HC vai usar a biometria para reforçar segurança
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Publicado 08/11/2017 - 22h43 - Atualizado 08/11/2017 - 22h43

Por Inaê Miranda

A direção do Hospital de Clínicas realizou ontem a primeira reunião da sindicância que investiga como Vitor Sabino Antunes atuou na unidade

Leandro Ferreira/AAN

A direção do Hospital de Clínicas realizou ontem a primeira reunião da sindicância que investiga como Vitor Sabino Antunes atuou na unidade

O Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estuda implantar um sistema de biometria para reforçar a segurança no acesso às dependências do local. A medida foi divulgada nesta quarta-feira (8), após a primeira reunião da sindicância instalada para apurar a atuação do falso médico Vitor Sabino Antunes, de 19 anos, durante duas semanas na unidade.
Ele foi detido na terça-feira (7) pela Polícia Militar (PM) e as informações dão conta de que o rapaz usava um crachá de acesso que teria sido roubado. Ele também usava o nome e o registro do CRM de um médico residente. A Polícia Civil segue investigando o caso e estuda pedir exame de sanidade mental do rapaz, conforme apurou o G1.
Durante a primeira reunião da superintendência do HC da Unicamp para esclarecimento do caso foi feito um levantamento preliminar o qual teria apontado que não houve atendimento médico feito pelo falso profissional de saúde. Outra informação apurada preliminarmente é que a atuação de Antunes era como falso fisioterapeuta. O rapaz, que é morador de Americana e ex-estudante de fisioterapia, desde o ano passado estaria com a matrícula trancada.
A reunião teve a participação do superintendente do hospital, do coordenador de assistência, do coordenador de Administração, além das áreas de Recursos Humanos, Segurança e Infraestrutura. À tarde foram feitas novas reuniões com outras áreas do hospital. “Estão definidas de imediato novas medidas de segurança nos acessos das portarias do hospital que serão divulgadas internamente em breve”, diz a nota divulgada pelo hospital. A direção do HC não detalhou quais seriam essas novas medidas e disse que a biometria para acesso ainda está em estudo.
A assessoria de imprensa detalhou que foram acompanhados os últimos dez dias da rotina e foi verificado nessa primeira fase de investigação que o falso médico não teve acesso ao centro cirúrgico e que ele não teria prestado atendimento à população, que nenhum paciente teria sido atendido pelo rapaz. Antunes vinha circulando pela Unidade de Emergência Referenciada, onde, segundo o HC, usava o jaleco de fisioterapeuta.
Durante a detenção, na terça-feira, a PM também apreendeu uma receita prescrita por ele (uma pomada de Dexametasona). A corporação também afirmou que o falso médico teria participado de dez plantões no Centro Cirúrgico e que ele teria prescrito medicamentos e atuado no setor de emergência. O HC confirmou apenas que o receituário apresentado pela PM foi feito pelo rapaz, porém, diz que a prescrição teria sido para um parente de funcionário e que não foi um atendimento formal. Que ele apenas tinha acesso às mesmas dependências que os funcionários têm.
O Hospital recebe em média 600 estagiários de residência médica por ano. Atualmente, nos casos de bloqueio, o funcionário é autorizado a entrar mediante a assinatura de um protocolo. A biometria, que identifica a pessoa através da digital, deve impedir que falhas como essa aconteçam. O 7º Distrito Policial instaurou um inquérito e a equipe trabalha para identificar pacientes atendidos por ele.

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Inaê Miranda