Caism suspende internação de bebês
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Publicado 24/07/2018 - 08h27 - Atualizado 24/07/2018 - 08h27

Por Renato Piovesan

De acordo com boletim divulgado ontem à noite pela direção, os dois setores da universidade podem continuar fechados ainda nos próximos dias

Cedoc/RAC

De acordo com boletim divulgado ontem à noite pela direção, os dois setores da universidade podem continuar fechados ainda nos próximos dias

A crise na Saúde de Campinas ganhou ontem um novo capítulo. O Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Unicamp, suspendeu as internações de pacientes neonatais por 24 horas. A princípio, a paralisação deverá ser mantida até as 17h de hoje, mas é possível que haja uma prorrogação por mais 48 horas se necessário, segundo informou a superintendência do Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti. A medida foi tomada devido à superlotação da UTI Neonatal e da Unidade de Terapia Semi-Intensiva Neonatal, cujas taxas de ocupação bateram os 146% e os 106%, respectivamente. Prefeitura afirma que sistema exige “responsabilidade compartilhada.”
A superintendência do Caism afirma que comunicou às autoridades da área de Saúde da região sobre a suspensão nas internações, que tem o objetivo de preservar a segurança da assistência ofertada aos recém-nascidos, que já se encontram em atendimento.
Inaugurado em março de 1986, o Caism é uma das referências no ensino, pesquisa e assistência especializada à saúde da mulher e do recém-nascido. A região de abrangência do Caism no Estado de São Paulo engloba 42 municípios e cerca de 5 milhões de moradores dessas áreas.
A suspensão nas internações de pacientes neonatais no Caism acompanha um período complicado na área da Saúde de Campinas. O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp completa hoje uma semana de interrupção nas internações pediátricas, que teriam duração de um dia, mas sofreram quatro prorrogações. O motivo é o mesmo do Caism: a superlotação. No caso do HC, a Urgência Pediátrica (UER), a UTI Pediátrica e a Enfermaria Pediátrica estão com capacidade acima do limite.
A UTI Pediátrica do HC que tem capacidade para atender dez pacientes, mas registra 14 crianças internadas e sem previsão de alta. Os casos de bronquiolites são os principais responsáveis. Na UER Infantil, a rotatividade dos leitos melhorou, mas ainda mantém crianças na observação. Já a Enfermaria de Pediatria, com 36 leitos, continua com capacidade máxima. No último sábado, o Ouro Verde também ficou sem atendimento para crianças por causa da sobrecarga. Apesar da demora, o atendimento voltou ontem à normalidade.
Outro lado
A Secretaria Municipal de Saúde de Campinas informou, ontem, que o “sistema de Urgência e Emergência exige responsabilidade compartilhada. As instâncias municipal (Celso Pierro e Maternidade, Samu e Central de Regulação) e estadual (Departamento Regional de Saúde, Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) estão envolvidas na organização do sistema para garantir assistência a todos.” Campinas tem 49 leitos do SUS de UTI neonatal e 36 de UCI (Unidade de Cuidados Intermediários). Sob a gestão municipal estão 34 leitos UTI e 21 de UCI neonatais.

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Renato Piovesan