Publicado 15/07/2019 - 14h27 - Atualizado // - h

Por Daniela Nucci

A consultora de marketing Renata Mascarenhas de 40 anos é fã da plantinha 
há mais de 10 anos

Arquivo Pessoal

A consultora de marketing Renata Mascarenhas de 40 anos é fã da plantinha há mais de 10 anos

Decorar a casa com flores sempre foi uma ótima opção para deixar o ambiente mais encantador. Porém, outras plantinhas têm invadido os espaços de forma original e aconchegante: as suculentas. Com formatos, tamanhos e cores diferentes, elas trazem a natureza para dentro do lar ou no jardim externo de pleno sol ou meia sombra. “A busca por melhor qualidade de vida das pessoas que vivem nas cidades, principalmente em apartamentos, entendendo-se nisso também um maior contato com elementos vivos da natureza, aliada a pequenos espaços e pouco tempo disponível para atividades caseiras extra-trabalho, faz do cultivo de suculentas uma alternativa muito simples, prática e econômica”, diz o engenheiro agrônomo e botânico brasileiro Harri Lorenzi, do Instituto Plantarium. “Aquela preocupação de alimentar e dar atenção a pets quando se viaja, ou a necessidade de regar plantas floríferas em vasos e jardineiras se acaba quando cultivamos suculentas. Enquanto um vaso de crisântemo ou outra qualquer ficar dois ou três dias sem água, provavelmente ficará extremamente murcha ou morrerá, a planta suculenta não mostrará nenhum sintoma de falta d'água mesmo após dias, semanas e até meses sem água”, explica Lorenzi. Porém, assim como não são sensíveis a falta d´água, apodrecem facilmente por excesso d'água. “Dessa forma, uma irrigação semanal é suficiente para plantas em vasos com substrato bem drenável, mas como eu falei, se ficar duas, três ou mais semanas, nada acontecerá”, diz o botânico.
Para esclarecer melhor as pessoas e os profissionais de jardinagem, paisagismo e decoração de ambientes internos e externos sobre as suculentas, o botânico escreveu o livro Cactos e Outras Suculentas para Decoração, que será lançado hoje, durante a abertura da edição 2019 do Enflor & Garden Fair, no Parque da Expoflora, em Holambra. A obra contou com a participação do engenheiro agrônomo, colecionador e estudioso de cactos, Gerardus Olsthoorn, e a jornalista Carol Costa, especializada em jardinagem, para completar o rol de informações sobre esse grupo de plantas, que é a sensação do momento no Brasil.
O livro representa a mais completa obra sobre as suculentas produzidas e comercializadas no País. Em suas páginas exibe 640 diferentes espécies. Além de pelo menos uma foto de cada variedade, o livro identifica um a um os exemplares apresentados e traz informações detalhadas sobre as características morfológicas, origem, tipos de uso e modo de cultivo, o que padronizará a nomenclatura das espécies, favorecendo o consumidor e demais players desse mercado em ascensão. “A ideia do livro surgiu da necessidade de um manual de identificação de um número sempre crescente de plantas suculentas que são oferecidas no mercado diariamente e que servisse de referência nomenclatural para a uniformização dos nomes usados por produtores, comerciantes, colecionadores e consumidores”, diz o botânico. Este fenômeno da popularização cada dia maior do cultivo e uso de suculentas não ocorre apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. “O problema todo começa com a introdução ilegal das plantas, que na maioria dos casos multiplica-se facilmente pelas folhas; uma única folha, surrupiada de uma planta de um jardim ou de um colecionador no Exterior é tudo o que o produtor precisa para introduzir e iniciar uma produção. A exceção de um grande número de cactos, a grande maioria das suculentas (cerca de 90%) é originária de outros países. Existem alguns produtores sérios no País que obtém suas plantas matrizes de fontes conhecidas”, comenta o especialista. Segundo ele, são quase 22 mil espécies já registradas no mundo. 
Como cuidar da plantinha
Segundo o botânico Harri Lorenzi, como as suculentas não sofrem com a falta d´água, podem apodrecer facilmente por excesso de irrigação. “Elas podem ficar dias e semanas sem água, porém são muito sensíveis ao excesso de água. Uma irrigação semanal no período de Verão é mais que suficiente e no Inverno apenas a cada duas semanas”, diz Lorenzi. Como são plantas de áreas bem iluminadas, não toleram muito tempo áreas de sombra, como salas de pouca iluminação, mas suportam interiores bem iluminados, mesmo que não tenham luz direta, como sacadas e varandas. “Fora isso, não há mais nada a ser feito para sua manutenção”.
Personas
Tranquilidade e paz
Há seis anos, uma paixão a mais entrava na vida da aposentada Vera Lucia Valbert Delgado Alves Rodrigues, de 69 anos: as suculentas. “Tenho três paixões na minha vida: meus netos, as orquídeas e as suculentas. Elas são tranquilas de serem cuidadas, converso com elas e dou amor. Cuido, molho de acordo com tipo, e elas vivem lindas e felizes”, diz Vera, que sente as plantinhas como aliadas do bem-estar. “Cuidar das plantas me dá tranquilidade e paz. Amo ter tempo e conviver com elas”, completa a aposentada.

