Publicado 25/08/2019 - 11h49 - Atualizado 25/08/2019 - 11h49

Por Daniel de Camargo

Patrícia de Oliveira Robortella se reinventou e encontrou um novo rumo profissional na moda plus size

Leandro Ferreira/AAN

Patrícia de Oliveira Robortella se reinventou e encontrou um novo rumo profissional na moda plus size

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) surge como um mercado promissor a ser explorado pela indústria plus size, que produz vestuário para pessoas com manequim a partir do número 46. A afirmação é da produtora de eventos e jornalista Flávia Durante, idealizadora da Feira Pop Plus, considerada, hoje, o maior evento dessa ramificação de moda no Brasil. No último final de semana, mais de 60 mil pessoas prestigiaram a primeira edição fora da capital, que ocorreu na Estação Cultura, em Campinas. 
“Muitas pessoas da região de Campinas frequentam costumeiramente o Pop Plus, em São Paulo”, garantiu. “Pensando nisso, trouxemos o evento para a cidade”, justificou. A edição campineira contou com 50 expositores vindos da própria RMC, Capital e também outros estados. As opções foram de trajes formais, esportivos, casuais, clássicos e sexy.
Flávia revela que existem sim lojas físicas, mas grande parte das confecções prioriza o comércio eletrônico. Porém, prevê, o crescimento de lojas destinadas especificamente para esse público nos próximos anos.
Segundo dados da Associação Brasil Plus Size (ABPS), esse mercado cresceu 21% nos últimos três anos, enquanto neste mesmo período, a indústria de vestuário acumulou queda superior a 5%. A ABPS informou, em nota, que a perspectiva de progresso para o Brasil é de 20% entre este ano e 2020. A entidade afirmou ainda que o mercado registrou aumento de 8% em 2018, com faturamento de R$ 7,2 bilhões.
“Estima-se que 20% do comércio de vestuário disponibiliza os tamanhos plus size e 3,2% são lojas especializadas”, diz o texto.
Frases como “não adianta provar” ou “o meu GG é pequeno, você que precisa emagrecer”, fazem parte das indelicadezas que eram ouvidas. Flávia assegura que as pessoas gordas muitas vezes não entram na fila da empatia e acabam sendo vistas como doentes, preguiçosas, incapazes, engraçadinhas, exóticas. “O que queremos é mostrar que merecemos respeito como todo mundo. Nosso propósito é oferecer a moda como identidade, dignidade e diversidade”, destaca.
A ABPS estima também que, em cinco anos, o faturamento do segmento vai atingir a marca dos R$ 15 bilhões anuais. A análise considera que a população está aderindo cada vez mais a esses produtos em decorrência do aumento de publicidade inclusiva pelas marcas, ativismo nas redes sociais e crescimento de confecções que entram nesse nicho de mercado.
Além disso, a obesidade volta a crescer no Brasil, segundo aponta a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde. Sobre esse índice, houve aumento de 67,8% nos últimos treze anos, saindo de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018. O Brasil nos últimos três anos apresentava taxas estáveis de obesidade. Desde 2015, a prevalência de obesidade se manteve em 18,9%.
No ano passado, os dados também assinalaram que o crescimento da obesidade foi maior entre os adultos de 25 a 34 anos e 35 a 44 anos, com 84,2% e 81,1%, respectivamente. Apesar de o excesso de peso ser mais comum entre os homens, em 2018 as mulheres apresentaram obesidade ligeiramente maior, com 20,7%, em relação aos homens,18,7%.
Loja virtual
A loja virtual Carbonella foi lançada neste mês, em Barretos, por Alessandra Carboni Novaes de Oliveira, de 34 anos. "Comecei a vender para as minhas amigas gordinhas", mencionou, sobre a revenda que montou por meio do Facebook e Instagram para comercializar roupas casuais e jeans destinados ao público plus size. A motivação, como na maioria dos casos, foi a própria dificuldade para se vestir bem. No passado, rememora, chegou a comprar peças "só com estampas feias", pois não encontrava melhores opções no mercado. Formada em administração, profissão que nunca exerceu, graduou-se também em moda e estilismo. Após passar por uma grande loja de departamentos paulistana, na qual havia poucos itens para o público plus size, decidiu ingressar no mercado. No momento, atua como revendedora. Porém, projeta abrir a própria confecção. O endereço é www.facebook.com/Carbonella-Moda-Plus-Size-103578167671071/.
 

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Daniel de Camargo