Publicado 16/07/2019 - 16h05 - Atualizado 16/07/2019 - 16h05

Por Da Agência Anhanguera

A essência da festa é contemplar a beleza das floradas que duram apenas poucas semanas e que reproduzem em Campos do Jordão um cenário que só é encontrado no Japão

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A essência da festa é contemplar a beleza das floradas que duram apenas poucas semanas e que reproduzem em Campos do Jordão um cenário que só é encontrado no Japão

A geada típica de Campos do Jordão deixa a cidade branquinha de gelo. Mas esta não é a única cor do inverno. Desde 1936, a estância também ganha belos tons de rosa. São as cerejeiras vindas do Japão que encontraram na serra da Mantiqueira o clima perfeito para crescerem e se desenvolverem. As espécies Taizan, Botan e Amazonas foram trazidas para a inauguração do Sanatório Dojinkai, conhecido como hospital japonês.
As cerejeiras se adaptaram tão bem que Campos do Jordão é a única cidade do Brasil onde elas florescem de forma natural. Algumas, inclusive, não respeitam o calendário e precocemente começam a desabrochar.
A festa Cerejeira em Flor acontece sempre aos finais de semana, entretanto como em 2019 comemoram-se cinquenta e duas edições, o evento será maior. As datas foram definidas para 20, 21, 27 e 28 de julho e também nos dias 3, 4, 10 e 11 de agosto, período em que as floradas estarão no auge e a estância mais tranquila, no finalzinho de sua temporada.
A festa da Cerejeira em Flor é um evento beneficente. Toda a renda arrecadada é revertida para a manutenção do Recanto de Repouso Sakura Home, conhecido como hospital japonês.
A festa das floradas
As flores das cerejeiras estão em toda parte, algumas delas povoam pontos turísticos, como o Palácio Boa Vista. Elas são da variedade Okinawa, mas nos jardins do palácio também foram plantadas 500 mudas da espécie Some Yoshino. Há ainda exemplares em Abernéssia, próxima da estação do bondinho, e no bairro Santa Cruz.
No final de 1967, as intensas floradas ganharam fama e atraíram dezenas de japoneses que vinham para Campos do Jordão matar a saudade do país natal. A frequência foi tanta que se formou uma colônia de japoneses na cidade. No ano seguinte, o então prefeito em exercício, Arakaki Masakasu, oficializou a festa Cerejeira em Flor para homenagear a comunidade nipônica jordanense.
Desde aquele outubro de 1968, o evento já soma 51 anos de história. É a manifestação artística mais tradicional da cidade, superando até mesmo o Festival de música erudita. Atualmente o espetáculo ocorre no Bosque São Francisco Xavier, onde as cerejeiras estão em abundância.
A Ásia é aqui
A cultura asiática também é representada pelo artesanato. Durante a realização da festa, dezenas de barraquinhas expõem e vendem objetos como ímãs de geladeira e até porta moedas feitos com Origami. O Tsuru, ave sagrada do Japão, é sempre o personagem principal.
No espaço das flores, o Bonsai de Azaleia, outro símbolo oriental, também marca presença. E na gastronomia, o Yakisoba é sempre o carro-chefe. Para sobremesa, a dica é um doce típico feito de arroz acompanhado de um divertido karaokê.
A essência da festa é contemplar a beleza das floradas cerejeiras que duram apenas poucas semanas. Atualmente, as cerejeiras reproduzem em Campos do Jordão o cenário só encontrado no Japão. É a oportunidade que você tem de viajar para o outro lado do mundo sem ter que embarcar num avião. E claro, para viver totalmente esta experiência, não dá para ficar só um dia na cidade. Vale a pena se hospedar, no mínimo, quatro dias para curtir e apreciar com tranquilidade a paisagem que encanta, desperta emoções e aguça o olfato com o perfume das flores.
Os primeiros imigrantes que vieram a Campos do Jordão, no início do século passado para tratar a tuberculose, jamais poderiam imaginar que seriam os precursores de uma festa tão grandiosa.
Muito mais que um final de semana na Serra da Mantiqueira
Nas férias de julho, Campos do Jordão é o principal destino para quem quer respirar ar puro e curtir com o inverno com belas paisagens e boa gastronomia. São inúmeras opções de lazer e entretenimento que colocam o turista em contato, não apenas com a natureza, mas também com a cultura. Por isso, não dá para ficar na cidade só de sexta a domingo.
Todo dia é dia de concertos
No ano em que comemora meio século de existência, o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão ganha um novo palco: o Espaço Cultural Doutor Além, em Vila Abernéssia. Mais próximo do grande público, o prédio construído na década de 1940 e tombado como patrimônio histórico do município recebe concertos de segunda a sexta-feira nos finais de tarde. Na igreja matriz de Santa Teresinha, corais eruditos também vão se apresentar. Assim, uma simples caminhada pelas bucólicas ruas e avenidas da cidade pode culminar com espetáculos de qualidade e todos de graça.
