Publicado 27 de Dezembro de 2017 - 8h53

Por Maria Teresa Costa/AAN

Com o tombamento, realização de qualquer interferência no prédio do Centro de Convivência deverá passar por consulta do Condephaat, que também analisará a instalação de bancas

Cedoc/RAC

Com o tombamento, realização de qualquer interferência no prédio do Centro de Convivência deverá passar por consulta do Condephaat, que também analisará a instalação de bancas

O Centro de Convivência Cultural de Campinas e a antiga fábrica Lidgerwood, sede do Museu da Cidade, se tornaram patrimônio cultural de interesse histórico, arquitetônico, artístico e turístico do Estado de São Paulo. Os dois bens foram tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), conforme resolução publicada no Diário Oficial do Estado.

O tombamento do Centro de Convivência determina a preservação da edificação e dos artefatos arquitetônicos de autoria do arquiteto Fábio Penteado em coautoria com os arquitetos Alfredo Paesani, Teru Tamaki e Aldo Calvo e a massa arbórea da Praça Imprensa Fluminense. A resolução determina que o conselho seja consultado sobre qualquer interferência programada para o prédio. Também estará sujeita a análise prévia do Condephaat a instalação permanente de bancas comerciais, pontos de parada de transporte coletivo, postos policiais, abrigos para táxi e quaisquer outros elementos de mobiliário urbano (exceto iluminação pública e sinalização semafórica) no interior e limites do perímetro de proteção.

De acordo com o conselho, a decisão de tombamento levou em consideração que a edificação “é obra de projeção dos valores libertários devido à forma inovadora de configuração e a um princípio de democratização do espaço urbano, mesmo tendo sido executada sob um regime de exceção na história do Brasil”.

Além disso, o programa do Centro de Convivência constitui uma compensação à demolição do Teatro Municipal de Campinas, estendendo a função “teatro” à praça aberta e permitindo a fruição do equipamento de espetáculos a uma população mais ampla e de maneira livre, informal e flexível, de modo a materializar o ideário de um teatro dessacralizado e integrado ao cotidiano da cidade.

Exemplar da arquitetura modernista, o teatro se articula a uma rede regional de significados culturais, constitutivos da conhecida “escola paulista de arquitetura. O Condephaat levou em consideração no tombamento, o fato de o projeto ter ganhado consagração da comunidade internacional em 1967 ao representar o Brasil na Primeira Quadrienal Mundial de Teatro em Praga, onde foi contemplado com o primeiro prêmio e a Grande Medalha de Ouro, dentre 28 países.

Além disso, pesou na decisão que o projeto é de autoria do arquiteto Fábio Penteado, personagem de destaque no panorama da arquitetura brasileira não só por sua obra edificada, mas especialmente pela militância e atuação na política por meio da representação profissional e da defesa dos arquitetos e da arquitetura.

Com o tombamento, o Condephaat estabeleceu que os exemplares vegetais poderão sofrer manejo e substituição quando necessário, e contempla a possibilidade das intervenções desde que justificadas criteriosamente para a valorização do bem tombado e graficamente expressas com clareza.

O Centro de Convivência foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas em 2008. Nesse tombamento, o conselho definiu não pela preservação da edificação, mas do uso e da função de teatro, e o traçado da Praça Imprensa Fluminense.

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Maria Teresa Costa/AAN