Publicado 15 de Setembro de 2018 - 20h27

Por Agência Anhanguera de Notícias


O Instituto Hercule Florence (IHF) promove nesta terça-feira, 18, o lançamento de sua primeira iniciativa editorial: a caixa especial e numerada com a edição fac-símile do livro inédito L'Ami des Arts livré à lui-même, disponível para aquisição no Brasil, Europa e demais regiões do mundo pelo site do IHF. Considerada a obra mais importante de Hercule Florence, artista e inventor francês que morou durante grande parte da vida em Campinas, e uma das contribuições mais relevantes para a história da fotografia no mundo, a publicação é uma fonte de pesquisa essencial para estudiosos da iconografia e dos processos científicos do século XIX, além de ser um documento inédito para os interessados nos viajantes do século XIX.

A edição consolida o reconhecimento internacional de Florence, após a grande exposição Hercule Florence: Le Nouveau Robinson, no Nouveau Musée National de Monaco, entre março e setembro de 2017. O evento de lançamento da caixa especial será às 16h, na Sala Villa-Lobos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, e logo em seguida haverá uma mesa de debates com as participações da historiadora Maria de Fátima Costa, professora da Universidade Federal do Mato Grosso, do historiador Boris Kossoy, professor da ECA-USP, de Carlos Zeron, diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, e de Antonio Florence, diretor do Instituto Hercule Florence e tataraneto do artista e inventor.

Personagem fundamental para a ciência e a cultura brasileira, Hercule Florence é reconhecido internacionalmente como um dos criadores do processo fotográfico. Pioneiro em pesquisar e experimentar novas tecnologias no século XIX, produziu ainda uma vasta obra iconográfica sobre o interior paulista e brasileiro. Nascido em Nice, em 1804, e cidadão de Mônaco, foi desenhista e pintor de formação autodidata. Jovem inquieto e curioso, leitor de Robinson Crusoé e apaixonado por viagens, em 1824 desembarcou no Rio de Janeiro, sendo contratado, com apenas vinte anos de idade, como segundo desenhista da Expedição Langsdorff (1825 a 1829), missão científica que percorreu o interior do Brasil, de São Paulo até o Amazonas, realizando monumental levantamento de dados geográficos e etnográficos do país. Ao final da expedição, radicou-se na vila de São Carlos, que depois veio a se tornar Campinas, onde viveu até seu falecimento, em 1879.

O reconhecimento de Florence se faz presente em importantes publicações internacionais sobre a história da fotografia, entre estas, A World History of Photography, de Naomi Rosenblum (Abeville, Nova York, 1984); Les Multiples Inventions de la Photographie, org. Jean-Pierre Bady, com artigo de Boris Kossoy (Association Française pour la Diffusion du Patrimoine Photographique, Paris, 1989); e Seizing the light: A History of Photography, de Robert Hirsch (McGraw-Hill, Nova York, 2000), na qual seu autor constata: “A noção de consciência simultânea, de que uma ideia pode ocorrer independentemente a pessoas diferentes, em lugares diferentes, ao mesmo tempo, é evidenciada no experimento de Antoine Hercule Romuald Florence [1804- 1879], artista francês que viveu no Brasil. Seus cadernos de anotações, escritos entre 1829 e 1837, relatam o registro de imagens com camera obscura e nitrato de prata em janeiro de 1833.”

                   

O manuscrito

Escrito por Hercule Florence entre 1837 e 1859 como um compêndio definitivo e ilustrado de sua vida e obra, o manuscrito L’ami des arts livré à lui même, redigido quase todo em francês, nunca foi publicado na forma idealizada pelo autor. Em suas 423 páginas, o livro apresenta duas partes distintas. A primeira registra as principais invenções de Florence: poligrafia, pulvografia, fotografia, papel-inimitável, noria-hidrostática, estudo dos céus para jovens paisagistas, zoofonia, quadros-transparentes, um estudo sobre a compressão do gás hidrogênio para uso nos voos de aerostáticos, um ensaio sobre a impressão de pinturas à óleo em estampas, entre outros.  A segunda parte da obra traz sua autobiografia, com ênfase na infância e na juventude em Nice, Vintimille e Monaco, além de mais de 200 páginas que narram sua participação na Expedição Langsdorff.Aqui, aparecem também recorrentes críticas à sociedade escravista da Província de São Paulo.

Pela primeira vez editado de forma integral, o IHF promoveu o restauro, a digitalização em alta resolução e a transcrição diplomática do original, além de realizar a impressão com tiragem limitada de 300 exemplares numerados, acondicionados em uma caixa especial. O cuidadoso processo levou cerca de sete anos, entre restauração, digitalização, transcrição, projeto gráfico e produção em Verona, Itália, pela gráfica Fasoli, atual Opero. 

Escrito por:

Agência Anhanguera de Notícias