Publicado 07 de Agosto de 2018 - 7h26

Por Maria Teresa Costa


Cedoc/ RAC

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) fechou junho com 247.304 desempregados. É como se todas as pessoas com mais de 14 anos das cidades de Indaiatuba, Paulínia e Artur Nogueira, juntas, estivessem fora do mercado de trabalho. O desemprego, segundo levantamento divulgado ontem pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), atingiu 12,25% da população economicamente ativa, dentro da média do País, que fechou o mês com uma taxa de desemprego de 12,4%. Campinas encerrou o semestre com 93.189 desempregados.

Há um ano, o índice na região estava em 12,57%, o que equivalia a 241.468 desempregados. Atualmente, a região tem uma população economicamente ativa de 2.018.204 pessoas. Dessas, 851.079 estão empregadas e 919.821 exercem informalmente uma atividade.

“Estamos vendo uma frustração de todas as expectativas de que haveria reação do emprego no primeiro semestre. Na região, 2.612 trabalhadores perderam emprego com carteira assinada, quando a expectativa era de que teríamos o dobro desse número em admissões”, afirmou.

A maioria dos cortes ocorreu na Indústria, que demitiu em junho 1.252 trabalhadores. O setor de Serviços cortou 551 postos e o Comércio, que é grande empregador, fechou 850 vagas. A alta taxa de desemprego, afirmou, está levando as pessoas a sobreviverem de bicos ou a tentar trabalhar por conta própria. “É dessa novidade, que muitos chamam de empreendedorismo, que está fazendo aumentar a informalidade”, disse. Há um ano, 834.146 pessoas estavam na informalidade; hoje são 919.821, um crescimento de 10,2%. “O crescimento do empreendedorismo é uma tentativa de esconder uma realidade que está dramática”, avalia Martins.

Para o especialista em recursos humanos, Cláudio Fonseca, o crescimento da informalidade mostra o desespero das pessoas para conseguir sobreviver. “Elas perdem o emprego com carteira assinada, passam meses em busca de trabalho e acabam tendo que se virar com qualquer coisa. Montam um pequeno negócio, que não dá muito dinheiro, mas vão vivendo de esperança. Poucos são os que, de fato, irão se tornar empreendedores e crescerão”, afirmou.

Para o economista Laerte Martins, que coordenou o levantamento, 2018 está se configurando como um ano perdido para a empregabilidade. Segundo ele, enquanto não houver um horizonte do que acontecerá com a economia no próximo governo, dificilmente a situação mudará, porque as chances de investimentos empresariais são pequenas. “Assim, o que temos são taxas de juros elevadas, expectativa do Produto Interno Bruto (PIB) em queda e inflação em alta. Em ano eleitoral, onde não se tem claro ainda quais as saídas para a situação econômica do País por parte dos candidatos, vamos vivendo um 2018 muito difícil”, afirmou.

Há mais de um ano desempregada, a secretária Márcia Helena Couto vive um dos anos mais difíceis de sua vida. Tinha um bom salário na indústria que trabalhava, plano de saúde médico e odontológico e vale-alimentação. De repente veio o corte. Seis meses depois, o marido perdeu emprego. Eletricista, ele tem conseguido alguns bicos, que garante pelo menos a alimentação da família. 

“Estamos com aluguel atrasado, não temos mais plano de saúde e um desânimo tomou conta de todos aqui em casa. Já não sei mais onde procurar emprego. Temos rezado muito para essa crise passar logo”, contou.

A mesma situação vive o pedreiro Pedro Rodrigues, que trabalhava em uma construtora. “Eu tinha um salário razoável, conseguia manter a família. Mas aí a empresa começou a ter dificuldades e começou a demitir. Tiver que deixar a casa onde morava e me mudei com a mulher e os filhos para a casa dos meus pais. Hoje estamos sobrevivendo da aposentadoria deles e com algum dinheiro que consigo com algumas reformas que vez ou outra consigo”, revela o pedreiro.

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Maria Teresa Costa