Publicado 23/08/2019 - 11h04 - Atualizado 23/08/2019 - 11h05

Por Delma Medeiros

Com coreografia de Eun-Me Ahn, espetáculo 'Dancing GrandMothers', dá início, no Sesc Campinas, à maratona de dança que movimenta a cidade por 11 dias em setembro

Young-Mo Choe/Divulgação

Com coreografia de Eun-Me Ahn, espetáculo 'Dancing GrandMothers', dá início, no Sesc Campinas, à maratona de dança que movimenta a cidade por 11 dias em setembro

Campinas, em setembro, se transforma em uma vitrine do que se produz em dança contemporânea no Brasil e no mundo. O Sesc Campinas recebe a 11ª edição da Bienal Sesc de Dança, evento que contempla cerca de 50 ações cênicas, entre espetáculos, instalações, performances e atividades formativas vindas de oito estados brasileiros e de 12 países, da Europa e das Américas. Os ingressos para os espetáculos em locais fechados começam a ser vendidos hoje, às 12h no portal Sesc (http://sescsp.org.br) e às 17h30 nas bilheterias.
Serão 11 dias de atividades, que ocorrem no Sesc Campinas e em diversos endereços, entre instituições parceiras como Secretaria de Cultura e Unicamp, e espaços públicos. O evento traça um panorama de criações e debates que movimentam a dança contemporânea hoje. Em sua 11ª edição, a terceira em Campinas, a Bienal reafirma seu compromisso com a difusão da produção artística nacional e estrangeira.
Segundo Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo, o evento tem importância vital no campo das artes cênicas. "Apesar de estarmos vivendo tempos difíceis, até com algumas visões obscurantistas, sabemos que a cultura e a visão humanitária irão prevalecer", afirma. “Através de um panorama diversificado da cena atual da dança contemporânea, a Bienal oferece uma imersão na linguagem, instigando, desse modo, a reflexão acerca da presença da dança como expressão, movimento e também meio para composição de redes de sociabilidade para a vida em sociedade.”
A maratona de dança tem início com o espetáculo Dancing Grandmothers (Avós Dançantes), da Coreia do Sul, dia 12 de setembro, às 20h, no Sesc Campinas. Com coreografia e direção de Eun-Me Ahn, conhecida como “a Pina Bausch de Seul”, a montagem traz os jovens bailarinos da companhia com dez senhoras, a maioria estreante que, dançando juntos transformam o palco em uma enorme pista de dança, numa mescla de folclore e contemporâneo, flores e bolas de espelhos.
Berço de uma das mais importantes escolas de graduação em dança do Estado de São Paulo, na Unicamp, Campinas se estabeleceu como sede da Bienal em 2015, após oito edições na cidade de Santos (de 1998 a 2013). Nas duas edições anteriores, a cidade recebeu cerca de 60 mil pessoas. Neste ano, a expectativa é de ainda mais público, com as atrações distribuídas entre espaços do Sesc e da Unicamp, aparelhos culturais como o Teatro Castro Mendes, Estação Cultura, Museu da Cidade, CIS Guanabara e Casa de Vidro, além de áreas públicas como ruas, praças e até o terminal rodoviário municipal.
O diretor do Sesc destaca ainda a escolha dos temas, que nesta edição irá dialogar com a invisibilização dos corpos marginalizados, a violência urbana e a presença de outras linguagens artísticas. "É necessário tratar destes temas com coragem, e nada melhor que a linguagem da dança para trazer com força esta pluralidade de corpos", explica. "A cidade inteira estará ocupada pela dança, performances, instalações e atividades formativas. É um oásis, uma ilha possível em meio a tudo que estamos vivendo".
A curadoria do festival, formada por Cristian Duarte, Fabricio Floro, Silvana Santos, Rita Aquino e Luciane Ramos, selecionou os artistas/obras, em mais de mil inscritos, sempre com a proposta de apresentar a multiplicidade do universo da dança e seus hibridismos com outras expressões artísticas, fomentando a produção e ajudando no desenvolvimento de novas criações, enquanto estreita o relacionamento com o público e amplia seu acesso.
A Bienal reúne, do Brasil, produção dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte e Distrito Federal; e de países como Alemanha, Argentina, Áustria, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal, Suíça e Uruguai.
Inéditos
Além do espetáculo de abertura da Coreia do Sul, fazem a estreia nacional na Bienal as obras Happy Island, uma coprodução entre a companhia portuguesa Dançando com a Diferença e a coreógrafa espanhola La Ribot; Every Body Electric, da coreógrafa austríaca Doris Uhlich; Daimón, do artista colombiano Luis Garay e com performance da atleta argentina Maia Chigioni, Acto3 / Avasallar / Trilogía Antropofágica, da uruguaia Tamara Cubas, Eclipse: Mundo, da diretora e artista espanhola Paz Rojo, Normal, da companhia suíça Alias, dirigida pelo brasileiro Guilherme Botelho; e Monumentos em Ação, da argentina Lucía Nacht, que fará uma residência selecionando intérpretes locais para integrarem as apresentações.
Entre os espetáculos nacionais, há a estreia de Eu Sou uma Fruta Gogoia, em Tendência Não Binária, uma remontagem da obra Eu Sou uma Fruta Gogoia em Três Tendências, da artista Thelma Bonavita, que se divide entre São Paulo e Berlim. E pela primeira vez em solo paulistano estão trabalhos como A Invenção da Maldade, do coreógrafo piauiense Marcelo Evelin; e Strip Tempo, dirigido pelo artista baiano Jorge Alencar.
Há ainda duas obras de William Forsythe: Debut, São Paulo (2019), instalação recriada para a exposição na forma de um tapete de entrada com uma instrução; e Alignigung Nº 2 (2017), vídeo instalação inédito no Brasil que apresenta uma coreografia na qual os dançarinos Riley Watts e Rauf “RubberLegz” Yasit combinam seus corpos em uma constelação atada.
Além dos espetáculos, há atividades reflexivas como ações formativas e pontos de encontros. A ideia é que público e artistas de diversas nacionalidades compartilhem experiências, pensamentos e vivências que possibilitem a expansão de questões estéticas e políticas pertinentes ao atual cenário da dança contemporânea. A programação contempla atrações para todas as idades, incluindo o público infantil. A Bienal Sesc de Dança é uma realização do Sesc São Paulo com apoio da Prefeitura Municipal de Campinas e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
AGENDE-SE
O quê: Bienal Sesc de Dança
Quando: de 12 a 22/9
Onde: Sesc Campinas (Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim, fone: 3737-1500) e outros espaços da cidade
Quanto: De 9,00 a R$ 30,00 e de R$ 12,00 a R$ 40,00
Obs: Programação completa no site http://sescsp.org.br/bienaldedanca.

Escrito por:

Delma Medeiros