Publicado 09/07/2019 - 16h39 - Atualizado 09/07/2019 - 16h43

Por Estadão Conteúdo

O número ainda é baixo frente às 35 confederações olímpicas filiadas ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), mas é um primeiro passo enaltecido dentro da entidade

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O número ainda é baixo frente às 35 confederações olímpicas filiadas ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), mas é um primeiro passo enaltecido dentro da entidade

 Depois de um período após os Jogos Olímpicos do Rio-2016, marcado por escândalos e cortes de verbas em algumas entidades esportivas, a implantação de um programa de governança nas confederações esportivas tem deixado as entidades mais transparentes e menos suscetíveis a práticas danosas por partes de seus gestores. E, ao mesmo tempo, tem aumentado um pouco a representatividade de mulheres e de atletas em tomadas de decisão.
Apesar de ainda tímida no universo de confederações esportivas no Brasil, a presença de mulheres na cúpula das entidades cresceu nos dois últimos anos. As confederações brasileiras de vela, de desportos na neve, de hipismo, de ginástica e de triatlo já destinam pelo menos um terço dos cargos diretivos a mulheres.
O número ainda é baixo frente às 35 confederações olímpicas filiadas ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), mas é um primeiro passo enaltecido dentro da entidade. "Antigamente, para você ser presidente de uma confederação, você tinha muitas exigências, que já foram muito diminuídas. Naturalmente você abre um espaço maior para mulheres se candidatarem. Se uma mulher vira presidente, traz outras diretoras e aí vai", avalia Paula Nery, gerente do Escritório de Projetos do COB.
Paula reconhece, contudo, que isso ainda precisará de um tempo para se consolidar. "O esporte, historicamente, era disputado só por homens. É um processo evolutivo - estamos lutando para trazer o futebol feminino para o mesmo patamar do masculino. É um processo que historicamente é travado", diz a gerente.
Na manhã desta terça-feira, ela apresentou um balanço de dois anos do Programa Gestão, Ética e Transparência (GET), desenvolvido pelo comitê para aprimorar os processos administrativos das confederações.
Na avaliação do Escritório, o balanço até o momento é positivo. Das 35 confederações filiadas ao COB, 32 aderiram voluntariamente ao programa. Ficaram de fora a CBF - que não recebe recursos públicos e tem um programa de governança próprio - e as confederações de Surfe e de Skate, criadas há pouco tempo e que ainda estão se estruturando.
Treze entidades estabeleceram nos últimos anos seus conselhos de administração, 30 incluíram representação de atletas nas tomadas de decisão e 21 submetem a aprovação dos regulamentos das competições aos esportistas.
Segundo o COB, o programa de gestão melhorou práticas das entidades com soluções simples. "Nós não tínhamos (em muitas das confederações) um sistema que cruzava orçamentos e emitia relatórios. Eles usavam muitas vezes o Excel", explica Paula. O comitê, então, criou um software que permite às entidades ter controle sobre tudo o que envolve cada confederação, além de fazer licitação para contratação de programas de ouvidoria e implantar portais de transparência, duas exigências para se receber recursos públicos.
"Hoje em dia as confederações já estão atuando com melhores práticas, com administração mais madura. Compliance, governança, é para todo mundo, não apenas para grandes empresas. Essa distância de esporte com grandes empresas já deixou de existir. A própria liderança das confederações já está com olhar mais estruturado, com estratégia", considerou Paula Nery.

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