Publicado 18 de Junho de 2018 - 7h43

Por Alenita Ramirez

O professor, durante entrevista em sua própria residência: profissional quer ser indenizado pelo governo

Matheus Pereira/AAN

O professor, durante entrevista em sua própria residência: profissional quer ser indenizado pelo governo

Um professor de inglês, de 32 anos, promete processar o Estado após ser confundido com um ladrão enquanto esperava pelos alunos na sala de aula. O caso aconteceu na tarde de quinta-feira (dia 14), na Escola Estadual Guido Segalho, na Vila Teixeira, em Campinas. 

Segundo ele, três policiais militares entraram na sala, apontaram a arma para ele e o obrigaram a se deitar no chão. Como está debilitado por razão de uma doença, ele disse que teve que implorar para que o algemassem e colocassem sentado em uma cadeira, enquanto realizassem a revista. "Eu não sabia o que estava acontecendo na escola. O que mais me entristeceu e causou indignação é que, instantes antes da chegada da polícia na sala, um professor e a diretora, um de cada vez, tinham passado por lá e me perguntado se estava tudo bem. Eu disse que sim, e eles foram embora sem falar nada", disse o professor, cujo nome foi preservado.

O docente registrou um boletim de ocorrência por constrangimento na 2ª Delegacia Seccional e pretende não voltar mais na escola. "Fiquei muito abalado e estou com vergonha. Foi muito humilhante", falou. O professor é substituto e leciona há 14 anos na rede as matérias de inglês e português. No caso desta escola, ele leciona inglês todas as quintas-feiras à tarde. O docente está há dois meses na unidade.

"Todos da escola me conhecem. Tenho por hábito chegar cinco minutos antes de o início da aula e ir direto para a sala, sem passar na sala dos professores. Como eu ia corrigir trabalho, não levei bolsa, só caneta", contou. "Apontaram a arma na minha direção e me mandaram deitar. Falei que era professor, mas disseram que não queriam saber.”

Foi preciso chamar a diretora para desfazer o mal entendido. O docente disse que, depois de levado para a sala dos professores, é que ele soube de um assalto nas proximidades da escola. “Foi muita humilhação", comentou.

Estado

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação disse que lamenta o ocorrido e a diretoria de ensino da região já tomou todas as providências para auxiliar o professor no que ele precisar.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que a Polícia Militar (PM) recebeu informações que o autor de um roubo teria fugido para dentro da escola e os agentes tiveram que realizadar diversas abordagens com objetivo de localizar o criminoso. Com relação à atuação dos PMs junto ao professor, foi instaurada uma apuração interna para apurar os fatos.

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Alenita Ramirez