Fungos criativos
Publicidade

Publicado 12/10/2018 - 23h55 - Atualizado 12/10/2018 - 23h55

Por Rogério Verzignasse

Fungos e circuitos integrados fazem parte da instalação: DNA da Unicamp

Divulgação

Fungos e circuitos integrados fazem parte da instalação: DNA da Unicamp

Assim como o fungo destrói o livro de papel, o algorítimo modifica a essência do texto digital. Esse é o tema central da instalação artística Degenerative Cultures, elaborada por Cesar & LOIS (League of Imaginary Scientists, um coletivo composto pelo professor da Unicamp Cesar Baio, a artista plástica californiana Lucy HG Solomo e outros artistas e cientistas). Doutor em comunicação e semiótica, Baio é o primeiro brasileiro vencedor do prêmio concedido pela ONG britânica Lumen Art Projects para obras do segmento de tecnologia. O Lumem Prize é uma competição internacional que premia obras de arte tecnológicas, disputada anualmente no Reino Unido. São peças em que tintas, telas e pincéis são substituídos por sensores, circuitos e sensores.
Degenerative Cultures é uma instalação interativa. Livros físicos que documentam o impulso humano de controlar a natureza são usados como substratos para o crescimento de microorganismos vivos. Uma colônia de fungos cresce nas páginas e corrompe o texto. Simultaneamente, um sistema computacional aprende os padrões predatórios do texto e vasculha a Internet em busca de textos semelhantes. É a inteligência artificial a serviço do artista.
A obra premiada cria uma “rede bio-híbrida” em que inteligência artificial e os micro-organismos vivos trabalham juntos. O público acompanha em tempo real tanto a ação do fungo digital quanto dos organismos vivos. A arte contemporânea, no caso, vira interdisciplinar, especialmente porque relaciona tecnologia e ciência. O ser humano é desafiado a se repensar com o surgimento e implementação efetiva da inteligência artificial. E o projeto discute o distanciamento entre homem e a natureza.
O premiado
Coautor da instalação, Cesar Baio é professor do Instituto de Artes (IA) da Unicamp e fundador e colaborador ativo do Laboratório de Pesquisas em Arte, Ciência e Tecnologia (actLAB).
O prêmio foi concedido por um júri internacional, composto por representantes de instituições como TATE, Victoria & Albert Museum, Museum of London e a Central Academy of Fine Arts da China. A bancada também premiou artistas dos Estados Unidos, Coréia do Sul, Hong Kong, China, Reino Unido e Alemanha.

Escrito por:

Rogério Verzignasse