HC da unicamp fará transplante para infectados
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Publicado 24/01/2018 - 22h46 - Atualizado 24/01/2018 - 22h46

Por Jaqueline Harumi

Tipo de transplante sem ter um doador compatível é considerado inédito no mundo e de alta complexidade

Dominique Torquato/AAN

Tipo de transplante sem ter um doador compatível é considerado inédito no mundo e de alta complexidade

Uma equipe do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (HC Unicamp) recebeu capacitação de transplante de fígado em pacientes com hepatite fulminante causada pela febre amarela. O treinamento ocorreu no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que realizou o procedimento inédito no último dia 5 na engenheira Gabriela dos Santos Silva, de 27 anos, infectada pela doença em uma viagem a Mairiporã, e repetiu a cirurgia em outros três pacientes na semana passada.
Segundo o HC de São Paulo, um representante do HC campineiro foi o único presente físico no treinamento, que ocorreu através de videoconferência para outros médicos especialistas de diferentes hospitais do País. O número de profissionais e unidades abrangidas pela transmissão não foi informado .
À Folha de S.Paulo, Luiz Carneiro D'Albuquerque, diretor da Divisão de Transplantes de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo do HC da USP, afirmou que o HC Unicamp é o primeiro centro transplantador habilitado. A assessoria de imprensa da unidade campineira informou apenas que amanhã uma coletiva de imprensa será realizada na superintendência do hospital com representantes das três especialidades envolvidas, sem especificar quais são, para explicar detalhes do procedimento.
A partir do caso de sucesso da primeira cirurgia, novos transplantes foram autorizados pelos comitês de ética do HC e da Secretaria de Estado da Saúde. Procurada para falar sobre a autorização, a Secretaria se limitou a informar que o Sistema Único de Saúde (SUS) “prevê, na sua rotina, o encaminhamento de casos graves e complexos para hospitais de referência, para qualquer patologia, incluindo doenças infecciosas como a febre amarela”. “Os casos devem ser tratados já a partir da suspeita clínica, independentemente de exames específicos, e a conduta terapêutica é definida pela equipe médica”, complementou a nota, lembrando que “a rede de hospitais estaduais está capacitada para diagnosticar e tratar pacientes com doenças infecciosas”.
“Os casos de hepatite fulminante costumam chegar avançados ao hospital e é quase impossível encontrar um doador compatível a tempo. Estudo esse tema há muito tempo e é o primeiro caso que conheço no mundo em que o transplante foi possível”, afirmou Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo.

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Jaqueline Harumi