Publicado 10/07/2019 - 14h00 - Atualizado 10/07/2019 - 14h00

Por AFP


Uma família palestina foi expulsa nesta quarta-feira de sua casa em um bairro perto da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, depois que colonos israelenses venceram uma batalha judicial de 24 anos.

A associação nacionalista Elad assumiu o apartamento onde vivia Ilham Siyam, uma mulher de 53 anos, com seus quatro filhos no bairro de Silwan, bem como uma loja e jardim, disse a ONG israelense anti-ocupação Paz Agora.

Centenas de colonos israelenses vivem no bairro palestino de Silwan, localizado no sopé das muralhas da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade, ocupada e anexada por Israel.

A polícia forçou Ilham Siyam e sua família a deixarem a casa na manhã desta quarta-feira. Por enquanto, ficarão na casa dos parentes.

"Quando nos expulsaram de nossa casa hoje, foi como se tivessem arrancado meu coração", declarou Ali Siyam, um dos quatro filhos, à AFP.

Um tribunal israelense deu razão à fundação Elad, cujo objetivo declarado é fortalecer a presença judaica em Jerusalém Oriental, que afirma ter legalmente adquirido a propriedade.

Elad não comentou a questão.

A associação gere o complexo arqueológico e turístico da cidade de David, que segundo diz se encontra na antiga cidade do rei Davi, uma afirmação questionada por arqueólogos.

Os palestinos acusam Israel e a fundação Elad de querer expulsá-los de Jerusalém.

"A colonização em Silwan prejudica as perspectivas de resolução do conflitos e a estabilidade de Jerusalém, é igualmente cruel e nefasta", considerou Paz Agora em seu comunicado.

Israel considera Jerusalém como seu capital "unificada e indivisível". Mas a comunidade internacional não reconhece a anexação israelense da parte oriental da cidade, que os palestinos querem converter na capital do Estado a que aspiram.

Cerca de 600.000 colonos israelenses estão instalados na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, onde moram 2,9 milhões de palestinos.

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