O programa Toriba Musical, que este ano foi incluído na programação, conta com apresentações exclusivas no museu Felícia Leirner e na sala da lareira, nas dependências do Hotel Toriba. No museu ao ar livre, localizado no entorno do Auditório Cláudio Santoro, os concertos serão sempre ao pôr do sol.
Palácio de portas abertas
Ícone de Campos do Jordão, o Palácio Boa Vista, que há 50 anos recebeu os primeiros concertos do festival, está de portas abertas, agora, sem restrições. Até o ano passado parte do acervo de obras de arte, mobiliários e objetos não podiam ser visitados porque o prédio servia como residência de inverno do governador de São Paulo. Entretanto, a partir de 2019 o Palácio transformou-se em Centro Cultural de forma integral. Com o fim dessa dupla função, o espaço fica totalmente disponível para a realização de eventos culturais durante todo o ano voltados para os turistas e também para a comunidade local.
Atualmente a construção em estilo neogótico abriga cerca de duas mil peças entre móveis, louças, prataria, tapeçaria, pinturas, esculturas, objetos utilitários e decorativos, todas essas coleções estão abertas para visitação. Mas as atrações durante as férias não se resumem apenas às obras de arte. Todas as idades, desde as crianças até os idosos, e também pessoas com deficiência podem usufruir da programação.
Quartas ecológicas
São ao todo 18 atividades que começam sempre às quartas-feiras, quando os jardins do Palácio, que circundam o prédio, estão abertos para uma visita sensorial. A área tem cerca de 95 mil metros quadrados. No roteiro também há oficinas de arranjos florais e ações de educação ambiental. É uma excelente opção para entreter as crianças.
Quintas de meditação
Em Campos do Jordão, basta fazer silêncio para ouvir a natureza. O som do vento na vegetação e o cantar dos pássaros são facilmente percebidos. No Alto da Boa Vista, onde o palácio está localizado em uma área repleta de araucárias, é fácil viver essa experiência. Durante o mês de julho, os visitantes podem participar de aulas de yoga e meditação. É uma boa alternativa para quem pretende se desligar dos problemas e usufruir ao máximo dos benefícios do clima típico da montanha.
Também às quintas-feiras, palestras com especialistas contam a história do Festival de Inverno, que como já foi dito teve seus primeiros concertos dentro do Palácio. Os palestrantes também vão abordar a arquitetura do prédio, as coleções de arte, principalmente a modernista brasileira, e o acervo sacro.
Doces sextas-feiras
Mesmo durante as férias, a sexta-feira é o dia da semana mais esperado. E no Palácio Boa Vista, experiências deliciosas estão programadas e todas as atividades estarão diretamente relacionadas com outra marca registrada de Campos do Jordão: o chocolate. No mesmo dia concertos musicais no salão nobre encerram a programação.
Sábado de lazer
Quando chega o fim de semana o Palácio Boa Vista se transforma em uma colônia de férias. No sábado as atividades ao ar livre são intensificadas com mais vivências nos jardins voltadas para o público infantil e as crianças também vão aprender história brincando. Oficinas de colagem prometem reproduzir as roupas do século passado, época em que o prédio foi construído. A sobrinha neta de Tarsila do Amaral estará no palácio conduzindo atividades sobre as obras da artista em oficinas de aquarela e bordado.
Domingo do descobrimento
Você sabia que existe uma passagem secreta no Palácio Boa Vista? Esse túnel escondido é revelado durante a visitação aos domingos. Ele dá acesso até a capela que fica dentro da propriedade. Uma aventura que as crianças vão adorar, mas que certamente vai despertar o interesse dos adultos também. Essa descoberta ocorre no período da tarde. Pela manhã ocorre um tour às coleções do acervo do Palácio com o acompanhamento de monitores e também intérpretes de Libras, a linguagem brasileira de sinais.
Toda a programação é gratuita, mas é preciso fazer inscrição prévia no site http://www.acervo.sp.gov.br/acoesCulturais13.html. Vale lembrar também que o programa Portas Abertas do Palácio Boa Vista não é sazonal. A intenção da Secretaria de Estado da Cultura é manter o ano inteiro o espaço vivo e dinâmico com ações de cultura, diversão e entretenimento voltadas para os mais diversos públicos.
Venha para ficar, no mínimo, quatro dias. Dê preferência para o período entre segunda e sexta-feira, quando a cidade está mais calma, sem aquela agitação típica de sábado e domingo de julho. Garanto que você e sua família não vão se arrepender. 

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