Publicado 19/08/2019 - 06h45 - Atualizado 19/08/2019 - 06h45

Por AFP


O governo chinês adotou no domingo uma diretriz com o objetivo de transformar a cidade fronteiriça de Shenzhen em uma vitrine do "socialismo ao estilo chinês", com o plano de incluir a localidade até 2025 nos "primeiros postos das cidades do mundo em termos de potência econômica e qualidade de desenvolvimento".

A promoção é vista como uma tentativa de ofuscar a vizinha Hong Kong, onde uma nova manifestação levou centenas de milhares de pessoas às ruas no domingo.

Até 2035, Shenzen "se encontrará no primeiro posto mundial" em termos de competitividade global, afirma o documento publicado nesta segunda-feira pela imprensa chinesa.

A cidade, que já foi um simples vilarejo de pescadores, nos últimos 40 anos viveu um crescimento fulgurante, beneficiada por seu estatuto de "zona econômica especial" para atrair investimentos de Hong Kong e exportar em direção ao território sob administração britânica até 1997.

A cidade tem atualmente mais de 12 milhões de habitantes, contra sete milhões de Hong Kong.

A imprensa chinesa compara o futuro desenvolvimento esperado em Shenzhen com o risco enfrentado por Hong Kong em caso de continuidade das manifestações contra o governo pró-Pequim.

"Se Hong Hong ainda não estiver disposto a aproveitar sua oportunidade de participar no desenvolvimento do país, seu desenvolvimento será muito limitado no futuro, enquanto Shenzhen avançará a grande velocidade", afirmou um analista citado pelo jornal Global Times.

Após dois meses de manifestações para pedir democracia em Hong Kong, o governo da China mencionou nos últimos dias a ameaça de uma intervenção armada no território semiautônomo.

Analistas acreditam que Pequim poderia evitar uma decisão do tipo, arriscada para o estatuto de centro financeiro mundial de Hong Kong.

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