio artístico. Essa, entretanto, é uma opção muito distante da sua realidade. “Eu desenho bem, mas realmente não me vejo fazendo outra coisa, ou estando longe do esporte”, explica Anthony, que sonha se tornar um grande mestre e ter sua própria academia.

Grandes feitos
Em junho deste ano, o campineiro disputou o Campeonato Mundial na China e se sagrou tricampeão. Competindo na categoria adulto com outros 15 atletas dos mais diversos países, como a própria China, Rússia, Estados Unidos, Índia, Espanha, México e também do Brasil, ele fez bonito e venceu o acirrado torneio.

“É indescritível a sensação, porque quando você chega ao topo, passa um filme na sua cabeça de todo o tempo de preparação, treinamento, de se privar das coisas, o esforço. Sem contar a parte do dinheiro que é preciso correr atrás. É uma realidade que no momento parece ser um sonho. Você fica em êxtase", diz o jovem, que não esquece da ajuda financeira da família como suporte.

Após o título mundial, ele foi bicampeão pan-americano em julho, nos Estados Unidos - a primeira conquista foi em 2015, no Brasil - em uma competição que teve um sabor especial. É que na edição de 2017, na Costa Rica, Anthony não conseguiu dar o seu melhor, e tinha para si que precisava se superar.

“Esse foi como uma volta por cima, eu precisava do título. Fiquei muito chateado por ter ficado em segundo na Costa Rica, lá, por uma série de motivos, não consegui dar meu máximo e acabei amargando com a medalha de prata.”

O currículo conta ainda com dois títulos sul-americanos, nove paulistas, oito brasileiros e 11 regionais, entre outros. A conquista mais especial de todas, porém, foi o primeiro Mundial, em 2012. Na época, tudo era novidade na vida do garoto que, em sua primeira ida pra China, voltou com uma medalha de ouro e outra de bronze.

“Eu era bem novo, fiquei encantado de estar na maior competição de kung fu do mundo, sem contar em conhecer a China, que eu sempre quis, o berço desse esporte. Tinha momentos em que acabava não pensando totalmente na competição, em ganhar medalha ou ser inexperiente, só que, por incrível que pareça, com meu treinamento e ajuda do meu mestre, fui muito bem”, relembra. “No meu segundo Mundial, em 2014, já estava mais experiente, focado e como eu estava preparado, conhecia o ambiente, voltei com duas medalhas de ouro”, completa.

Escrito por:

Alisson Negrinho