Publicado 23/08/2019 - 20h47 - Atualizado 23/08/2019 - 20h47

Por Maria Teresa Costa

As obras da barragem do Rio Jaguari, em Pedreira, estão previstas para serem concluídas em julho de 2021

Leandro Ferreira/AAN

As obras da barragem do Rio Jaguari, em Pedreira, estão previstas para serem concluídas em julho de 2021

Previstos para serem concluídos no final de julho, os planos de segurança e de emergência da barragem no Rio Jaguari, em Pedreira, seguem sem data para serem apresentados à população. O Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) informou que a versão preliminar desses planos está sendo finalizada para ser apresentada à Defesa Civil e aos moradores.
Esses documentos são exigidos no licenciamento de operação da barragem, antes do início do enchimento, mas o Daee decidiu antecipá-los para levar mais tranquilidade à população. Pressionado pela Câmara e por moradores, o prefeito de Pedreira, Hamilton Bernardes (PSB), vem tentando na Justiça interromper as obras, mas sem sucesso. Em fevereiro ele embargou as obras, mas o Daee conseguiu na Justiça a liberação, e elas não chegaram a ser paralisadas.
A exigência dos planos de segurança e de emergência ganhou força após o desastre em Brumadinho. Vereadores apresentaram projetos para impedir a construção da barragem, mas foram vetados pelo prefeito, por inconstitucionalidade. Manifestações também vêm ocorrendo em Pedreira contra a construção. A barragem ocupará uma área de 2,1 quilômetros quadrados, terá capacidade para acumular um total de 31,9 milhões de metros cúbicos de água e vai permitir uma vazão regularizada de 8,5 mil litros de água por segundo. O investimento será de R$ 256 milhões, sendo R$ 231 milhões na construção da barragem e R$ 25 milhões na desapropriação da área do lago.
O enchimento da barragem, segundo estimativa do Daee, será concluído em julho de 2021. A construção de uma barragem no Rio Jaguari integra projeto do governo do Estado para garantir reserva de água bruta para a região de Campinas.
Outra barragem está prevista no Rio Camanducaia, em Amparo, mas não tem prazo de início previsto, porque o Daee ainda não conseguiu a outorga para o barramento por causa da qualidade da água, que tem alta concentração de fósforo. Para que a água possa ser utilizada, haverá necessidade de melhorar o tratamento de esgoto das cidades situadas ao longo do rio.
Em 2016, a Agência Nacional de Águas indeferiu o pedido de outorga preventiva com base em análise que mostra que o represamento do Rio Camanducaia geraria problemas de perda de qualidade da água, com a chamada eutrofização — desastre ambiental que pode ocorrer num lago ou reservatório pela concentração de nutrientes. O enriquecimento com nutrientes, como fósforo, conduz a uma proliferação exagerada da flora aquática, mau cheiro, mortandade de peixes, mudança na biodiversidade aquática e contaminação da água por toxinas. 
 

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Maria Teresa Costa