Publicado 22/07/2019 - 14h47 - Atualizado // - h

Por Daniela Nucci

 Água levada na bagagem dos astronautas da Apollo 11, em 1969, é da fonte São Sebastião, do balneário paulista

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Água levada na bagagem dos astronautas da Apollo 11, em 1969, é da fonte São Sebastião, do balneário paulista

A celebração dos 50 anos em que o norte-americano Neil Armstrong caminhou pela primeira vez na Lua, durante a missão Apollo 11, no dia 20 de julho de 1969, tem um sentido especial para o mundo. Mas o que pode relacionar o evento que simboliza a conquista do espaço com Águas de Lindoia, cidade do interior de São Paulo? A água. Os astronautas Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins levaram na bagagem o líquido mineral, natural da estância, famosa por seu balneário rico em fontes de água. No início do século XX surgiram boatos de que a fonte São Sebastião, localizada na cidade de Lindoia, na Serra da Mantiqueira, interior de São Paulo, na época explorada pela empresa Irmãos Carrieri, hoje Lindoya Verão, era conhecida por ter propriedades terapêuticas. A fama foi longe e a água da cidade começou a ganhar destaque após a visita da física polonesa, ganhadora do prêmio Nobel e estudiosa dos fenômenos radioativos, Madame Curie. Ela visitou a cidade no fim dos anos 1920 e, dizem, comprovou os efeitos benéficos da água promovidos pelas qualidades radioativas das fontes. “Acreditamos que o fato de ela ter atestado as qualidades terapêuticas da água, quando visitou a região em 1926, tenha sido fundamental para essa escolha”, afirma o diretor executivo da Lindoya Verão, Cesar Dib. “Quando ela, a convite do médico Francisco Tozzi, fundador e então prefeito de Águas de Lindoia, dá seu parecer positivo em favor da água mineral natural das nossas fontes, faz com que essa água conquiste um renome internacional de qualidade. Esse renome chegou ao conhecimento dos cientistas da NASA que, em 1969, escolheram a água mineral natural engarrafada por nós como sendo ideal para hidratar os astronautas durante a Missão Apolo 11”, conta Dib.
A Lindoya Verão ainda guarda a cópia da nota fiscal 20.218 de 1969. O documento registra a compra de cem dúzias de garrafas em nome da NASA. A agência espacial teria optado pela água do local por conta dos minerais variados. “Entre eles, destaca-se a combinação perfeita entre cálcio e magnésio, duas porções de cálcio para cada uma de magnésio. O cálcio é um dos minerais mais importantes no auxílio da formação de ossos e dentes. Já o magnésio, entre as suas diversas características pode-se destacar que ele regula as contrações musculares e transmissões de impulsos nervosos”, explica o diretor da empresa. Uma observação importante feita pela física tem relação com a radioatividade das águas na fonte. “É normal as rochas que acomodam a água mineral natural no período de residência, tempo que a água leva para ser filtrada pelas rochas desde o momento em cai da chuva até chegar na fonte, terem radioatividade. Madame Curie observou que a água mineral natural aqui da região é fracamente radioativa na fonte, o que oferece uma grande quantidade de oxigênio em sua estrutura interna”, completa Dib. “Essa escolha mostra que o Brasil é um país abençoado por suas riquezas naturais e, a água mineral natural Lindoya Verão faz parte do patrimônio nacional de riquezas minerais. É um motivo de orgulho para os brasileiros ter um produto que conquistou importância no cenário internacional, principalmente, em uma época em que o Brasil ainda não tinha participação de destaque no mercado mundial. Temos muito orgulho de ter nossa água mineral natural como a escolhida para integrar a missão Apolo 11. Para nós, é como um atestado de qualidade emitido pela NASA. Temos ainda mais orgulho de continuar oferecendo a mesma qualidade por quase 70 anos”, diz.

Como eram as garrafas e a produção na época
De acordo Hélio Formagio, ex-funcionário da empresa que ajudou a embalar a água enviada para a NASA, a maior diferença é que na época tinha menos tecnologia na produção do que hoje. “Me lembro de que um dia normal de trabalho, chegou um carregamento de umas garrafas diferentes das que a gente usava na fábrica. Enquanto a gente lavava e preparava as embalagens para o engarrafamento, ouvimos dizer que aquela água ia para a Lua”, diz Formagio. “Naquele tempo, não era todo mundo que tinha televisão. Eu mesmo não tinha e as notícias não vinham fácil como hoje. A gente só ouvia as pessoas na fábrica falarem que aquela água tinha sido comprada pela NASA. Depois de certo tempo é que saiu no jornal que a água tinha ido para a Lua e eu pensava comigo: Eu ajudei a encaixotar a água que foi para a Lua. Para mim isso é muito gratificante”, conta o ex-funcionário.  

Lindoya Verão lança rótulo comemorativo para celebrar os 50 anos da Missão Apolo 11
Para celebrar os 50 anos da participação brasileira no fato que marcou para sempre a história, a Lindoya Verão lançou um rótulo comemorativo que remete ao original utilizado nas 100 dúzias de garrafas de 500ml adquiridas pela NASA para embarcar rumo à Lua. “Trata-se de um rótulo exatamente igual ao utilizado nas garrafas da época. É um relançamento da arte gráfica usada na década de 1960,” explica Dib. As embalagens com o rótulo comemorativo poderão ser adquiridas nos pontos de venda da água mineral natural Lindoya Verão.

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Daniela Nucci