Publicado 05/08/2019 - 14h30 - Atualizado // - h

Por Daniela Nucci

Em busca do bem-estar, o conceito de biofilia influencia as pessoas a encheram a casa ou o escritório de plantas

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Em busca do bem-estar, o conceito de biofilia influencia as pessoas a encheram a casa ou o escritório de plantas

Espalhar plantas de todos os portes pela sala da casa, montar um jardim na área externa da residência ou compor os ambientes corporativos com espécies naturais vistosas são decisões que revelam a necessidade que muitas pessoas têm experimentado de ter um contato mais próximo e uma interação maior com a natureza nos ambientes em que costumam usar como um refúgio físico, mental e espiritual.
Presente nos projetos atuais de decoração, esse termo chamado de biofilia influencia as pessoas a viverem em contato com o verde como algo instintivo e importante para a saúde. Dos amplos jardins até aquela pequena plantinha num vaso, quem escolhe a companhia das plantas o faz por sentir uma vibração que vem delas. “Em contato com o verde, as pessoas se sentem bem, trabalham melhor e tem menos estresse. Existe um movimento de proteção à natureza e aos animais. Hoje o respeito com uma árvore é mais forte do que há 20 anos. Com a probabilidade da saturação do planeta, as pessoas começaram a se preocupar mais e o incentivo à preservação é instintivo. Podemos ver com a proibição de sacos e canudos plásticos. Isso era impensável há 20 anos. A população faz pressão para que as pessoas mudem. Existe uma exigência dos clientes para espaços mais naturais em casa ou escritório. Hoje não tem lançamento de empreendimento de porte que não tem um bom profissional de paisagismo envolvido”, explica o paisagista Alexandre Furcolin. Porém, a maioria das pessoas não sabe que pode encontrar um relaxamento revigorante em determinados ambientes, simplesmente pela forma como aquele lugar foi pensado arquitetonicamente. “A nossa função é aproximar a natureza dos usuários dos espaços de forma harmoniosa, sustentável e com técnicas profissionais, pois tem que entender como funciona a planta, que ela só se alimenta com a presença da luz natural, não podendo colocar em lugar de sombra. Por isso, é imprescindível a presença de um bom arquiteto e paisagista para orientar na escolha e troca da planta e do vaso”, completa o paisagista.
Para a arquiteta Paula Sauer, o termo biofilia sempre existiu na decoração, mas agora ganhou uma conotação maior. “A palavra biofilia virou moda, mas sempre esteve presente na arquitetura e no paisagismo. Se ela não estiver inserida num contexto agradável não adianta. Usamos muitas janelas grandes para fazer com que o jardim entre dentro de casa. As pessoas têm pressa de tudo e se esquecem de parar e olhar a natureza. Uma boa arquitetura não existe sem um belo paisagismo”, diz Paula. Entre as plantas mais pedidas, Paula destaca o interesse pelas que remetem à infância. “Tivemos época dos coqueiros e hoje os clientes pedem mais horta e jabuticabeira porque remetem à infância, à casa dos avós, tem um apelo emotivo”, diz Paula.

Biofilia - O termo biofilia foi usado pela primeira vez pelo biólogo norte-americano Edward O. Wilson, nos anos 80, em seu livro publicado pela Harvard University Press. O conceito vem literalmente do grego bios, vida e philia, amor, que significa “amor pela vida”. Mas a palavra foi popularizada por Edward Wilson, que acredita que os seres humanos têm uma ligação emocional genética com a natureza. Essa ligação, segundo seus estudos, tornou-se hereditária.

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Daniela Nucci