Publicado 24/08/2019 - 20h29 - Atualizado 24/08/2019 - 20h29

Por Daniel de Camargo

Aeroporto de Viracopos: altas tarifas têm provocado o êxodo de passageiros para os terminais da Capital e de Guarulhos

Divulgação

Aeroporto de Viracopos: altas tarifas têm provocado o êxodo de passageiros para os terminais da Capital e de Guarulhos

A Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas e Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) de Campinas endossam a mobilização popular e o movimento dos prefeitos da Região Metropolitana de Campinas (RMC), que pedem a redução nos valores praticados pela Azul Linhas Aéreas na comercialização de bilhetes no Aeroporto Internacional de Viracopos. Para essas entidades, falta concorrência, fato que resulta nos altos preços das passagens se comparados aos da própria companhia e outras aéreas em Congonhas e Cumbica.
O cenário tem provocado o êxodo de passageiros para os terminais da Capital e de Guarulhos. Ao longo da última semana, o assunto foi debatido pelo Conselho de Desenvolvimento da RMC e se tornou pauta da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Presidente da Acic, Adriana Flosi comentou que toda redução de preços é benéfica ao consumidor, refletindo-se positivamente no comércio local. Em suas palavras, quanto mais pessoas passando pela cidade, maior é a geração de divisas e empregos. “Campinas concentra hoje 23.516 comércios e 40.104 estabelecimentos de serviços. Juntos, os setores geram mais de 309 mil postos de trabalho", dimensiona. "O Aeroporto de Viracopos é um terminal importante para o Interior do Estado e tem condições de crescer e receber novas companhias e atender a mais passageiros", afirmou.
Diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa recorda que a entidade que representa sempre lutou muito pelo terminal campineiro. "Temos uma ficha de trabalho pela sua recuperação e manutenção", garante. "Hoje, se Viracopos é uma potência, temos nossa participação. Então, gostaríamos de passagens com valores mais acessíveis", enfatiza. Corrêa diz que o pleito se justifica, devido a Campinas e o Interior serem os principais polos de atração de novas empresas para o Estado de São Paulo.
"Queremos Campinas mais competitiva", frisa. Segundo Corrêa, se as pessoas não precisarem embarcar por outros terminais, terão economia também no tempo direcionado a sua atividade profissional. "Hoje, para voar por Guarulhos, são gastos, no mínimo, quatro horas de deslocamento", contextualiza. Durante a última semana, o presidente do Conselho da RMC e prefeito de Vinhedo, Jaime Cruz (PSDB), chamou a atenção que dirigir muitas vezes por rodovias lotadas coloca em risco à vida dos moradores da região.
O momento econômico do País, inclusive, pede a contenção de gastos operacionais por parte dos indústrias, salienta. De acordo com dados do Ciesp-Campinas, o setor encerrou o primeiro semestre de 2019 com saldo de 2,7 mil demissões. O resultado é aproximadamente 335% inferior ao mesmo período de 2018, quando foram contabilizadas 1.150 contratações. "Quando ocorrer a retomada econômica, prevemos que muitas empresas vão querer vir para a RMC. E isso passa por Viracopos", analisou.
Presidente do Ibef Campinas e proprietário da Fórmula & Cia Farmácia de manipulação, Marcos de Figueiredo Ebert esclarece que as empresas determinam seus preços finais com base nos seus custos ou pela concorrência. “Em Viracopos, praticamente não há concorrência”, critica, ponderando que, por isso, a Azul está em condições de praticar os valores que bem entender. A solução, de acordo com o executivo, é atrair novas companhias ou então ampliar a operação das que já atuam em Viracopos.

Escrito por:

Daniel de Camargo