Terapia e renda extra
A manicure Claudia Aparecida Ferreira, de 46 anos, enfrentou um sério problema de saúde e descobriu com as suculentas uma boa forma de terapia. “Ganhei de uma amiga uma muda da Paraguaiense e dela tirei as folhas para reprodução. Nisso encontrei a melhor terapia de todas, passo algum tempo do dia com elas e me sinto revigorada. Hoje já nem sei mais quantas eu tenho”, diz Claudia. Além disso, ela encontrou uma forma de ganhar uma renda extra com as plantinhas. “Faço minis jardins e terrários para vender. Montei até uma página #amoremformadeplantaviva. É minha paixão”, comenta, ao mostrar orgulhosa a primeira “bebê” que começou a cultivar. “A maior que está dentro do vaso é a planta mãe que ganhei da minha amiga Valquíria e as menores são os bebês dela que vi nascer, acompanhei cada processo de reprodução dela. São minhas filhotinhas”, diz Claudia, mostrando na foto.

Paixão e forma de presente
A consultora de marketing Renata Mascarenhas de 40 anos é fã da plantinha
há mais de 10 anos. “Precisava colocar verde em minha casa, não tinha tempo para plantas sensíveis, minha opção foram as suculentas, plantas resistentes, que se adaptam em vários ambientes, são lindas, têm várias espécies e periodicamente elas te presenteiam com florzinhas bem delicadas”, diz Renata. Depois que ganhou seu primeiro mini jardim de suculentas, a consultora se tornou uma amante dessa espécie. “Para onde eu ia, entrava em floriculturas em busca de novas suculentas. Hoje em minha casa tenho mais de 30 espécies. E em cada cantinho tem um vasinho,  com algumas gotas de água ela fica linda e verdinha. Gosto de presentear com suculentas, uma xícara sem uso, se torna um lindo vasinho de suculenta, um presente econômico e cheio de energia”, revela Renata. 

Aguentam o tranco
Com três filhos pequenos e a vida corrida, a servidora pública Letícia Malini Ribeiro Unidiciatii, de 42 anos, encontrou nas suculentas uma forma de trazer a natureza para dentro do lar, sem gastar muito tempo nos cuidados com os vasos. “Ganhei a suculenta da minha mãe e considero uma ótima opção para a decoração. Amo plantas, mas trabalhando fora com três filhos pequenos foi preciso reorganizar o jardim com espécies que não exijam tantos cuidados”, diz Letícia. “São fáceis de se manter em casa e resistem bem ao frio, chuva, sol. Sempre estão lindas o ano inteiro, sem precisar de tanta água. Hoje deixo elas na parte externa porque minha casa está pintando e só elas aguentam o tranco”, comenta a servidora pública.


Escrito por:

Daniela Nucci