Publicado 22/08/2019 - 07h51 - Atualizado 22/08/2019 - 07h51

Por Henrique Hein

Em Campinas, há a recomendação da Dose Zero da vacina contra o sarampo, que está disponível em todos os 64 centros de saúde da cidade

Leandro Ferreira/AAN

Em Campinas, há a recomendação da Dose Zero da vacina contra o sarampo, que está disponível em todos os 64 centros de saúde da cidade

O número de casos confirmados de sarampo mais que dobrou em uma semana nas cidades que fazem parte da Região Metropolitana de Campinas (RMC), saltando de 16 registros positivos para 35, entre os dias 14 e 21 de agosto. O aumento dos índices ocorreu muito em função município de Campinas que, somente neste período, confirmou 11 novos casos da doença. Com a atualização, sobe para 19 o número de confirmações na cidade este ano. 
Além de Campinas, outros quatro municípios da RMC registram aumento nos casos de sarampo. Em Sumaré e Vinhedo, foram duas confirmações, elevando para três a quantidade de pessoas infectadas pela doença. Jaguariúna e Hortolândia, por sua vez, tiveram uma nova confirmação cada no período. As duas cidades têm agora dois casos positivos diagnosticados da enfermidade em 2019.
Especificamente em Campinas, dos 19 casos registrados até agora, 11 são em bebês menores de um ano; seis são em crianças entre um ano e quatro anos e dois são em adultos com idades entre 20 e 34 anos. Ainda dentro desse total, quatro são de um surto numa creche no DIC 6 (registrados em 22 de julho). Outros dois são de um surto familiar e referem-se a dois irmãos, enquanto outras 13 ocorrências são de casos isolados em todas as regiões do município. Não houve registros de óbitos.
Na avaliação da diretora do Departamento de Vigilância em Saúde de Campinas, Andrea Von Zuben, apesar de o sarampo se tratar de uma doença de altíssima transmissibilidade e de o número ter mais que dobrado nas últimas semanas, ainda não é o caso da cidade fazer realizar um bloqueio massivo. "O número de casos ainda não justifica uma campanha", afirma. Apesar disso, ela apela para que as pessoas se vacinem e levem seus filhos aos centros de saúde. "Isso se resolve com vacina e, para isso, basta procurar a rede de saúde", ressalta.
Andrea lembra que um indivíduo infectado pode transmitir a doença para até 16 pessoas e que quem não for vacinado pode adquirir o vírus. A enfermidade pode ser contraída por pessoas de qualquer idade e as complicações infecciosas contribuem para a gravidade da doença, particularmente em crianças menores de um ano de idade. Os principais sintomas da doença são irritação nos olhos, manchas vermelhas no corpo, febre acompanhada de tosse, coriza e mal estar intenso.
Alerta
Desde o dia 8 de agosto, a Secretaria de Saúde de Campinas está recomendando a vacinação contra sarampo para todas as crianças com idades entre seis meses de vida e menos de um ano — a chamada Dose Zero. De acordo com balanço divulgado ontem, 2.638 foram imunizadas, mas o público-alvo é de cerca de 7,5 mil. Até então, a primeira dose desta vacina era feita com um ano de idade e aos 15 meses a criança recebia um reforço.
A Pasta informou também que adotou estratégias em relação ao sarampo. Além da vacinação de crianças de seis meses a até um ano de idade, o município se antecipou à medida adotada pelo Ministério da Saúde em 21 de agosto, quando estendeu a orientação para todo o território nacional. A secretaria lembra ainda que deve ser mantida a dose contra o sarampo aos 12 meses de idade, com um reforço aos 15 meses de idade, conforme previsto no calendário de vacinação de rotina da criança.
Outra medida adotada pelo município é o bloqueio vacinal de todas as pessoas que tiveram contato com casos suspeitos de sarampo. Essa ação é realizada independentemente da pessoa ter sido vacinada contra o sarampo antes ou não. A Vigilância em Saúde também reforçou a orientação de medidas de etiqueta respiratória.
Segue a orientação para que todas as pessoas mantenham o esquema vacinal indicado. Pessoas com até 29 anos tomam duas doses da vacina. Dos 30 aos 59 anos, a recomendação é de uma dose. É importante que todas as pessoas que perderam a carteirinha de vacinação ou não têm registro das doses procurem o centro de saúde para atualizar o esquema vacinal. A vacina está disponível em todos os 64 centros de saúde da cidade.
Cuidados
As autoridades sanitárias lembram que é necessário lavar bem as mãos ou passar álcool gel. Quando isso não for possível, a recomendação é evitar locais aglomerados— principalmente com crianças pequenas ainda sem o esquema completo de vacinação — e cobrir o rosto ao tossir ou espirrar. Ao procurar o serviço de saúde, as pessoas com suspeita da doença devem usar máscara cirúrgica como parte do isolamento respiratório.
CASOS CONFIRMADOS DE SARAMPO NA RMC
Cidade                            N° de casos
Americana ..............................1
Artur Nogueira ........................1
Campinas .............................19
Hortolândia ............................2
Indaiatuba .............................3
Jaguariúna..............................2
Paulínia .................................1
Sumaré..................................3
Vinhedo..................................3
Total ....................................35
Carteira de vacinação será obrigatória
Os vereadores de Campinas aprovaram ontem à noite, em segunda votação, projeto de lei que obriga os pais a apresentarem nas escolas públicas e particulares da cidade, no momento de matrícula de seus filhos, a caderneta de saúde comprovando a aplicação de todas as vacinas obrigatórias.
A proposta de autoria do vereador Luiz Cirilo (PSDB) estabelece que quando houver a ausência de qualquer vacina obrigatória no documento, os pais ou responsáveis terão o prazo de até 15 dias para regularizar a situação da caderneta de saúde da criança.
Em caso de descumprimento, o estabelecimento de ensino deverá comunicar formalmente a situação da criança ao Conselho Tutelar, para que o órgão tome as devidas providências. Com a aprovação, o projeto segue agora para sanção do prefeito Jonas Donizette (PSB), antes de ser publicado no Diário Oficial e virar lei.
Secretaria aponta alta de 36% das confirmações
O número de casos de sarampo cresceu 36% no Estado de São Paulo desde a semana passada. O último balanço da Secretaria Estadual de Saúde, divulgado na noite de terça-feira, aponta para o registro de 1.797 casos. Até o dia 16 eram 1.319 ocorrências. Também subiu de quatro para 11 o número de estados que enfrentam surto da doença. Com o aumento de registros, o Ministério da Saúde expandiu a recomendação da vacina a todos os bebês do País de seis meses a um ano.
A capital paulista concentra, sozinha, 73% das pessoas identificadas com a doença, com 1.314 casos. No último balanço da secretaria, a cidade tinha 997 registros de sarampo. Outros municípios da Grande São Paulo também lideram o número de casos, como Guarulhos, com 56 ocorrências, Santo André (47) e São Bernardo do Campo (35).
Ao todo, 74 cidades paulistas registraram ocorrência de sarampo neste ano. Nesses municípios está sendo feita uma ação de vacinação em bebês entre seis meses e um ano de idade.
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, provocada por vírus, grave e transmitida pela fala, tosse e espirro. A doença é extremamente contagiosa, mas pode ser prevenida pela vacina. O sarampo caracteriza-se principalmente por febre alta, dor de cabeça, manchas vermelhas no corpo, tosse, coriza, conjuntivite e manchas brancas na mucosa bucal. (Da Agência Brasil)

Escrito por:

Henrique Hein