Publicado 09/07/2019 - 11h30 - Atualizado 09/07/2019 - 11h30

Por AFP


Um tribunal de rebeldes iemenitas condenou à morte, nesta terça-feira (9), 30 universitários, sindicalistas e religiosos por suspeita de "espionagem" a favor da coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita - informou uma fonte judicial.

Julgados pela corte penal de Sanaa, os condenados faziam parte de um grupo de 36 acusados e estavam detidos há um ano, disse a mesma fonte à AFP. Os outros seis foram absolvidos.

"A corte penal emitiu hoje (terça) um veredicto que condena 30 pessoas à morte por espionagem em favor de países agressores", afirmou a fonte, referindo-se aos membros da coalizão.

Os réus foram considerados culpados por terem entregue aos países da coalizão informação para eventuais ataques aéreos, completou a fonte ouvida pela AFP.

Desde março de 2015, a coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita apoia as forças do governo do Iêmen, em sua luta contra os rebeldes huthis xiitas. Estes últimos contam, por sua vez, com o suporte político do Irã.

Desde que os huthis assumiram o controle da capital Sanaa, em 2014, seus tribunais emitiram várias condenações à morte por acusações de espionagem.

Em maio de 2018, um tribunal de Sanaa condenou dois homens à pena capital, sob a acusação de espionarem em favor da Arábia Saudita. Em janeiro passado, a mesma corte emitiu a pena máxima contra uma jovem mãe de 22 anos, Asmaa al-Omeissy, assim como contra dois homens, por "ajuda a um país inimigo" - neste caso, os Emirados Árabes Unidos, membro-chave da coalizão.

Essas condenações à morte não foram aplicadas ainda.

País mais pobre da península arábica, o Iêmen vive um sangrento conflito que já deixou milhares de mortos, civis em sua maioria, e cerca de 3,3 milhões de deslocados. Além disso, 24,1 milhões - 80% da população - precisam de ajuda, segundo a ONU.

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